Reforma valoriza imóvel e pode reduzir imposto: saiba como declarar no IR 2026
Entenda as características do que é aceito na hora de atualizar o valor do seu bem.
Neste período de entrega do Imposto de Renda 2026, que segue até 29 de maio, muitos contribuintes buscam formas legais de otimizar sua declaração. Uma estratégia eficiente, mas que exige atenção documental, é a inclusão de gastos com reformas e benfeitorias para aumentar o valor de aquisição de imóveis na ficha de "Bens e Direitos".
Segundo a contadora Luciana Coimbra, membra do Conselho Regional de Contabilidade do Ceará (CRC-CE), a Receita Federal permite que o valor do bem seja atualizado apenas em situações específicas de melhorias permanentes.
"O critério é se a obra modificou ou ampliou a estrutura do bem de forma duradoura, ela pode ser sim incorporada ao curso de aquisição", explica a especialista.
A principal vantagem aparece no momento da venda do imóvel. Como o imposto é cobrado sobre o ganho de capital (diferença entre o preço de venda e o custo de aquisição), quanto maior o valor declarado do bem, menor será o lucro tributável.
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O que pode ser declarado?
Não é qualquer gasto com o imóvel que pode ser somado ao valor dele como valorização. A linha entre manutenção e benfeitoria é clara para o Fisco.
Conforme Luciana, a Receita aceita itens que tragam valor permanente, como:
- Construção e ampliação (adicionar um cômodo ou um quarto);
- Reformas estruturais (troca de telhado, instalações elétricas ou hidráulicas completas);
- Obras externas, como construção de piscinas ou muros.
Por outro lado, gastos rotineiros não entram na conta.
"Pintura, conserto de vazamento, uma troca de uma torneira, uma manutenção de rotina, isso é conservação, não é benfeitoria", alerta a contadora.
A importância da documentação
Para que esses valores sejam aceitos, a comprovação é fundamental. O ideal é possuir notas fiscais em nome do proprietário, com CNPJ e descrição detalhada do serviço. Recibos de profissionais liberais (pessoa física) também são válidos, desde que tenham o CPF do prestador e assinatura.
Gastos com mão de obra informal, sem qualquer documento, representam um risco e podem ser negados pelo fisco.
"Guarde cada nota fiscal de obra como se fosse dinheiro", aconselha Luciana, destacando que essa organização pode representar uma economia de R$ 15 mil a R$ 30 mil em impostos, dependendo da valorização.
Esqueci de declarar a reforma nos anos anteriores. E agora?
Se a obra ocorreu em anos passados e não foi informada, o contribuinte deve utilizar a declaração retificadora. Esse recurso serve justamente para corrigir erros ou omissões de documentos já entregues.
Ao retificar, o contribuinte envia uma nova declaração que substitui integralmente a anterior, mantendo a consistência dos dados para pra a Receita. Vale lembrar que, para 2026, as retificações feitas dentro do prazo de entrega (até 29 de maio) permitem inclusive a troca do modelo de tributação.
Regras básicas e dicas para o IR 2026
Quem deve declarar:
- Contribuintes que receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00 em 2025;
- Quem recebeu rendimentos isentos ou tributados na fonte acima de R$ 200 mil;
- Quem obteve ganho de capital na venda de bens ou direitos.
Prazos e Multas:
- Prazo final: 29 de maio de 2026;
- Multa por atraso: Mínimo de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido.
Dicass de ouro:
- Use a tecnologia: a declaração pode ser feita pelo site "Meu Imposto de Renda", pelo programa baixado no computador ou por aplicativo móvel;
- Organização é tudo: mantenha uma pasta física ou digital com todos os comprovantes de reformas por pelo menos cinco anos, que é o prazo que a Receita tem para questionar os dados;
- Atenção à retificadora: se perceber um erro após o envio, retifique o quanto antes para evitar a malha fina e multas pesadas;
- Consulte um profissional: Em casos complexos de reformas estruturais, o apoio de um contador ajuda a analisar o que realmente pode ser classificado como benfeitoria.