Quer se exercitar em 2026? Saiba como começar sem sobrecarregar o coração

Abandonar o sedentarismo é uma meta comum de Ano Novo, então veja como começar com segurança.

Escrito por
Carol Melo carolina.melo@svm.com.br
Legenda: Alternar entre atividades leves e intensas, como yoga e musculação, é o ideal e ainda protege o coração.
Foto: Thanumporn Thongkongkaew/Shutterstock.

Se iniciar ou voltar a praticar exercícios físicos é uma meta de Ano Novo comum, então esta segunda-feira (5), a primeira de 2026, seria a data ideal para abandonar o sedentarismo. Porém, alguns cuidados são necessários para proteger a saúde e não sobrecarregar o corpo. 

Se exercitar regularmente fortalece o coração, melhora a circulação, ajuda a controlar pressão arterial e colesterol, além de reduzir risco de infarto e de arritmias, conforme explica a cardiologista Fernanda Weiler, do hospital Sírio Libanês de Brasília. 

No entanto, quem está parado por longos períodos pode cometer alguns erros e, consequentemente, elevar o risco para lesões ou sobrecarregar órgãos, em especial o coração, como alerta a médica.
 

A seguir, a coluna dá dicas de como praticar exercícios em segurança e transformar a meta de Ano Novo em um hábito na rotina de 2026. 

O que saber antes de começar

Se você apresenta algum sintoma, mal-estar ou histórico relacionados a cardiopatias, hipertensão, diabetes ou fatores de risco, o primeiro passo é fazer uma avaliação médica antes de iniciar a prática. 

É nessa etapa que um profissional especializado pode identificar condições de saúde que exigem cuidados específicos durante o exercício físico, como doenças vasculares, articulares, entre outras.

Em seguida, o ideal é buscar um profissional de educação física para elaborar um plano de exercício personalizado, conforme detalha o personal trainer Rômulo Veras, 2º vice-presidente do Conselho Regional de Educação Física da 5ª Região (CREF5).

Comece leve e evolua gradualmente

De início, não faça treinos intensos e sem dias para descanso. Segundo Veras, exercícios extenuantes, com cargas pesadas e de longa duração são um erro comum de sedentários. 

O ideal é praticar, no mínimo, 30 minutos por dia, cinco vezes por semana, e ir aumento a intensidade e a frequência ao longo das semanas. 

Prefira exercícios prazerosos 

Dê preferência por modalidades mais leves, como caminhadas, pedaladas ou aulas de alongamento, e que proporcionam prazer. "Exercícios que você gosta aumentam a adesão e tornam a prática mais sustentável ao longo do tempo", explica Weiler. 

Outra dica é escolher exercícios que combinem alongamento, flexibilidade, resistência, treinamento de força e condicionamento aeróbio, como pilates, yoga dinâmico, ginástica funcional, artes marciais e outros, destaca o personal.

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Intercale treinos e proteja o coração 

Ao longo da semana, o recomendado é variar os tipos de exercícios, alternando entre treinos intensos e leves, como, por exemplo, combinar musculação e yoga.

"Intercalar dias de treino mais intenso com dias de atividades leves ou descanso é essencial para evitar sobrecarga cardiovascular", detalha a médica. 

Monitore os batimentos cardíacos

Outra dica para proteger o coração é monitorar os batimentos durante a prática de exercícios com a ajuda de sensores disponíveis em aparelhos de academia ou em relógios inteligentes, conhecidos como smartwatches. 

A cardiologista Fernanda Weiler explica que iniciantes não devem ultrapassar a frequência cardíaca segura.

Para descobrir a frequência cardíaca segura, a especialista ensina que basta subtrair o número da sua idade de 220. Por exemplo, uma pessoa de 40 anos teria uma frequência cardíaca máxima estimada em 180 batimentos por minuto (220 – 40 = 180). 

O recomendado é que os batimentos se mantenham entre 60% e 70% desse valor, ou seja, para o indivíduo de 40 anos o ideal é aproximadamente entre 108 e 126 bpm, garantindo, assim, um exercício seguro e eficaz para o coração.     

Sintomas de alerta

Palpitações, falta de ar, tontura ou dor no peito são sinais de atenção. Caso sinta alguns desses sintomas, Weiler orienta interromper o exercício imediatamente e procurar atendimento médico

Como manter a motivação e não desistir

Transformar um novo hábito em rotina é algo que leva tempo, especificamente de 66 a 154 dias em média, segundo estudos científicos. Então, tenha paciência e persista.

Anteriormente à coluna, a psicóloga clínica Alana Ricarte, especialista em Terapia Cognitivo Comportamental (TCC), deu algumas dicas que ajudam a manter a motivação e cumprir metas. São elas:

  • Priorize a frequência: quanto mais vezes você repete uma atividade, maiores são as chances de ela entrar na sua rotina.
  • Escolha bem o horário: sempre que possível, tente praticar pela manhã, já que esse período costuma favorecer a criação de hábitos.
  • Comece pelo simples: hábitos mais fáceis, repetitivos e com recompensas rápidas tendem a se consolidar mais rápido.
  • Cuide do contexto: ambientes organizados, rotinas estáveis e apoio social ajudam a manter a consistência.
  • Respeite sua motivação: atividades que você escolhe fazer, e não aquelas impostas, têm muito mais chance de virar hábito.
  • Use gatilhos a seu favor: lembretes visuais e sinais no ambiente facilitam a ação, enquanto obstáculos podem desmotivar.
  • Valorize as recompensas: perceba o bem-estar, a satisfação e até o orgulho gerados pela constância, mesmo quando os resultados demoram.
  • Tenha paciência consigo: evite cobranças excessivas; pequenos passos consistentes costumam funcionar melhor do que mudanças radicais.

Faltou um dia ou ficou doente? Não desanime

Não conseguiu se exercitar por um tempo? Tudo bem, você não voltou a estaca zero. Segundo Alana, o cérebro consegue retomar o hábito com facilidade, desde que o ambiente e os gatilhos estejam alinhados e favoráveis e a intenção de mudar permaneça.  

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