Como saber se serei demitido? Veja 5 sinais e como evitar a demissão
Quando uma empresa começa a demitir, o ambiente muda antes mesmo de qualquer comunicado oficial. As conversas ficam mais baixas. As reuniões ficam mais tensas. O café vira ponto de especulação. E, silenciosamente, uma pergunta começa a ecoar na mente de muita gente: “Será que eu sou o próximo?”
O medo da demissão não é apenas o medo de perder o salário. É o medo de perder identidade, estabilidade, planos, rotina, pertencimento. É um medo que mexe com a nossa base emocional e, quando não é bem administrado, paralisa, distorce decisões e compromete o desempenho. Exatamente o oposto do que a pessoa precisa nesse momento.
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O que pouca gente percebe é que, em cenários de corte, surgem dois movimentos muito claros dentro das empresas. O primeiro é o da retração. Profissionais que entram em modo sobrevivência: falam menos, expõem-se menos, evitam decisões, evitam conflitos, fazem apenas o “necessário”.
Tentam ficar invisíveis, acreditando que isso os protege. O segundo é o da presença estratégica. Profissionais que, mesmo com receio, escolhem agir com lucidez. Observam o contexto, entendem as prioridades do negócio, posicionam-se como parte da solução. Os dois movimentos causam desgaste, um incapacita e o outro desafia e, em momentos assim, o que define o desfecho é a nossa postura.
Diante desse cenário, o que fazer?
Não se trata de romantizar cortes, nem de colocar a responsabilidade de decisões corporativas no colo do colaborador. Existem fatores estruturais, financeiros e estratégicos que fogem ao controle individual. Mas existe algo que continua sob o seu comando: a forma como você se posiciona enquanto o cenário acontece.
Em momentos de incerteza, as empresas olham com lupa para quatro pontos:
1. Relevância: indica a importância do profissional para o alcance dos resultados. Perguntas-chave: “O que essa pessoa resolve de verdade?”, “Quais resultados são de sua responsabilidade?” e “As competências desse profissional são facilmente encontradas no mercado?”.
2. Atitude: como o seu comportamento impacta os relacionamentos e o clima da empresa. Pergunta-chave: “Ela facilita ou dificulta o ambiente?”, “Como se relaciona com pares, líder ou liderados?”
3. Maturidade emocional: é a capacidade de reconhecer, gerenciar e expressar as próprias emoções de forma equilibrada e não ser dominado por elas. Pergunta-chave: “Ela desorganiza o time com o próprio medo ou ajuda a sustentar o foco?”
4. Fit Cultural: avalia se a pessoa se identifica com a cultura da empresa. Pergunta-chave: “Sob pressão, a pessoa adota comportamento alinhado com os valores da empresa?”
O medo, quando aparece, é um indicador importante! Isso pode representar insegurança com relação à conduta da empresa ou dúvidas quanto à imparcialidade do seu líder ou, ainda, insegurança com o próprio desempenho.
E aqui entra um ponto decisivo: se você já está se perguntando se pode ser o próximo, talvez seja a hora de se autoavaliar e corrigir o que for necessário. Ainda é possível ajustar rota enquanto a história está sendo escrita.
Veja 5 sinais que indicam que você pode estar no radar
Demissões, normalmente, não acontecem repentinamente, e é possível que seu líder e a própria empresa tenham emitido alguns sinais que passaram despercebidos. Vale refletir sobre os últimos seis meses e observar se alguns desses movimentos aconteceram com você:
- Você deixou de ser convidado para reuniões estratégicas ou decisões relevantes;
- Seu líder parou de dar feedbacks consistentes sobre seu desempenho;
- Projetos importantes deixaram de passar por você;
- Seu papel ficou menos claro ou mais periférico;
- A comunicação sobre seu futuro na área se tornou vaga ou inexistente.
Esses sinais não são sentenças. Mas são alertas. E alertas servem para gerar consciência, não pânico. Ver colegas serem demitidos, abala a estabilidade emocional e, quando isso acontece, podemos criar situações que “não existem”.
Portanto, o ideal é que, com clareza ou não, você busque se destacar no que faz e, ao mesmo tempo, reflita sobre o quanto está preparado para o mercado de trabalho. Esse movimento o manterá focado no que importa e se você permanecer na empresa, certamente se tornará um profissional cada vez mais qualificado.
O maior risco em momentos assim não é a demissão. É atravessar esse período sem aprender nada sobre sua própria posição no mercado. Porque, no fim, a pergunta não é apenas se a empresa vai manter você. A pergunta mais estratégica é: o mercado manteria?
Se a resposta a essa pergunta for: “não sei”, está na hora de reavaliar suas competências e preparar o seu plano de desenvolvimento consistente. Inclua certificações, cursos, leituras e experiências que aumentem o seu repertório, agreguem valor ao seu currículo e à sua posição atual.
Crises organizacionais expõem vulnerabilidades, mas também revelam valor. E profissionais que aprendem a se ler nesses momentos saem mais conscientes, mais fortes e mais preparados, ficando ou saindo.
Nesta coluna, trarei reflexões sobre carreira, liderança, coaching e as principais tendências que impactam o mundo do trabalho. Sua participação é muito bem-vinda. Comente, envie sua pergunta ou fale comigo pelo Instagram @delaniasantosds. Aproveite também para se inscrever no canal do YouTube @delaniasantosds. Será um prazer ter você comigo nessa jornada. Até a próxima!
Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.