MP apura expulsões de famílias das próprias residências no Interior do Ceará e aciona PM

O órgão alega querer garantir o mapeamento de risco.

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Redação seguranca@svm.com.br
fachada do mpce
Legenda: O MP apura e acompanha os relatos.
Foto: Divulgação/MPCE.

O Ministério Público do Ceará (MPCE) apura denúncias de expulsões de famílias das próprias residências ocorridas nos últimos dias, no Interior do Estado. Há relatos de casos ordenados por uma facção criminosa nas cidades de Juazeiro do Norte e Iguatu.

Nesta segunda-feira (23), o Núcleo de Acolhimento às Vítimas de Violência (Nuavv) Cariri, "solicitou, em caráter de urgência, ações imediatas da Polícia Militar para garantir a proteção da família que teria sido expulsa da própria residência em Juazeiro do Norte".

Em entrevista ao Diário do Nordeste, o promotor de justiça André Barroso, do Nuavv Cariri, disse que está em andamento um levantamento para saber o número de vítimas: "oferecemos o acolhimento necessário a essas pessoas", pontuou.

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MAPEAMENTO DE RISCO

O órgão quer garantir o mapeamento de risco e a atuação integrada da Segurança Pública "para prevenir outras expulsões, incluindo medidas como diagnóstico territorial, reforço do patrulhamento e monitoramento de imóveis potencialmente vulneráveis".

"Ainda não temos esses dados consolidados. No geral, é uma área com baixa incidência de expulsão, mas na semana passada tomamos conhecimento deste caso, dando conta dessa situação no Juazeiro do Norte".
Promotor André Barroso.

No Cariri, as vítimas teriam sofrido uma coerção armada e presenciado disparos em um conjunto habitacional, resultando em abandono de residências.

Já em Iguatu, o Ministério Público disse ter instaurado procedimento e vir "acompanhando notícias de intimidações e deslocamento forçado de moradores, com coleta de informações e articulação da rede de proteção para avaliação de risco e adoção das medidas cabíveis".

Ainda segundo o MP, "foi solicitado que o Copac (Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades da PMCE) apresente um plano de ações ostensivas e preventivas para os próximos 30 dias, além de uma síntese dos boletins de ocorrência e relatórios técnicos registrados por suas equipes especializadas". 

A reportagem entrou em contato com a PMCE a fim de saber se o órgão tem conhecimento das demandas, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria. 

UMA EXPULSÃO A CADA 3 DIAS

Em 2025, o Diário do Nordeste noticiou que um relatório da Polícia Civil do Ceará (PCCE) aponta que o Ceará teve 219 ocorrências de expulsões de moradores, por facções criminosas, em 1 ano e 9 meses. Isso representa uma expulsão a cada 3 dias, aproximadamente.

O dado, que abrange o período de janeiro de 2024 a setembro de 2025, faz parte de um relatório do Núcleo de Inteligência Policial (NUIP) do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), elaborado no dia 17 de outubro do ano passado. 

Conforme o documento da Polícia Civil, "a maioria das ocorrências está concentrada na Capital, totalizando 143 registros, com destaque para os bairros Ancuri, Prefeito José Walter, Vicente Pinzón e Jangurussu".

Sobre o tema, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) afirmou que "tem empreendido esforços, em conjunto com a Coordenadoria de Inteligência (Coin/SSPDS) e com as Polícias Civil do Estado do Ceará (PCCE) e Militar do Ceará (PMCE), para coibir episódios de ameaças e deslocamentos forçados de moradores".

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