Integrante do CV é denunciado pelo MP por extorquir comerciantes de água mineral em Sobral
O suspeito foi solto em audiência de custódia.
O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou José Gleidson Rodrigues de Sousa por integrar a facção criminosa carioca Comando Vermelho (CV) e participar das extorsões contra comerciantes de água mineral em Sobral, no Interior do Estado.
José Gleidson tem 23 anos e se identificou para as autoridades como estudante. O jovem foi preso em flagrante no início deste mês de fevereiro e solto horas depois em audiência de custódia. A defesa dele não foi localizada pela reportagem.
Agora, o MP pede à Justiça a quebra do sigilo de dados do telefone apreendido junto ao denunciado e diz que há fortes evidências de que o Gleidson integre a "organização criminosa armada que conta com a participação de adolescentes".
Os promotores de Justiça de Combate às Organizações Criminosas destacam que o acusado recebia instruções via celular para cometer crimes e assim "torna-se necessária a realização da extração dos dados telefônicos, informáticos e telemáticos existentes".
"O autuado, integrante do Comando Vermelho, ao anuir e promover a extorsão de comerciantes de água em Sobral está contribuindo ativamente para a perturbação da ordem pública. Caso não haja uma atuação estatal firme para coibir tais condutas, outros ramos comerciais também serão atingidos, o que trará, ainda mais, insegurança e desordem."
ORDENS VIA GRUPO DE WHATSAPP
As ameaças e extorsões sofridas nas últimas semanas por comerciantes de água mineral em Sobral, Interior do Ceará, eram temas principais de um grupo de WhatsApp formado por membros do CV.
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A reportagem do Diário do Nordeste teve acesso a documentos indicando que as ordens para os crimes partiram de lideranças da facção escondidas no Rio de Janeiro.
foram presos por suspeita de tentar intervir no comércio de água mineral na cidade.
A reportagem apurou que José é um dos investigados que estava no grupo nomeado como 'Futebol PSI PS2 ADB PDF RCT', com siglas que fazem referências a áreas da cidade de Sobral dominadas pela facção carioca.
Ele e outros suspeitos estariam ameaçando os comerciantes a mando de lideranças identificadas até o momento como 'Wilker', apelidado de 'Big Smurf'; e Sérgio, o 'Meinha'.
CAMINHÕES INTERCEPTADOS
O grupo de WhatsApp era usado para "passar informações de quais águas poderiam vender ou não, a mando da facção" e por ele os criminosos combinavam de "'brecar' os caminhões de água que entravam no bairro e que não poderiam vender".
A ordem repassada aos comércios era que pagassem uma taxa em troca da autorização para fornecer água à população.
Conforme trechos de documentos, "José Gleydson, por meio do terminal telefônico demonstra monitorar caminhões que transportam água mineral, bem como relata a movimentação de viaturas policiais". Um inquérito foi instaurado pelo Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) para apurar o caso.
"É de conhecimento público que o país enfrenta uma tentativa de organizações criminosas intervirem nas atividades e serviços comerciais, tais como provedores de internet, copiando, inclusive, o modo de agir da milícia do Rio de Janeiro. Diante aos procedimentos que já foram remetidos ao Judiciário nos últimos dias com relação às extorsões praticadas pelo Comando Vermelho, é inegável a tentativa de tal facção em intervir na venda de garrafões de água, na cidade de Sobral", segundo a Polícia.
O caminhão de uma empresa investigada por envolvimento com a facção foi apreendido e diversos galões de água apreendidos.