Quem são os colombianos indiciados por extorsão e associação criminosa e soltos em audiência no CE
Dos cinco suspeitos presos nas cidades de Cascavel e Fortaleza, apenas um ficou preso.
Um grupo formado por quatro colombianos e uma brasileira foi preso em flagrante nessa terça-feira (24). Horas após a captura, os cinco passaram por audiência de custódia em Maracanaú, Região Metropolitana de Fortaleza. Durante a sessão do Poder Judiciário, um dos estrangeiros teve a prisão mantida, mas a brasileira e os outros quatro colombianos foram soltos.
Marleide Monteiro Silva Santos (única brasileira), William Bolívar Ospina, Alejandro Ciro Montes, Jerson Daniel Rayo Castillo e Diego Cardona Botero foram indiciados pela Polícia Civil do Ceará (PCCE) pelos crimes de extorsão, associação criminosa, usura (agiotagem) e receptação qualificada.
O Ministério Público do Ceará (MPCE) deu parecer pela manutenção da prisão de todos os colombianos e a concessão da liberdade apenas para a brasileira.
Ao analisar o caso, a Justiça decidiu conceder a liberdade provisória de Alejandro, William, Marleide e Jerson, alegando "evitar uma prisão prematura" e impondo a eles a obrigação de cumprir as seguintes medidas cautelares:
- Obrigação de manter o endereço atualizado junto ao Juízo do local do fato, aplicado a todos os autuados;
- O comparecimento a todos os atos do processo sempre que for intimados, aplicado a todos os autuados ;
- Proibição de contato e aproximação da vítima, aplicado a todos os autuados;
- Monitoração eletrônica com recolhimento noturno entre 18h até as 05h do dia seguinte, pelo prazo de 90 (noventa) dias, aplicado a todos os autuados, exceto a Marleide Monteiro Silva;
- Monitoração eletrônica adstrita ao município de domicílio do autuado a ser informado no momento da instalação do aparelho, pelo prazo de 90 (noventa) dias, aplicado a todos os autuados, exceto a Marleide Monteiro Silva;
Os colombianos Alejandro Monte, William Bolívar e Jerson Rayo Castillo também foram intimados a entregar o passaporte na Delegacia Municipal de Cascavel.
Veja também
Já em relação a Diego Cardona, o Poder Judiciário estadual entendeu ser necessária a prisão preventiva.
Conforme documentos obtidos pelo Diário do Nordeste, há indícios de que
Diego Cardona "tenha participado ativamente da prática de cobrança coercitiva, integrando o grupo responsável pela exigência reiterada de valores sob ameaça, em concurso com os demais investigados".
Para a Justiça, existe "periculum libertatis" no caso de soltura dele, "diante da gravidade concreta da conduta, consistente em reiteradas cobranças acompanhadas de ameaças, envio de preposto para pressionar a vítima em via pública e exigência de pagamento imediato sob intimidação, circunstâncias que demonstram modus operandi estruturado e atuação coordenada".
Além disso, continuou o Juízo do 7º Núcleo Regional de Custódia e das Garantias - Sede em Maracanaú, Diego "é estrangeiro, de nacionalidade colombiana, tendo sido localizado em contexto de atuação conjunta com outros compatriotas, circunstância que, aliada à notícia de que parte dos envolvidos estaria em deslocamento internacional, evidencia risco concreto de evasão do distrito da culpa, dificultando a aplicação da lei penal".
"Dessa forma, a custódia cautelar mostra-se necessária para garantia da ordem pública, a fim de cessar a atividade delitiva estruturada, resguardar a integridade da vítima e assegurar a aplicação da lei penal, diante do fundado receio de fuga decorrente da condição de estrangeiro e da articulação transnacional evidenciada nos autos".
A defesa de Marleide foi procurada pela reportagem e informou ter interesse em se manifestar sobre o caso, mas não enviou nota até a publicação desta matéria.
[Atualização - 26/2/2026 - 20h]
Os advogados Luciano Dantas e Charles dos Santos, que representam a defesa de Marleide Monteiro, informaram que provarão na tramitação do processo a inocência da mulher em relação aos "crimes que lhe são imputados".
Os advogados disseram ainda que no depoimento da vítima, "não foi atribuída qualquer tipo de conduta ameaçadora ou violenta que pudesse presumir seu envolvimento em crimes de agiotagem".
Por fim, esclareceram que "durante a prisão em flagrante, nada de ilícito foi encontrado em seu poder que pudesse fundamentar a acusação — como dinheiro em espécie, cadernos de anotação ou cartões bancários em nome de terceiros".
"A referida diligência ocorreu em sua residência, situada no Município de Cascavel, sendo que não tem vínculo com os demais envolvidos, que foram presos em outra cidade".
Os advogados dos outros investigados não foram localizados pela reportagem. O espaço segue aberto para futuras manifestações.
DIVISÃO DE TAREFAS NO GRUPO
Após denúncia de uma vítima, a Polícia Civil instaurou inquérito contra o grupo ainda em fevereiro de 2024. As primeiras informações obtidas durante a investigação davam conta de que o bando emprestava dinheiro com juros abusivos, extorquia e ameaçava as vítimas.
"Diante do aumento desproporcional dos valores e das cobranças abusivas, as vítimas não conseguiam realizar os pagamentos, culminando em extorsões e ameaças", conforme a PCCE.
Com apoio do Núcleo Operacional (NO) e de Inteligência (NUIP) do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), nessa terça-feira (24), cinco suspeitos foram presos na cidade de Cascavel e no bairro Vicente Pinzón, em Fortaleza.
No momento das abordagens, os policiais apreenderam aparelhos celulares, cartões de crédito e chaves de veículos. As equipes encontraram cadernos com anotações e papéis de crediário, "material que irá subsidiar o prosseguimento das investigações", segundo a Polícia.
Os investigadores pediram a quebra do sigilo telefônico e telemático, o que foi deferido pelo juiz, autorizando peritos e policiais a terem acesso aos aparelhos e compartilharem as informações obtidas com os órgãos de Segurança Pública e o Ministério Público.
"A narrativa evidencia atuação organizada, com divisão de tarefas, captação e concessão do empréstimo, intermediação de recebimento de valores e cobrança presencial, o que indica risco concreto de reiteração delitiva caso o investigado permaneça em liberdade, especialmente considerando que a própria vítima relatou temor", disse o magistrado.
A Justiça oficiou a Interpol a fim de informar a existência do mandado de prisão, fichas de antecedentes criminais e "ou outras informações pertinentes em relação aos autuados".
Nota na íntegra da defesa de Marleide Monteiro Silva
A defesa de Marleide Monteiro Silva, patrocinada pelos advogados Luciano Dantas e Charles dos Santos, vem apresentar a seguinte Manifestação:
Como já afirmado em petição escrita nos autos e reiterado de forma oral em audiência de custódia, a Defesa provará, ao longo da tramitação processual, a sua inocência quanto aos crimes que lhe são imputados. No próprio depoimento da suposta vítima, não foi atribuída qualquer tipo de conduta ameaçadora ou violenta que pudesse presumir seu envolvimento em crimes de agiotagem.
Ademais, durante a prisão em flagrante, nada de ilícito foi encontrado em seu poder que pudesse fundamentar a acusação — como dinheiro em espécie, cadernos de anotação ou cartões bancários em nome de terceiros. A referida diligência ocorreu em sua residência, situada no Município de Cascavel, sendo que não tem vínculo com os demais envolvidos, que foram presos em outra cidade.