Legislativo Judiciário Executivo

TSE marca julgamento que pode homologar federação União-Progressistas; entenda

Com pedido de cancelamento em Pernambuco e disputa por alinhamento no Ceará, aliança enfrenta pressão interna antes mesmo de ser oficializada.

Escrito por
Beatriz Matos, de Brasília producaodiario@svm.com.br
Fotografia do Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília. Em destaque, a mesa diretora ao fundo com parlamentares sentados e um cronômetro digital marcando 00:00. No centro do salão, deputados e assessores circulam entre as bancadas de madeira. À esquerda, vê-se a bandeira do Brasil. A iluminação é clara e o ambiente sugere uma sessão legislativa em andamento.
Legenda: Se confirmada pelo TSE, a federação poderá fazer do grupo uma das maiores forças na bancada da Câmara dos Deputados.
Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

A poucos dias de ter a validade analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, já enfrenta um cenário de desgaste interno e disputas políticas que colocam em dúvida a sustentação da “superfederação”.

O TSE marcou para o dia 26 de março, às 10h, em sessão presencial, o julgamento do processo que pode oficializar a federação. No entanto, a análise ocorre em um momento de pressão dentro das siglas, com conflitos regionais e divergências sobre alianças e apoios que miram as eleições de 2026.

Recentemente, o deputado federal Mendonça Filho (União-PE) pediu o cancelamento da federação ao presidente nacional do partido, Antônio Rueda (União). No ofício, o parlamentar afirma que o arranjo “já agoniza” diante de entraves políticos nos estados e alerta para impactos diretos na organização eleitoral.

Segundo ele, a indefinição compromete a formação de chapas competitivas e ameaça a estabilidade partidária. Mendonça também defende que a Executiva Nacional avalie com urgência a manutenção da federação, especialmente diante da proximidade da janela partidária e das convenções.

Racha regional

O movimento em Pernambuco expõe a dificuldade de alinhamento regional da federação. Aliado da governadora Raquel Lyra (PSD), Mendonça defende que a federação apoie a reeleição da gestora em Pernambuco. 

O impasse surge porque não há consenso interno sobre esse alinhamento, o que, na avaliação do deputado, gera insegurança política e trava a organização eleitoral no estado.
No Ceará, também não é diferente. Ainda não há definição sobre qual lado a federação deve seguir: governo ou oposição.

De um lado, parlamentares alinhados ao governo Lula, como AJ Albuquerque (PP), Moses Rodrigues (União) e Fernanda Pessoa (União), defendem a manutenção do apoio à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). Do outro, a oposição articula o fortalecimento de um palanque alternativo, com apoio direto ao ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do Estado.

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Nos bastidores, lideranças locais têm intensificado reuniões com o presidente nacional do União, Rueda, em busca de uma definição e de cravar de vez o apoio. A avaliação de parte dos interlocutores é de que o desenho nacional da sigla é mais distante do PT e pode pesar na decisão final.

Ainda assim, há tentativa de costura política para evitar rupturas: um dos cenários discutidos prevê a liberação de apoios divergentes nos estados, permitindo que parlamentares permaneçam na federação mesmo em palanques opostos.

Pressão e bastidores

A crise interna também é influenciada por outros fatores que extrapolam o debate de apoio eleitoral. Parlamentares ouvidos pela reportagem apontam desconforto crescente dentro do União Brasil diante da exposição do partido em meio às investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

A avaliação, nos bastidores, é de que uma eventual delação pode atingir nomes relevantes da sigla, incluindo lideranças da própria federação. Esse cenário tem levado alguns partidários a considerar a possibilidade de deixar a sigla para evitar desgaste.

No Ceará, o presidente estadual do União Brasil, Capitão Wagner, avaliou que o pedido de cancelamento apresentado por Mendonça Filho não tem força e nem viabilidade jurídica. Segundo ele, a discordância da sigla em Pernambuco em relação à federação não é de agora.

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