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Viagens, silêncios e pedidos de orações: como a oposição no Ceará reagiu à prisão de Bolsonaro

Ex-presidente está preso preventivamente desde o último sábado (22).

Escrito por
Marcos Moreira marcos.moreira@svm.com.br
Fotos mostram ações da oposição do Ceará em apoio ao presidente Jair Bolsonaro, preso no último sábado (22).
Legenda: Ações da oposição do Ceará em apoio a Bolsonaro incluíram orações, eventos e gritos de ordem em frente à Polícia Federal.
Foto: Reprodução/Redes sociais.

A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) movimentou a oposição no Ceará no fim de semana. Políticos ligados ao líder da direita utilizaram as redes sociais para divulgar ações em repúdio, com viagens a Brasília, participação em vigília, pedidos de oração e gritos na frente da sede da Polícia Federal, mas houve até mesmo silêncio de aliados estaduais. 

Na manhã do sábado (22), horas depois da prisão do político, parte da sigla bolsonarista se reuniu no encontro do PL Mulher Nacional no Ceará, realizado em Caucaia, com Michele Bolsonaro como principal convidada. No entanto, a ex-primeira dama cancelou a participação para retornar a Brasília. 

O evento foi comandado pela vice-presidente do PL Mulher, a vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL), que tenta emplacar o nome internamente para a disputa ao Senado. O deputado estadual David Vasconcelos (PL) e a vereadora da Capital Bella Carmelo (PL) foram outros nomes que participaram.

Devido à prisão, o encontro em Caucaia mudou o foco para manifestações em apoio a Bolsonaro, com pedidos de oração e falas contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). “O Sistema sempre tentou calar (e até matar) Jair Bolsonaro, mas o que acabou de conseguir foi despertar Leoas e Leões - mulheres e homens de bem - que vão desmantelar o império das “hienas do mal”, escreveu Priscila, em postagem do evento nas redes sociais. 

Por sua vez, o deputado estadual licenciado Carmelo Neto (PL) cancelou uma agenda do partido em Mato Grosso para prestar apoio a Bolsonaro em Brasília, onde foi até a frente da Superintendência da Polícia Federal — local onde o político está preso — para proferir gritos de ordem, como “O Brasil está contigo!”.  O cearense também participou da vigília pró-Bolsonaro na noite do sábado, sob o comando do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente. 

Outro que participou da vigília na capital federal foi o deputado federal cearense Dr. Jaziel (PL), que postou um vídeo no qual profere a oração do “Pai Nosso” ao lado de Flávio e outros apoiadores de Bolsonaro. Antes, o parlamentar publicou um vídeo junto da esposa, a deputada estadual Dra. Silvana (PL).

“Bolsonaro não é apenas um homem. Bolsonaro é uma ideia que vive no coração de milhões de brasileiros. E nenhuma prisão consegue silenciar um movimento que já despertou”, declarou o casal de deputados. 

Bolsonaro também recebeu apoio do presidente do PL Ceará, o deputado federal André Fernandes. “Jair Bolsonaro é um preso político, está sendo perseguido por um sistema. E nós, presidente Bolsonaro, nós não vamos te abandonar”, declarou o parlamentar, em vídeo publicado nas redes sociais. As palavras foram endossadas pelo pai dele, o deputado estadual licenciado Alcides Fernandes (PL), que é pré-candidato ao Senado. 

ENTRE SILÊNCIOS E APOIOS

Ao mesmo tempo, não houve manifestações em relação a Bolsonaro dos membros do PDT que compõem a oposição da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece): Queiroz Filho (PDT), Cláudio Pinho (PDT), Lucinildo Frota (PDT) e Antônio Henrique (PDT). Os dois últimos devem, inclusive, migrar para o PL na janela partidária de março do próximo ano.

Outros dois nomes da oposição que não se manifestaram compõem a bancada do União Brasil na Alece. Foram eles: os deputados estaduais Felipe Mota (União) e Heitor Férrer (União).

Nos bastidores, conversas internas dão conta que parte da oposição tenta se descolar do bolsonarismo a nível nacional, embora mantenha alianças no campo estadual para tentar barrar a reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). 

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O silêncio acerca da prisão do ex-presidente também segue em sintonia com outras lideranças do grupo, como Ciro Gomes (PSDB) e Roberto Cláudio (União). Ambos não se manifestaram sobre o assunto nas redes sociais, embora tenham reforçado a relação com André Fernandes (PL) e outros nomes bolsonaristas.   

Por outro lado, alguns nomes do União Brasil se manifestaram pró-Bolsonaro, por meio de postagens nas redes sociais, como o presidente estadual do partido, o ex-deputado federal Capitão Wagner, e o deputado estadual Sargento Reginauro (União). 

PRISÃO MANTIDA

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter a prisão preventiva de Bolsonaro nesta segunda-feira (24), em julgamento no plenário virtual. O ministro Alexandre de Moraes apresentou voto favorável à manutenção da detenção, sendo seguido por Flávio Dino e Cristiano Zanin. Ainda falta o voto de Cármen Lúcia. 

Mesmo assim, o placar já chancela a decisão individual de Moraes, que reverteu a prisão domiciliar de Bolsonaro em preventiva, no último sábado (22), após investigadores identificarem indícios de fuga, após o político violar a tornozeleira eletrônica que usava.

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Jair Bolsonaro alegou ter danificado a tornozeleira eletrônica por conta de uma “certa paranoia” motivada pela ingestão de medicamentos. A declaração foi dada durante a audiência de custódia no domingo (23), quando ficou definida a manutenção da prisão preventiva dele.

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