Jade Romero anuncia saída do MDB para se filiar a partido da federação União Progressista
A vice-governadora divulgou decisão em vídeo nas redes socias, mas não revelou a sigla.
A vice-governadora do Ceará, Jade Romero, tornou pública, na manhã desta sexta-feira (20), a decisão de se desfiliar do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Em vídeo publicado nas redes sociais, ela anunciou que deve integrar a federação União Progressista, ainda em fase de oficialização na Justiça Eleitoral, mas não especificou se a filiação será ao União Brasil ou ao Progressistas.
"Estou chegando nesse time para somar com o deputado Moses Rodrigues (União), Fernanda Pessoa (União), AJ Albuquerque (PP), Zezinho Albuquerque (PP) e tantas outras lideranças", disse ela, citando nomes de ambas agremiações.
Desde o ano passado, quando foi anunciada a federação, há uma queda de braço entre base e oposição no Ceará para definir de qual lado o grupo vai ficar. Além disso, a homologação da União Progressista deve ocorrer apenas no dia 26 de março.
Segundo a vice-governadora, "essa decisão fortalece ainda mais o projeto" encabeçado pelo governador Elmano de Freitas (PT) e que conta também com figuras a exemplo do senador Cid Gomes (PSB), o ministro da Educação Camilo Santana (PT) e a ex-governadora Izolda Cela (PSB).
"Tenho certeza, esse novo ciclo seguirá sendo de muito trabalho, muita dedicação e união pelo nosso Estado", completou Jade no vídeo.
Ao que apontava o Sistema de Filiação Partidária (Filia), mantido pela Justiça Eleitoral, durante a manhã desta sexta-feira, Jade ainda consta como filiada ao MDB, legenda em que atua desde 2012.
A reportagem do PontoPoder acionou as direções partidárias do Progressistas e do União Brasil, a fim de obter detalhes acerca do assunto. Não houve retorno até a última atualização deste texto.
Mais um capítulo para a federação
A chegada de Jade Romero à federação representa um fato novo na disputa por alinhamento da aliança ao grupo governista. No cenário local, o Progressistas integra a base do Governo Elmano, enquanto o União Brasil abriga uma dos principais agrupamentos da oposição.
Atualmente, a ala oposicionista do União Brasil, liderada pelo ex-deputado federal e presidente estadual da sigla, Capitão Wagner, se mostra contrária à adesão da federação ao Governo do Estado, como defende o grupo representado pelo deputado federal Moses Rodrigues e pela deputada federal Fernanda Pessoa.
Pessoa, aliás, é vice-presidente estadual do União Brasil, e indicou ao PontoPoder que Jade Romero deve anunciar sua filiação à agremiação partidária que ela integra a direção.
A informação, no entanto, não foi confirmada pela assessoria de Jade Romero, que se deteve a dizer que o destino da vice-governadora será "divulgado nos próximos dias, junto com o ato de filiação".
O impasse da federação no Ceará se arrasta há meses, mas deve ter desfecho nos próximos dias. O presidente nacional do União Brasil e futuro dirigente da federação, Antônio Rueda, já sinalizou que anunciará em breve quem ficará à frente da estrutura no Estado.
Nesta quinta-feira (19), o governador Elmano se reuniu com dirigentes e parlamentares do Progressistas e do União Brasil. Fernanda Pessoa e Moses Rodrigues marcaram presença no encontro.
Além deles, estiveram o deputado federal e presidente do PP no Ceará, AJ Albuquerque, e o deputado estadual e secretário Zezinho Albuquerque. O secretário da Casa Civil, Chagas Vieira, também participou da conversa.
Contornos nacionais
A União Progressista é vista como peça estratégica tanto para a base quanto para a oposição, por reunir duas das maiores estruturas partidárias do país, com forte presença no Congresso Nacional, acesso relevante ao fundo eleitoral e ampla capilaridade nos municípios.
No Ceará, o controle da federação tende a influenciar diretamente a montagem da chapa majoritária para as eleições de 2026.
No plano nacional, a validade da federação ainda será analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Uma sessão presencial para julgar o tema foi marcada pela Corte e deve ocorrer na próxima quinta-feira (26), a partir das 10h.
A análise da Justiça Eleitoral ocorre em um momento de pressão dentro das siglas, com conflitos que extrapolam o Ceará e divergências sobre alianças e apoios que miram as eleições de 2026.
Em Pernambuco, por exemplo, um movimento do deputado federal Mendonça Filho, que oficiou o presidente nacional do União, Antônio Rueda, busca o cancelamento da aliança, sob argumentos de que o arranjo "já agoniza" diante de entraves políticos nos estados