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Problemas na venda de terminal GNL e térmica

Conflito sobre a área de regaseificação entre a estatal e o governo do CE põe em risco o plano de negociação de ativos

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: O terminal de regaseificação de GNL conta com capacidade de transferir até 7 milhões de m³/dia de gás natural para o Gasfor

Fortaleza/Rio. A Petrobras enfrenta problemas para repassar à iniciativa privada o terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) instalado no Porto do Pecém e a usina termelétrica TermoCeará, segundo informação publicada pela agência de notícias Reuters.

A origem do imbróglio, de acordo com documento vazado, está em um conflito entre a estatal e o governo cearense sobre o uso da área do navio de regaseificação, o que comprometeria o fornecimento de GNL para a térmica e, consequentemente, poria em risco a venda dos dois ativos.

O repasse dos dois ativos da estatal, assim como a lista de alguns campos de exploração de petróleo localizados no Estado, foi anunciado no plano de desinvestimento da empresa recentemente - logo após o cancelamento da instalação da refinaria de petróleo (Premium II) no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), configurando o desmonte da infraestrutura da Petrobras no Ceará.

Os campos da Fazenda Belém de Aracati e Icapuí, ambos no Ceará, tiveram venda anunciada em março deste ano, enquanto os campos de Curimã, Espada, Atum e Xaréu, também no Estado, passaram a ter direitos de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural postos à venda em julho.

Desmobilização

O texto acessado pela Reuters cita ainda uma possível "desmobilização" da planta de Gás Natural Liquefeito (GNL). "Como o compartilhamento de duas atividades no mesmo terminal é inviável, a intenção da Seinfra-CE/Cearáportos pode resultar em desmobilização do terminal de GNL... Há um grande risco da UTE TermoCeará perder o suprimento de GNL", afirmou a Petrobras.

Contactada pela reportagem, a Seinfra enviou nota dizendo que "limita-se a afirmar que o governo do Ceará e a Petrobras estão em tratativas para analisar o GNL e a repercussão em outros projetos estratégicos do Estado". Já a assessoria de imprensa da estatal não retornou as respostas até o fim desta edição.

Problemas na térmica

Além do conflito com o governo cearense, a Agência Reuters publicou que a estatal tem enfrentado "inúmeros problemas" na operação da termelétrica que foi da MPX. O documento vazado aponta a origem dessa problemática para "vícios ocultos no projeto de turbinas", e fala em "danos catastróficos" em três dos equipamentos, o que teria obrigado a estatal a desembolsar R$ 273 milhões na compra de energia no mercado para compensar o que deixou de ser gerado na usina.

Possível inviabilidade

"As dificuldades estão sendo grandes", como afirma o texto acessado pela agência de notícias, o que podem levar a TermoCeará à "inviabilidade comercial". Para sanar os problemas, a Petrobras já investiu R$ 31,7 milhões entre 2010 e 2015em manutenção e substituição de equipamentos - provavelmente, sem solução até agora.

A térmica possui potência instalada de 220 megawatts - 3,5% do parque de geração da Petrobras - e foi comprada em 2005 pela estatal por US$ 137 milhões da empresa de energia do empresário Eike Batista, a MPX.

Ordem é acelerar

A ordem na Petrobras é acelerar as vendas de ativos anunciados. A estatal divulgou, na última sexta-feira, a venda de sua malha de gasodutos da região Sudeste para a canadense Brookfield pelo valor de US$ 5,19 bilhões. O repasse de 90% das ações da rede de gasodutos a Nova Transportadora do Sudeste (NTS) para o consórcio liderado pela Brookfield foi aprovado pelo Conselho de Administração da Petrobras.

A operação é a maior da negociação de ativos da estatal e representa 35% do programa de desinvestimento de US$ 15,1 bilhões para o período 2015/2016. Com esses US$ 5,19 bilhões, a companhia já atingiu US$ 9,8 bilhões dessa meta de venda de ativos. Esta semana, ao anunciar seu Plano de Negócios 2017/21, a petrolífera apresentou um novo plano de venda de ativos, agora de US$ 19,5 bilhões para 2017/2018.

A venda foi feita à Brookfield Infrastructure Partners (BIP) através de um Fundo de Investimento em Participações (FIP), cujos demais cotistas são o fundo de pensão British Columbia Investment Management e fundos soberanos de China e Cingapura. A primeira parcela de US$ 4,34 bilhões, correspondente a 84% do total, será paga no fechamento da operação, e os US$ 850 milhões restantes, em cinco anos. A petrolífera permanecerá como a principal cliente da NTS, que tem 2.500km de gasodutos.

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