Projeto São Francisco dobrará a vazão das águas para o Ceará

Governo cearense pediu 10 metros cúbicos por segundo. SRH informa que autorização poderá sair nos próximos dias

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
(Atualizado às 06:13)
Legenda: A pedido do governo do Ceará, o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional dobrará a vazão do S. Francisco para o Castanhão
Foto: Carlos Marlon
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Alô, cearenses! Chegou da Secretaria de Recursos Hídricos (SHR) a muito boa notícia de que, nos próximos dias, o ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) dobrará a vazão das águas do Projeto São Francisco que, pelo seu Canal Norte, saem de Cabrobó, em Pernambuco, e chegam ao açude Castanhão, o maior do Ceará. Hoje, por razões técnicas, está suspenso o bombeamento dessas águas (prosseguem os serviços de instalação de mais bombas na Estação Elevatória de Salgueiro). Ramon Rodrigues, secretário Executivo da SRH, explica por quê: 

“No que se refere às condições hidrológicas naturais à jusante (abaixo da barragem de Jati, que está cheia e vertendo), observa-se que o Riacho Seco e o Rio Salgado apresentam escoamento ativo em razão das últimas chuvas, configurando cenário favorável para a eventual liberação de água com destino ao Castanhão, pois a presença de lâmina d’água corrente no leito desses rios contribui para o melhor aproveitamento volumétrico transferido, reduzindo perdas por infiltração e aumentando a eficiência hidráulica do deslocamento ao longo do vale.” Ponto, parágrafo. 

O governo do Ceará, por meio de sua SRH, solicitou a ampliação da vazão de 5 m² (metros cúbicos por segundo) para 10 m³/s, com o que estará garantido o fornecimento de água para o consumo humano (prioridade do Projeto S. Francisco) e, também, para a atividade econômica no Baixo Jaguaribe e na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). “Essa liberação pode começar nos próximos dias”, disse Ramon Rodrigues à coluna.  

Há pouco mais de uma semana, o Comitê de Bacia do Jaguaribe decidiu cortar em 4 m³/s a vazão do Castanhão para o Baixo Jaguaribe, provocando protestos dos líderes dos perímetros irrigados em operação na região, entre os quais o do Jaguaribe-Apodi (Dirja), onde se desenvolve um importante polo fruticultor. 

Em mensagem que transmitiu a esta coluna, o secretário Ramon Rodrigues escreveu: 

“Registre-se, ainda, que a SRH se encontra, neste momento, em tratativas com o MIDR, na perspectiva de viabilizar a liberação de água do PISF (Projeto de Integração das Bacias do S. Francisco) para o Castanhão, com vazão a mais próxima possível daquela formalmente solicitada pelo Estado”, ou seja, 10 m³/s.  

O secretário explicou, ainda, que as águas vertidas hoje pelo açude Jati não se destinam ao Cinturão das Águas do Ceará (CAC), uma vez que essas águas seguem naturalmente pelo sistema hidráulico vinculado ao Canal Norte do PISF. 

Quando, e se, o MIDR emitir a autorização para que seja dobrada a vazão do Canal Norte do PISF para o Castanhão, as águas da albufeira do Jati serão transferidas para o Cinturão das Águas, que, por gravidade, as jogará, algumas dezenas de quilômetros adiante, no leito do Riacho Seco (que está bem molhado agora por causa das últimas chuvas), que as conduzirá, sempre por gravidade, ao Rio Salgado, seguindo por ele até o seu encontro com o Rio Jaguaribe, por cujo caudal chegarão ao açude Castanhão.  

Na verdade, o Ceará e o Nordeste Ocidental estão bem próximos do dia em que, finalmente, o problema da oferta de água à sua população estará solucionado.  

Imaginado no tempo do Império, no Século 19, sonhado de novo no Século 20 e transformado em projeto em 2003, no Século 21, e com obras físicas iniciadas em 2007, o PISF passou pelo primeiro e pelo segundo governos do presidente Lula, pelo governo de Dilma Roussef, pelo de Jair Bolsonaro e pela terceira gestão de Lula.  

Houve de tudo ao longo desses quase 20 anos, até denúncia de sobrepreço, suspensão e reinício dos serviços, enfim, uma série de obstáculos próprios das grandes obras públicas brasileiras, que, segundo registra a sua extensa crônica, irrigam campanhas eleitorais de vereadores, prefeitos, deputados, senadores e governadores (a obra do Canal Leste do Metrofor faz parte dessa crônica).  

Imaginem que, em 2003, quando o PISF foi lançado por Lula e defendido pelo seu então ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, um bispo católico da Bahia ergueu-se contra, dizendo que se tratava de um projeto para beneficiar grandes empresas do agronegócio. ONGs mineiras e baianas disseram que a Barragem de Sobradinho secaria e que a foz do S. Francisco desapareceria.