Entre incertezas sobre início da fase 3, bares se preparam na Capital

Nova etapa, que pode ser implementada em Fortaleza a partir de segunda (6), prevê a operação do segmento de alimentação fora do lar à noite, retorno das barracas de praia e operação plena da indústria. Expectativas são de cautela

Legenda: Barracas de praia começam a se preparar em meio à incerteza do avanço ou não para a próxima fase na Capital
Foto: Foto: Thiago Gadelha

A ampliação do horário de funcionamento à noite pelo setor de alimentação fora do lar - caso o governador Camilo Santana confirme o avanço de Fortaleza para a Fase 3 do Plano de Retomada Responsável das Atividades Econômicas e Comportamentais na segunda (6) - deve conferir novo fôlego aos restaurantes e representar a reabertura dos bares da Capital. Empresários se preparam para atender aos protocolos sanitários, mas ainda aguardam direcionamentos do Executivo estadual, que vão nortear as decisões.

Para Taiene Righetto, diretor executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel-CE), a mudança deve impactar positivamente o faturamento, mas o sentimento ainda é de cautela. "Temos que ir com cuidado. Não acreditamos ainda que o faturamento volte ao patamar normal, da mesma forma que na segunda fase faturamos na faixa de 30% do normal para o período", pontua Righetto.

Além dos bares, também se preparam para reabrir na próxima semana as barracas de praia. "O cliente deve voltar para esses ambientes com cautela, querendo conhecer os protocolos e querendo sentir segurança para voltar a frequentar esses locais".

Com a dificuldade de encontrar outras soluções - como o delivery - para arcar com os custos, o segmento de bares foi duramente afetado. O diretor da Abrasel explica que muitos estabelecimentos fecharam as portas e que os números serão obtidos, de fato, quando houver a reabertura com a terceira fase.

"Muitos bares não vão reabrir, não só pela falta de faturamento, claro, que é um motivo, mas eles já vinham fragilizados. Tivemos aqui em Fortaleza a problemática da greve dos policiais e outro ponto extremamente importante que está impedindo bares e restaurantes de voltarem é o acesso ao crédito", diz.

"E agora, nesse momento que todos precisam de crédito para capital de giro para retomar, não estão conseguindo. As exigências dos bancos têm sido piores em relação ao período de antes da pandemia, então muitos bares não vão reabrir em parte pelo fechamento e por não terem podido operar de forma alguma. E no momento que ele precisaria de uma injeção de capital, não está existindo apoio ao crédito, de forma alguma", lamenta Righetto.

O diretor executivo da Abrasel-CE acrescenta que, caso o crédito não chegue a esses negócios locais, há o risco de 30% dos bares e restaurantes fecharem definitivamente.

Operação

Proprietário do Bulls Beer House, o empresário Gustavo Linhares explica que estão sendo implementados os protocolos de higiene para a reabertura, mas frisa que a data será definida após o governador Camilo Santana confirmar o avanço de Fortaleza na retomada. A ideia, de acordo com ele, é que o empreendimento opere, inicialmente, apenas aos fins de semana. "A gente tá passando por todo esse treinamento interno. A gente pretende abrir provavelmente só sexta, sábado e domingo, que são os dias que a gente acha que vão fazer sentido. Estamos ansiosos, mas também muito cautelosos".

A expectativa é que o faturamento fique em torno de 20% a 30% do que antes da pandemia era obtido. "A tendência é que a gente ainda opere no prejuízo, porque esse faturamento ainda não vai cobrir os custos, mas para quem está há três meses faturando zero, já é alguma coisa", diz.

O Zé Restô Bar começou a operar a partir do início da segunda fase com o almoço executivo e se prepara agora para ampliar o atendimento, caso Fortaleza avance para a fase três. "A gente vê que o delivery ainda é muito forte. Muitas empresas ainda estão adotando o home office, então o funcionário pede delivery. Talvez a nova fase seja interessante, porque as pessoas sentem falta de sair à noite. Cearense adora uma varandinha para tomar uma cerveja", pontua Janine Gurgel, sócia-proprietária do estabelecimento.

De acordo com ela, as expectativas são positivas, já que a parte de bebidas alcoólicas é bem agregada ao restaurante. "A gente já arrumou toda a casa, estamos seguindo todos os protocolos", diz Janine.

Indústria

Liberada para operação plena na terceira fase do plano de retomada, a indústria vê com "relativo otimismo" o possível avanço de Fortaleza no plano. "O conjunto de dificuldades resultantes da falta de acesso ao crédito, a queda na renda e a elevação do desemprego vão tornar o processo de recuperação industrial lento. Apenas quando todo o Estado estiver na fase 3 da retomada é que a indústria cearense estará integralmente em atividade", pontua o presidente da Federação das Indústrias do Ceará, Ricardo Cavalcante.

De acordo com o presidente do sindicato que representa o setor de confecções no Ceará, o Sindconfecções, Elano Guilherme, os empresários temem que os pontos de venda voltem a ser fechados, uma vez que as lojas ainda estão com os estoques cheios.

"E vai continuar encalhado se houver essa paralisação", afirma. Sem uma demanda suficiente para desovar os estoques nas lojas de roupas no momento, ele lembra que os empresários do setor ainda estão e devem continuar se apegando à redução de jornada e salário e a suspensão de contratos de trabalho nos moldes da Medida Provisória 936.

Ele também lamenta que a oferta de crédito ainda não chegue aos empresários. "Estamos tomando todos os cuidados, com todas as medidas de prevenção. Na questão financeira, quanto aos financiamentos, muita coisa se fala, mas pouca se faz. Nós também estamos aguardando que o Governo Estadual faça toda a regulamentação das propostas tributárias apresentadas", detalha Elano Guilherme.