Dólar atinge R$ 5,70 nesta sexta-feira (22) e acumula alta de 10% no ano

Na quinta-feira (21), a moeda norte-americana encerrou o dia a R$ 5,6651, maior cotação desde 14 de abril

Close-up mãos contando dinheiro dólares americanos
Legenda: A alta foi influenciada pela aprovação de uma mudança na lei do teto de gastos para viabilizar o Auxílio Brasil
Foto: Shutterstock

O dólar é negociado em alta nesta sexta-feira (22), após já ter fechado com uma valorização de 1,92% na quinta-feira (21). A subida é motivada pelo cenário fiscal do país, o mercado teme um desequilíbrio nas contas públicas causada pelo Governo Federal, que anunciou a intenção de furar o teto de gastos para financiar o Auxílio Brasil — programa de transferência de renda que substituirá o Bolsa Família.

Conforme o portal G1, o dinheiro norte-americano subia 0,70%, às 9h34, sendo cotado a R$ 5,7045. Na máxima do dia, até a publicação desta matéria, chegou a atingir R$ 5,7090 – acumulando uma alta de 10,06%

Na quinta-feira, o dólar encerrou o dia a R$ 5,6651, representando a maior cotação desde 14 de abril e a maior valorização diária da moeda desde 8 de setembro. Com o resultado, a moeda norte-americana acumulou avanço de 4,03% no mês e de 9,21% no ano.

A alta foi influenciada pela aprovação de uma mudança na lei do teto de gastos para viabilizar o Auxílio Brasil, realizada, na mesma data, pela comissão especial criada pela Câmara dos Deputados para analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios. A emenda segue agora para o plenário.

A possibilidade de desrespeitar o teto para financiar o programa social repercutiu negativamente no mercado, o que elevou os temores de que haja desequilíbrio do cenário fiscal brasileiro para bancar medidas interpretadas como populistas. 

"[Paulo] Guedes perdeu a credibilidade do mercado com uma série de decisões, como a taxação de dividendos, o aumento do IOF, a questão dos precatórios, que representa um calote, e agora o rompimento do teto. Ele já não tem mais condições de ancorar as expectativas do mercado", declarou o head de câmbio da Acqua-Vero Investimentos, Alexandre Netto, à agência de notícias Estadão Conteúdo.

Pedidos de exoneração

A possibilidade também não foi bem recebida pelos funcionários do Ministério da Economia. Alegando motivos pessoais, os secretários de Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal; e do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, pediram exoneração dos cargos na pasta na quinta-feira. 

A secretária especial adjunta do Tesouro e Orçamento, Gildenora Dantas; e o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rafael Araujo, também pediram demissão, apontando a mesma razão. 

O secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, José Mauro Coelho, também solicitou exoneração do cargo.

'Ninguém está furando o teto', diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu a proposta de pagar o valor médio de R$ 400 aos beneficiários do Auxílio Brasil. Contudo, ele negou que o pagamento do benefício signifique irresponsabilidade fiscal, embora não tenha dado explicações sobre como o Governo realizará os pagamentos sem romper o teto de gastos da União. "Ninguém está furando o teto, não", disse, contrariando declarações de Guedes.

Na quarta-feira (20), o ministro da Economia declarou que o governo poderia pedir um "waiver", uma "licença para gastar" além do que o teto permite para bancar o Auxílio Brasil. Tido outrora como fiador da austeridade fiscal, o gestor explicou que a "política é quem decide", admitindo a perda da queda de braço no Palácio do Planalto.

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