Consulta pública abre espaço para dois projetos offshore no Ceará

O Estado já possui duas propostas em estudo sobre geração de energia eólica em alto mar: um em Caucaia e outro em Camocim, segundo Jurandir Picanço, consultor de energia da Fiec. O País ainda não tem parques offshore ativos

Legenda: O Atlas Eólico e Solar do Estado apontou grande potencial de geração de energia eólica offshore (em alto mar) no Estado

A abertura de uma consulta pública para licenciamento de parques eólicos offshore (em alto mar) no Brasil é um ótimo começo para que os dois projetos de geração em alto mar no Ceará possam sair do papel. A avaliação é de Jurandir Picanço, consultor de energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis do Ceará. Ele celebrou a decisão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) de abrir consulta pública até o dia 3 de abril para receber contribuições e construir um modelo de licenciamento ambiental de usinas offshore no País.

De acordo com o consultor, a viabilidade dos projetos offshore em Caucaia e Camocim está sendo avaliada por empresas. Picanço explicou que, apesar das condições de vento no Estado serem melhores em relação a outras localidades no mundo, é preciso considerar os gastos logísticos envolvidos.

"Esses parques offshores já são muito utilizados na Europa, mas as condições aqui são muito melhores. Só resta saber se os custos adicionais aqui no Ceará compensariam o investimento, considerando o transporte das pás, por exemplo, porque os equipamentos são maiores do que o normal", destacou.

Entre os gastos estão ainda o investimento no transporte dos equipamentos, que pode ser por via rodoviária ou aquaviária. Picanço avaliou a decisão do Ibama como extremamente vantajosa, ressaltando que ainda não há projetos de geração de energia eólica em alto mar no País.

"É altamente positivo, porque ainda não temos instalação desse porte no Brasil e, para que isso aconteça, é preciso que haja regulamentação. Isso é um avanço porque teremos regras a serem adotadas para esses projetos", disse.

Entendimento

No ano passado, a Fiec ainda recebeu um seminário sobre o assunto, para que os órgãos ambientais pudessem entender algumas demandas dos investidores interessados no mercado local. "Um dos empreendedores fez até um seminário aqui no Ceará, convidando pessoas do Ibama e da Semace (Superintendência Estadual do Meio Ambiente) para estimular que houvesse essa regulamentação. Essa consulta pública vem para regulamentar a aplicação de um projeto", comentou Picanço.

O consultor também ponderou que a consulta pública abrirá a possibilidade do processo regulatório receber contribuições de especialistas da área ambiental que não estejam envolvidos ainda. "Esse assunto já tem mais de um ano, com projetos solicitando a aprovação do Ibama e isso é um sinal de que avançou, pois já temos uma sugestão de modelo a ser aplicado e ser analisado em consulta pública", afirmou Picanço.

Atlas

O consultor ainda disse que a o Atlas de Energia, lançado pelo Governo do Estado no fim do ano passado, será um ponto importante de atração para que investidores externos possam realizar aportes no Ceará. "Com o Atlas, a gente mostra que as condições são extremamente boas", disse.

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