‘Meu juízo diz pra eu não ser candidato, mas meu coração está balançado’, diz Ciro sobre Governo do CE
Político afirmou que decisão depende de articulação e apelo popular.
O ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), disse que vive uma "briga" interna entre a razão e a emoção para definir se será ou não candidato ao Governo do Ceará. A declaração ocorreu durante o 1º Encontro Regional da Oposição, em Juazeiro do Norte, na tarde deste sábado (7). Ciro revelou ainda que, embora seu "juízo" aponte para a não candidatura, seu "coração" já se encontra "todo balançado" para disputar novamente um cargo eletivo.
“É o começo de uma caminhada que, no fim, vai dar uma decisão se eu sou candidato ou não. Mas antes eu tenho que conversar, e a conversa é aqui dentro, porque tem uma briga: meu juízo dizendo pra eu não ser candidato e meu coração já todo balançado para eu ser candidato”, disse Ciro Gomes durante o encontro entre apoiadores, que ocorreu após evento em que recebeu a Comenda do Mérito Legislativo da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte.
Aos 68 anos, o líder político brincou sobre a possibilidade de um dia finalmente "adquirir juízo", mas ressaltou que sua natureza indignada o impede de se manter indiferente aos problemas da política.
Ciro afirmou que se encontra oficialmente na "fase de pegar corda", que ele define como a busca por estímulos e diálogos com a população para decidir seu futuro.
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Ele relembrou as mágoas do pleito de 2022, quando chegou a considerar o encerramento de sua trajetória pública devido a sentimentos de "traição e ingratidão". No entanto, o ex-governador destacou que a decisão final sobre essa disputa interna não cabe apenas a ele, afirmando que são os eleitores quem devem "resolver essa briga".
O interesse em retornar à disputa é impulsionado pelo que Ciro classifica como um clamor popular pelo enfrentamento da insegurança e das facções criminosas no Ceará. Ciro condicionou sua possível candidatura ao entendimento do que a sociedade espera de um movimento de mudança.
Questionado pela imprensa já na chegada ao evento, Ciro evitou cravar que será o candidato e ressaltou que, no momento, está focado em articular um movimento de oposição à gestão do governador Elmano de Freitas (PT).
“O que estou com entusiasmo é construir um movimento de libertação do Ceará. Qualquer chapa que quiser representar bem o Ceará vai ter que ouvir as lideranças do Cariri”, disse ele, destacando o papel do prefeito Glêdson Bezerra (Podemos), que hoje administra Juazeiro do Norte.
Já na tribuna, Ciro Gomes resgatou a história de Juazeiro do Norte como um símbolo de resistência liderada pelo Padre Cícero, que desafiou as “estruturas oligárquicas e opressoras” da época para transformar uma vila modesta em uma potência regional.
Ele fez um paralelo com a atualidade ao afirmar que, tal como no passado, o Ceará e o Brasil enfrentam ameaças institucionais e abusos de poder. “Lá, como hoje, a ronda da prepotência, da corrupção, da perseguição, da oligarquia, mais uma vez está presente no Brasil e de forma muito grave no Ceará”, disse.
Comenda especial
A Comenda foi uma proposição do vereador Jullian de Cielo (PSB) e reforçada pelo presidente da Câmara local, Felipe Vasques (Agir), aliados de Ciro na região do Cariri – assim como o próprio prefeito Glêdson Bezerra.
Nos bastidores, a homenagem é tida como uma articulação para dar visibilidade ao ex-ministro, que ainda não oficializou a pré-candidatura ao Governo do Estado, mas vem movimentando reuniões da oposição em diferentes áreas do Ceará.
Além do prefeito e do presidente da Câmara, a mesa da solenidade teve presença do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Claudio; do presidente do União Brasil no Ceará, Capitão Wagner; e do deputado estadual Alcides Fernandes, representando o Partido Liberal (PL), também aliados de Ciro.
Outros parlamentares presentes foram os deputados federais Danilo Forte e Dayany Bittencourt, ambos do União Brasil; e os deputados estaduais Felipe Mota (União), Sargento Reginauro (União), Cláudio Pinho (PDT), Antônio Henrique (PDT), Queiroz Filho (PDT), Lucinildo Frota (PDT), Emília Pessoa (PSDB) e Pedro Matos (Avante). O ex-prefeito de Fortaleza, José Sarto (PDT), também esteve na solenidade.