Polícia indicia empresária por 'vazar PDF' com 'mensagens maldosas' de grupo de corrida em Fortaleza
Os quatro membros do grupo de WhatsApp faziam comentários sobre corredores, atletas e outros profissionais que treinavam na Avenida Beira-Mar.
A Polícia Civil do Ceará (PCCE) indiciou uma mulher de 35 anos pelos crimes de invasão de dispositivo informático, divulgação de segredo e difamação qualificada, praticados no ambiente virtual. O caso se tornou de conhecimento público em julho do ano passado, quando foi 'vazado um PDF' com mensagens ‘maldosas’ de membros do grupo de corrida.
A Polícia não divulgou a identificação da indiciada. No entanto, a reportagem apurou que a mulher se trata de uma empresária do ramo alimentício em Fortaleza.
A Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) concluiu o inquérito nessa quarta-feira (25). O processo tramita sob segredo de Justiça.
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De acordo com a Polícia, os investigadores rastrearam o arquivo disseminado na internet: "a investigação identificou que o material foi criado a partir de endereço vinculado à indiciada, na Capital, apontando indícios de autoria relacionados à obtenção indevida, organização e ampla divulgação do conteúdo, o que resultou na exposição das integrantes do grupo e de terceiros".
"Com a conclusão das investigações, a suspeita foi formalmente indiciada com base nos crimes previstos na legislação penal brasileira. O procedimento foi encaminhado ao Poder Judiciário, que dará continuidade às providências cabíveis".
Os integrantes do grupo de Whatsapp onde as mensagens eram trocadas, incluindo médicos, atletas e empresários, não foram indiciados.
INVESTIGAÇÃO
O documento reúne várias conversas de WhatsApp vazadas entre quatro amigos - três homens e uma mulher - fazendo uma série de comentários negativos sobre corpos e atitudes de influenciadores, clientes, funcionários e membros de outras assessorias esportivas que atuam na Avenida Beira-Mar.
As quatro pessoas envolvidas na polêmica são o dono de uma das principais assessorias de corrida de Fortaleza e de uma academia, uma triatleta amadora e dois médicos - esses três últimos alunos do primeiro.
As conversas expostas, mantidas em contextos por vezes machistas, transfóbicos ou gordofóbicos, datam de dezembro de 2024 a junho de 2025.
O texto do relatório revela “fofocas, comentários maldosos e que faltam respeito com muitas pessoas, inclusive com fotos e áudios”. Na conversa, há prints de diversos atletas amadores, mulheres e homens, que são alvo de ataques sobretudo quanto à aparência física ou ao desempenho atlético.
Os membros do grupo passaram a ser vítimas quando registraram Boletim de Ocorrência (B.O.) informando que não autorizaram a exportação nem o compartilhamento das conversas, "levantando a suspeita de acesso indevido às comunicações privadas".