Jair Bolsonaro diz que CPI da Covid só trouxe "ódio e rancor"

No Ceará, presidente avaliou que a investigação no Senado não trouxe resultados positivos para a crise sanitária

No mesmo dia em que teve o nome sugerido na lista dos 66 indiciados no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou a investigação no Senado sobre a condução do governo federal na pandemia do coronavírus. O chefe do Executivo afirmou que a CPI provocou "ódio e o rancor" e não trouxe desfechos positivos.

A declaração de Bolsonaro ocorreu na manhã desta quarta-feira (20), em Russas, no Ceará, durante o lançamento do programa Jornada das Águas, um pacote de obras hídricas com investimentos de R$ 600 milhões. 

"Como seria bom se aquela CPI tivesse fazendo algo de produtivo para o nosso Brasil. Tomaram o tempo de nosso ministro da Saúde, de servidores, de pessoas humildes e de empresários, nada produziram a não ser o ódio e o rancor entre alguns de nós. Mas, nós sabemos que não temos culpa de absolutamente nada, sabemos que fizemos a coisa certa desde o primeiro momento". 

Enquanto discursava sobre o assunto, apoiadores políticos presentes na solenidade gritaram ofensas contra o relator da CPI, Renan Calheiros, o chamando de "vagabundo". Bolsonaro fez uma pausa e respondeu: "A voz do povo é a voz de Deus". 

'Fazendo a coisa certa'

Bolsonaro fez uma autoavaliação das políticas públicas direcionadas ao enfrentamento da crise sanitária e disse "ter certeza de estar fazendo a coisa certa", apesar dos crimes de homicídio e genocídio pelos quais ele é apontado na CPI da Covid. 

"Sabemos que não temos culpa de absolutamente nada. Sabemos que fizemos a coisa certa desde o primeiro momento", afirmou. 

O presidente voltou a citar o "Kit Covid", sem eficácia científica contra a doença pandêmica, mas defendido por ele como tratamento precoce. Ele lembrou que quando não havia solução para conter os sintomas da Covid-19, antes mesmo da produção da vacina, teve "coragem" de indicar uma "possível solução" através do uso de ivermectina e hidroxicloroquina a critério de cada médico. 

"Dizer a vocês que no momento que ninguém sabia como tratar aquela doença, eu tive a coragem de me apresentar depois de ter ouvido muito gente, em especial médicos, me apresentar para um possível solução calcada na autonomia do médico brasileiro. Muitos se salvaram em função disso". 

O mandatário chegou a questionar ao público quem havia utilizado o "Kit Covid" e criticou a orientação do então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, de o paciente procurar uma unidade de saúde apenas no agravamento dos sintomas, sendo que, segundo Bolsonaro, havia opção medicamentosa para evitar o quadro. 

"Alguns achavam, como o meu ex-ministro Mandetta, que vocês deveriam ir para casa e. quando sentissem falta de ar, procurassem um hospital. Procurar o hospital para que, se já está quase morrendo? Temos que buscar alternativa", declarou. 

Antivacina

Bolsonaro apontou que o Governo Federal investiu R$ 20 milhões com aquisição de vacinas anticovid, mas ressaltou que o acesso às doses deve ser feito por livre escolha da população. Ele também disse ser contrário ao passaporte de vacinação, documento exigido por alguns estados para entrada em estabelecimentos comerciais ou eventos sociais. 

"Não concordamos com a obrigatoriedade da mesma, assim como não concordamos com o passaporte vacinal. A liberdade é em toda sua extensão, é o bem sagrado maior que a nossa própria vida". 

Comitiva presidencial

O presidente esteve acompanhado de deputados estaduais, federais e vereadores, mas, diferentemente da última visita ao Ceará, Bolsonaro não contou com a presença da secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro. Esta foi indiciada na CPI da Covid por epidemia com resultado em morte, prevaricação e crime contra a humanidade. 

Em nota ao programa PontoPoder, da TV Diário, a defesa de Mayra afirma que as acusações na CPI da Covid não procedem, que ela aguarda "tranquila" e vai provar que as acusações são "injustas".