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Perdas correspondem a 4% do PIB brasileiro

Além dos prejuízos ao trabalhador, afastamentos também têm impacto direto na economia do País

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: A não utilização de equipamentos de segurança e o exercício de atividades de modo informal estão entre os fatores que contribuem para elevar o número de acidentes de trabalho no País
Foto: FOTO: ENEAS DE TROYA

Além dos prejuízos físicos e financeiros causados ao trabalhador que adoece ou se acidenta no trabalho, o Estado e as empresas saem perdendo com os afastamentos. Segundo informou o procurador do Trabalho Luís Fabiano de Assis, no lançamento do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, estima-se que o País tenha perdas de R$ 264 bilhões, anualmente, com acidentes e doenças do trabalho, o que corresponde a 4% do Produto Interno Bruto (PIB), superando consideravelmente as despesas previdenciárias.

"O custo disso é muito elevado para todas as partes. O prejuízo dos afastamentos é terrível para as empresas", avalia presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Ceará (FCDL-CE), Freitas Cordeiro.

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"Mas muitas vezes se atribui a culpa apenas às empresas, quando o que ocorre é que em alguns casos o funcionário não usa os equipamentos adequados ou não faz os procedimentos corretamente. O desafio das empresas é esclarecer, convencer que é importante usar os equipamentos. Hoje temos que equipar, treinar e fiscalizar os funcionários, mas é preciso ter uma estrutura para fazer isso e nem todos têm".

Um dos fatores que acabam contribuindo para a ocorrência de acidentes são as atividades informais. No setor da construção civil, por exemplo, empresas informais acabam não seguindo todas as regras de segurança.

"As empresas informais não são obrigadas a oferecer cursos aos funcionários, equipamentos de proteção, e acabam provocando muitos acidentes, o que contribui para essas estatísticas. Enquanto nós somos muito fiscalizados", diz André Montenegro, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Ceará (Sinduscon-CE).

"É claro que nós temos que compartilhar responsabilidades e, além do problema da informalidade, muitas vezes falta uma consciência maior do próprio funcionário. Com acidente, todo mundo perde", afirma.

Diminuição

Com relação à expressiva queda no número de afastamento por doenças e acidentes do trabalho em 2017, comparando com o pico registrado em 2013, Montenegro diz que a redução se deve em parte à redução do número de empregados no setor, que acompanha o nível da atividade econômica. "Em 2012 e 2013 nós tínhamos 95 mil empregados na construção civil no Estado e hoje nós temos cerca de 55 mil", diz ele.

Entre as medidas voltadas para a prevenção de acidentes, Montenegro diz que a campanha "O acidente não compensa", realizada pelo Sinduscon em parceria com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), contribuiu para o aumento da conscientização dos trabalhadores do setor.

"Tivemos um resultado muito bom para as empresas formais de construção civil. Porque o acidente não compensa pra ninguém. As empresas têm prejuízo, o País tem prejuízo porque perde sua mão de obra e, principalmente, o operário tem prejuízo. Antes de ser um problema econômico, é um problema humano. A pessoa pode sair privada de sua saúde ou até mesmo ocorrer a morte", aponta. 

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