Pérsio Arida: 'dá para gastar mais e dar condições mínimas de vida para as pessoas'

Para isso, de acordo com o ex-banqueiro central, o governo deveria agir para cortar gastos, incluindo os elevadíssimos salários públicos e despesas

Pérsio Arida
Legenda: "Dá para gastar mais e dar condições mínimas para as pessoas", afirmou
Foto: Agência Brasil

O ex-presidente do Banco Central (BC) e do BNDES Pérsio Arida defendeu, na noite desta quarta-feira (21), que é possível gastar mais para dar condições mínimas de vida para as pessoas menos favorecidas. Ele fez esta afirmação durante uma "live" organizada pela FEA-USP, ao discorrer sobre sua visão em relação ao programa Renda Cidadã.

Para isso, de acordo com o ex-banqueiro central, o governo deveria agir para cortar gastos, incluindo os elevadíssimos salários públicos e despesas. "Dá para gastar mais e dar condições mínimas para as pessoas", afirmou. O mesmo, segundo ele, vale para os investimentos em educação e saneamento. "Cortar gastos e investir em educação não é uma escolha econômica, mas moral", disse.

Hiperinflação
Ao ser instado a falar sobre sua participação na equipe econômica que criou o Plano Real e debelou a hiperinflação no País, Arida lembrou do paper que escreveu a quatro mãos com o economista André Lara Resende, o embrião do Plano Real chamada de "proposta Larida" de estabilização econômica.

"Eu e o André (Lara Resende) escrevemos o paper que ficou conhecido como a proposta Arida de anos antes. O documento repercutiu muito mal, não foi bem aceito pela academia", disse.

A proposta Arida tinha como fio condutor a indexação e contemplou o entendimento do impacto que o congelamento de preços teria no imaginário popular.

Mas de acordo com o ex-BC, à época, o Brasil tinha um líder que tinha um projeto para o País e com capacidade para galvanizar as ideias e as pessoas. Hoje, de acordo com Arida, não faltam boas ideias nem pessoas capacitadas, mas sim um líder para coordenar tudo isso.

"Temos boas ideias e pessoas capacitadas, mas infelizmente temos o Bolsonaro, que não tem visão de futuro", criticou.

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