Entenda como a queda das redes sociais impactou o mercado financeiro

Na última segunda-feira (4), o Ibovespa teve queda 2,22% enquanto o dólar se valorizou 3,42% em relação ao real.

O blackout das redes sociais Instagram e Facebook e do serviço de comunicação digital What's App não gerou impactos apenas na vida das pessoas, mas também na economia brasileira. Na última segunda-feira (4), o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira (B3), acumulou uma queda de 2,22%, enquanto o dólar se teve uma valorização de 3,42% frente ao real.

De acordo com o presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Ricardo Coimbra, as flutuações no mercado brasileiro refletem diretamente o comportamento das bolsas nos Estados Unidos e o comportamento dos investidores que fazem transações diárias na B3. 

Sobre o Ibovespa, que encerrou o dia de ontem com 110 mil pontos, Coimbra explicou que a queda das redes sociais e de mensagens injetou um novo fator de incerteza no mercado norte-americano, principalmente focado no desempenho das empresas de tecnologia. 

Bolsa nos EUA

Além disso, o presidente do Corecon-CE ainda afirmou que os investidores no Brasil também estão observando outras questões nos Estados Unidos que devem ter reflexos diretos na economia nacional.

Entre as questões em análise estão possíveis mudanças de política monetária pelo Fed (Banco Central americano), a negociação da dívida pública do governo do Estados Unidos e a desvalorização das ações das empresas de tecnologia.  

"Se a gente observar, a queda da bolsa está relacionada à bolsa americana, que caiu pelas mudanças de política monetária, negociação da dívida e essa movimentação das ações de empresas de tecnologias. As empresas de tecnologia e até os bancos e as outras empresas vinculadas a isso acabaram tendo impactos relacionados à incerteza e as movimentações que dependem da tecnologia", explicou. 
Ricardo Coimbra
Presidente do Corecon-CE

"Geramos uma incerteza no mercado que não tinha se visto antes, que é ficar sem as principais ferramentas de comunicação de forma global, e isso gera incerteza sobre os efeitos em empresas que dependem e estão vinculadas", completou Coimbra.

Impactos sobre o câmbio 

Em relação ao dólar, além de uma correlação negativa — considerando que o câmbio sempre flutua na direção contrária de quando há movimentos da bolsa —, Coimbra ainda explicou que há impactos das decisões de "traders" para a alta de 3,42% de ontem. 

Para minimizar perdas e tentar obter resultados positivos durante o dia, investidores podem ter abandonado posições no mercado de renda variável, como ações para comprar dólares.

A movimentação acaba potencializando a valorização do dólar frente ao real combinada com a pressão da queda do Ibovespa. Na última segunda, o dólar encerrou o dia cotado a R$ 5,45.

"Quando a bolsa cai a gente tem o dólar subindo. A gente tem uma certa fuga de variação de renda variável indo para dólar para depois ser revertido. Quem opera diariamente, os 'day traders', tenta aproveitar essa movimentação para reduzir perdas e ter algum ganho e isso traz impacto no câmbio", explicou. 

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