Em meio à pandemia, produção industrial do Ceará encolhe em maio, diz IBGE

Além do Ceará também apresentaram resultados negativos os estados do Espírito Santo (-7,8%) e Pará (-0,8%). As informações são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional.

Imagem de uma montadora de veículos
Legenda: Puxada pela retomada das operações em montadoras de veículos, a produção industrial do país subiu 7% em maio, depois de amargar tombo de 18,8% em abril
Foto: Agência Folha

Ainda sob os efeitos da pandemia, a produção industrial do Ceará teve queda de -0,8% em maio em comparação com o mês de abril, de acordo com levantamento divulgado nesta quarta-feira (8), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE). 

Na outra ponta, os maiores avanços ocorreram no Paraná (24,1%), em Pernambuco (20,5%) e no Amazonas (17,3%). Na região Nordeste (12,7%) e nos estados do Rio Grande do Sul (13,3%), São Paulo (10,6%) e Bahia (7,6%), com crescimento acima da média nacional (7,0%).

Puxada pela retomada das operações em montadoras de veículos, a produção industrial nacional subiu 7% em maio, depois de amargar tombo de 18,8% em abril, primeiro mês com quatro semanas inteiras de isolamento social para controlar a pandemia do novo coronavírus. Para o gerente da pesquisa, Bernardo Almeida, o resultado reflete "a volta da produção de algumas unidades após a suspensão das atividades por conta da Covid-19 em março e, principalmente em abril". 

Desempenho

Maior parque industrial do país, São Paulo puxou a média nacional, com alta de 7% na produção em maio. Paraná (24,1%) e Rio Grande do Sul (13,3%) foram os outros locais com maior influência no resultado nacional, disse o IBGE. "O setor de veículos, muito forte em São Paulo e no Paraná, teve atuação importante neste aumento de maio", comentou Almeida.

Os dados do IBGE mostram, porém, que a recuperação em maio ainda não foi suficiente para compensar os efeitos da pandemia nos meses anteriores. No acumulado do ano, a produção industrial ainda recua em 13 dos 15 locais pesquisados pelo instituto.

E na comparação com o mesmo mês do ano anterior, apenas Goiás registrou aumento na produção industrial, de 1,5%, resultado impulsionado pelo ramo de produtos alimentícios, único segmento que registra crescimento na média móvel trimestral.

Em São Paulo, mesmo com a alta em maio, a produção industrial está no segundo pior patamar da série histórica, iniciada em janeiro de 2002. A situação da indústria paulista é melhor apenas do que em abril, quando o nível de produção atingiu o fundo do poço.

Os primeiros dados de maio divulgados pelo IBGE confirmam avaliações de que abril foi o mês de maior impacto da pandemia na economia. Nesta quarta (8), o IBGE informou que as vendas no comércio subiram 13,9% no mês, após tombo recorde de 16,3% em abril.