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Exportação sobe 23%, mas balança do CE é deficitária

Vendas do Estado para o exterior somaram US$ 1,2 bilhão. Já as importações atingiram US$ 3,4 bilhões

Escrito por
Bruno Cabral - Repórter producaodiario@svm.com.br
Legenda: O principal item da pauta de exportações do Ceará em 2016 foram os produtos semimanufaturados de ferro e aço, com US$ 178,2 milhões
Foto: Foto: Francisco Viana

Apesar do aumento expressivo das exportações cearenses em 2016 (23,7%), a balança comercial do Estado registrou um déficit de US$ 2,1 bilhões no ano passado, o que representou um crescimento de 33,5% em relação ao déficit obtido em 2015. De janeiro a dezembro de 2016, as exportações somaram US$ 1,2 bilhão e as importações US$ 3,4 bilhões, volume 29,7% superior ao de 2015.

Do total das exportações de 2016, a maior parte foi de produtos industrializados (US$ 999,2 milhões); seguido pelos manufaturados (US$ 608,3 milhões); semimanufaturados (US$ 390,9 milhões); e produtos básicos (US$ 280,3 milhões). No ano marcado pelo início das operações da Companhia Siderúrgica do Ceará (CSP), os produtos semimanufaturados de ferro e aço, responderam pela maior parcela das exportações cearenses, com US$ 178,2 milhões.

Para o economista e consultor internacional Alcântara Macêdo, o resultado da balança reflete a queda das exportações de produtos tradicionais do Estado como calçados, têxteis, pescados e frutas, este em decorrência da seca. "Esses setores, que davam a cadência das nossas exportações, não corresponderam na mesma intensidade que vinha acontecendo nos anos anteriores. Mas isso vai mudar, o que vai dar o tom da balança comercial do Ceará nos próximos anos são as empresas da ZPE (Zona de Processamento de Exportações). A CSP é significativa, mas vão surgir muitas novas empresas, como as da área de granito".

Saldo negativo

Com relação ao déficit na balança, Macêdo diz que o resultado negativo é momentâneo e que a tendência é de que o Estado comece a ser superavitário à medida em que a CSP, que iniciou as operações em agosto passado, for aumentando sua produção e mais empresas começarem a operar na ZPE. "Essas importações são de equipamentos e insumos e não significa uma sangria de recursos do Ceará, são investimentos que, no futuro, vão se transformar em crescimento à medida em que essas empresas forem se operacionalizando, aí o Ceará deverá ter uma das melhores balanças do Nordeste".

Tendência

Segundo estudo realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), a expectativa para 2017 é de crescimento de 1% no PIB do Estado. Segundo Macêdo, caso as chuvas sejam acima da média, o crescimento deve ser ainda maior. "O peso da agricultura não tão grande, mas tivemos cinco anos de produção decrescente e se chover vamos ter um PIB um pouco maior do que 1%", diz.

Destinos

Em 2016, a maior parte das exportações do Ceará foi enviada para os Estados Unidos (US$ 301,6 milhões), seguido por Argentina (US$ 119,3 milhões) e Alemanha (US$ 91,2 milhões). Por outro lado, o país que mais enviou mercadorias para o Estado foi a Coréia do Sul (US$ 1,2 bilhão), seguido pela China.

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