Eduardo Girão diz que direita no Ceará quer unir 'água e óleo': 'Vale tudo para derrotar o PT?'
No fim do ano passado, o político recebeu apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que defendeu o nome de Girão para o Governo do Estado.
O senador Eduardo Girão (Novo) fez críticas diretas a articulações de alas da direita cearense que envolvem a aproximação com ex-integrantes de campos políticos adversários. Sem citar nomes no discurso, o parlamentar questionou movimentos que buscam unir setores conservadores a ex-governistas, como Roberto Cláudio (União) e Ciro Gomes (PSDB).
Girão afirmou que sua pré-candidatura é a única que, segundo ele, representa de forma coerente os valores da direita e do conservadorismo no Estado. As declarações ocorreram nesta sexta-feira (30), em Juazeiro do Norte, durante o lançamento de sua pré-candidatura ao Governo do Ceará.
“Nós representamos hoje a única pré-candidatura com os valores da direita, os valores conservadores, defesa da vida, da família, da ética, da liberdade. Essa é a nossa candidatura”, disse.
O senador se posicionou em firme oposição a alianças que, na avaliação dele, envolveriam setores da esquerda por conveniência eleitoral. “Não podemos voltar ao passado se aliando com gente de esquerda por um projeto de poder e jogando por água abaixo todo um trabalho que foi feito pelo Bolsonaro e por outras lideranças deste país”, disse.
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Bolsonaristas com Ciro ou com Girão?
As declarações ocorrem em meio a debates internos no campo bolsonarista sobre estratégias para a eleição de 2026 no Ceará. No fim do ano passado, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) fez críticas semelhantes sobre alianças amplas e, na sequência, defendeu publicamente o nome de Girão como candidato ao Governo do Estado.
À época, o posicionamento dela deflagrou uma crise, já que o deputado federal André Fernandes (PL) mantinha diálogo com Ciro Gomes sob aval de Bolsonaro. Em meio ao bate-cabeça, os filhos do ex-presidente saíram em defesa de Fernandes, contudo, Michelle se saiu melhor no embate naquele momento e conseguiu suspender as tratativas com o tucano.
Girão e a família Bolsonaro
Questionado sobre a disputa presidencial e sobre a possibilidade de apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Palácio do Planalto, Girão elogiou nomes do campo conservador que já se colocam na disputa presidencial, incluindo o filho mais velho do ex-presidente e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, pré-candidato à Presidência pelo Novo.
Na resposta, o senador voltou a criticar a tentativa de antecipar alianças no primeiro turno e a aproximação com adversários históricos do bolsonarismo.
“Eu não entendo essa ansiedade de alguns setores que se dizem de direita no Ceará de querer juntar água e óleo no primeiro turno para derrotar o PT. Para que existe o primeiro turno? Para colocar ideias, ver coerência, propostas. Isso é ótimo. Por que essa ansiedade? É para não dar tempo de pensar que não tem nada a ver uma coisa com a outra?”
Girão seguiu elevando o tom ao questionar o pragmatismo eleitoral. “Acho muito estranho alguém ficar chamando o outro de miliciano, de ladrão, de genocida, e ter gente que pensa, cogita apoiar para derrotar o PT. Vale tudo para derrotar o PT? E os princípios e valores, como ficam depois? Vai lotear secretarias para o cearense pagar a conta?”, declarou.
Eleições 2026
O evento pré-eleitoral de Girão contou com a presença do ex-secretário nacional de Segurança Pública, general Guilherme Theophilo, pré-candidato ao Senado pelo Novo, além de aliados de outras siglas, como o ex-senador Magno Malta (PL) e o senador Márcio Bittar (PL).
O senador adiantou que a segurança pública e a geração de emprego e renda serão eixos centrais de seu projeto político, caso avance na disputa estadual.