Baleada na frente do filho, mulher tinha medida contra ex que matou ex-líder de torcida
Tentativa de feminicídio ocorreu nessa terça-feira (17), no bairro Quintino Cunha, em Fortaleza.
A mulher que sobreviveu a um ataque a tiros na tarde dessa terça-feira (17), no bairro Quintino Cunha, em Fortaleza, era ameaçada há pelo menos quatro meses pelo ex-marido, Flakitoneo Escórcio da Silva, e tinha uma medida protetiva contra ele.
O ex-casal tem dois filhos e passou pouco mais de uma década junto. O crime foi cometido na frente de um dos filhos.
Na tentativa de matar a mulher, Flakitoneo atirou contra o namorado dela, Fabrício Costa, que não resistiu aos ferimentos e morreu.
Perseguição
Em depoimento à Polícia, a vítima relatou que passou os últimos três anos tentando se separar de Flakitoneo, que a "agredia com palavras, bebia muito e saía do controle", segundo os autos obtidos pela reportagem.
Ela contou que não tinha coragem de denunciá-lo por medo de retaliação.
O irmão e a mãe dela confirmaram o comportamento do agressor às autoridades e acrescentaram que ele monitorava os passos da mulher, inclusive, se utilizando dos filhos para saber detalhes sobre a vida da mãe e sobre o relacionamento dela com Fabrício.
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Suspeito não aceitava o término
Segundo a vítima informou à Polícia, o ex-marido não aceitava o término. Tanto que, três meses após a separação, ele começou a ameaçá-la de morte e, um dia, agarrou seu braço com força — o que a motivou a solicitar a medida protetiva.
Ainda conforme o depoimento, revoltado com a determinação judicial, ele teria soltado fogos em frente à casa da ex, tomado o celular dela e compartilhado com a família da vítima conversas que ela tinha com outras pessoas.
Questionada sobre a violência presenciada pelas crianças, ela disse que aconteceu várias vezes. Que, certa vez, ele chegou bêbado e armado em casa, alcoolizado, e ficou a ameaçando na presença dos filhos.
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Prisão convertida em preventiva
Flakitoneo fugiu da cena do crime, mas foi preso pouco tempo depois em uma pousada no Cumbuco, na Região Metropolitana de Fortaleza. Ele chegou a mentir o próprio nome para os policiais no momento da captura.
Nesta quarta-feira (18), ele teve sua prisão em flagrante convertida em preventiva. Ele responderá por homicídio, tentativa de feminicídio, falsa identidade e por submeter criança em sua guarda a constrangimento.
'Sangue subiu para a cabeça'
Na versão do agressor, que trabalha como motorista de aplicativo, ele atirou contra a ex e Fabrício ao vê-la com um novo namorado e o "sangue subir para a cabeça".
Disse ainda que só estava armado naquele momento por medo de um primo dela, que supostamente teria relação com facção criminosa.
Além disso, Flakitoneo alegou que sempre foi um bom pai e que se arrepende de ter atirado contra a ex. "Estava cego de raiva", disse à Polícia, conforme os autos.