Candidato não paga sua conta. Planejamento, sim

Escrito por
Alberto Pompeu producaodiario@svm.com.br
Legenda: A boa notícia é que educação financeira sólida é, por definição, resistente ao ruído político.
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A cada quatro anos, o mesmo roteiro. Os candidatos começam a fazer promessas econômicas que movimentam mercados, aquecem debates nos bares e enchem redes sociais de análises apressadas. O dólar oscila. A bolsa sobe e cai.

E o trabalhador comum, que só quer saber se vai conseguir pagar as contas e guardar alguma coisa para o futuro, fica sem saber o que fazer com o dinheiro que juntou com tanto esforço.

2026 é ano de eleição presidencial no Brasil. E isso tem consequências diretas para a economia e, por extensão, para o bolso do trabalhador nordestino.

O próprio Boletim Focus do Banco Central, publicado nesta semana, cita as eleições como um dos principais fatores de volatilidade cambial ao longo do ano.

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O mercado financeiro projeta o dólar entre R$ 5,45 e R$ 5,50 no fim de 2026, mas reconhece que incertezas domésticas, especialmente o calendário eleitoral, podem gerar oscilações ao longo do caminho.

O que historicamente acontece em anos eleitorais

Estudos do Instituto Brasileiro de Economia da FGV mostram um padrão recorrente: anos eleitorais costumam trazer aumento de gastos públicos, maior pressão sobre a dívida, volatilidade no câmbio e dificuldade para o Banco Central calibrar a política monetária. Não é regra absoluta, mas é tendência documentada.

Para o trabalhador que está construindo seu patrimônio, isso significa uma coisa prática: o ambiente pode ficar mais turbulento nos próximos meses.

E turbulência, para quem não está preparado, costuma resultar em decisões financeiras ruins, como sacar investimentos no pior momento, paralisar aportes por medo ou migrar para aplicações inadequadas.

A âncora que protege em qualquer cenário

A boa notícia é que educação financeira sólida é, por definição, resistente ao ruído político. Quem tem reserva de emergência consolidada não precisa se desesperar com manchetes. Quem investe de forma diversificada e consistente não precisa torcer para nenhum candidato ganhar para ter rentabilidade no longo prazo.

Os princípios que protegem o patrimônio em 2026 são os mesmos de sempre: primeiro, eliminar dívidas de alto custo, especialmente o rotativo do cartão de crédito, que chega a cobrar mais de 400% ao ano.

Segundo, construir ou fortalecer a reserva de emergência no Tesouro Selic. Terceiro, investir o excedente em renda fixa atrelada à inflação para o longo prazo. Quarto, nunca tomar decisões financeiras com base no calendário político.

Uma ressalva importante: em períodos de muita volatilidade cambial, quem tem algum patrimônio acumulado pode considerar uma pequena parcela em ativos dolarizados, como fundos cambiais ou BDRs. Não para especular, mas para diversificar.

A diversificação é o que separa quem resiste das tempestades de quem é levado por elas.

A lição que o Nordeste conhece bem

O trabalhador nordestino já aprendeu, pela experiência e pela necessidade, a não depender de promessas.

Já viu muitas eleições passarem sem que o cotidiano mudasse muito. Já sabe que a conta do mercado não aceita desculpa política.

Essa sabedoria prática é, na verdade, o fundamento de uma boa educação financeira.

Não aposte no candidato. Aposte no seu próprio planejamento. Em qualquer cenário político, quem tem disciplina financeira sai na frente.

O ruído de 2026 vai ser grande. Mas a melhor resposta para ele não está nas urnas. Está no seu orçamento.

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.

 

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