Com forte estreia na Bolsa, Pague Menos planeja abrir mais lojas

Ações da rede de farmácias encerraram primeiro dia com forte alta de 21,18% e captação de R$ 150,8 milhões. Segundo o fundador Deusmar Queirós, recursos serão usados para a abertura de lojas e investimento em tecnologia

Escrito por Redação,

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Legenda: Segundo o fundador da rede, recursos serão usados para a abertura de lojas, tecnologia, e-commerce e soluções digitais

Provenientes de um processo de abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) mais discreto do que se imaginava, as ações da rede de farmácias Pague Menos (PGMN3) estrearam na Bolsa de Valores brasileira com forte alta de 21,18% nesta terça-feira (2). Segundo o fundador da empresa, Francisco Deusmar Queirós, "mais de 10 mil pessoas físicas optaram por comprar ações da Pague Menos e a ação subiu mais de 20%".

Os papéis da empresa fecharam a R$ 10,30, após alcançarem máxima de 28,82%, a R$ 10,95, na sessão, com volume negociado de R$ 150,8 milhões. Com a venda de 101.054.482 ações, a captação de recursos da empresa foi de cerca de R$ 859 milhões.

O papel da Pague Menos chegou à Bolsa custando R$ 8,50, abaixo da faixa estimada de preço que era entre R$ 10,22 e R$ 12,54, segundo comunicado ao mercado no mês passado.

O movimento pode revelar estratégia de aceitar um valor mais baixo para trazer um "crescimento orgânico" nesta nova fase da empresa.

"Foi uma abertura com extremo sucesso de valorização das ações. O preço, a princípio, poderia ter sido um pouco mais elevado, mas a empresa optou por ter um preço mais acessível no valor da ação exatamente para gerar essa perspectiva de atratividade", analisa o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-CE), Ricardo Coimbra.

"Há alguns anos, a Pague Menos cogitou, pela primeira vez, a abertura de capital, mas depois recuou. Neste momento, foi quando o fundo General Atlantic entrou como parceira da empresa e houve um consenso de que aquele não era o melhor momento para o IPO, mas atraiu um investidor muito importante que estruturou este momento", relembra Coimbra. O economista considera ainda que o cenário atual é favorável para que o processo de IPO fosse concretizado.

"O início deste processo já tem alguns anos, mas a empresa estava esperando o momento certo para avançar. É um segmento que está se fortalecendo muito durante a pandemia, tem uma perspectiva muito boa em relação a remédios e acessórios, ainda tem muito espaço para crescer no País", explica o presidente do Corecon-CE.

Investimentos

Endossando a análise do especialista, Queirós afirma que os próximos passos da empresa devem vislumbrar o mercado interno e uma aproximação ainda maior com o consumidor. "Esse quase um R$ 1 bilhão que captamos vai servir para abertura de novas lojas, investir em tecnologia, no e-commerce, em soluções digitais para os clientes", afirma.

A abertura da Pague Menos deve, segundo Deusmar, colocar a empresa em "outro patamar". "Estamos montando um hub de saúde. O cliente, quando entrar, não vai ficar pensando na Pague Menos só como remédio, vai haver uma assistência, um acompanhamento", completa.

O sucesso no novo ciclo da empresa é visto por Coimbra como um exemplo para outras empresas cearenses com potencial de abertura de capital. "Essa representatividade gera uma perspectiva diferenciada para as empresas do Estado do Ceará, para que esse processo que está acontecendo com mais uma empresa reverbere com outras iniciativas, para que elas planejem e trabalhem a parte da governança", prevê.

Expansão

Com um primeiro dia de bons resultados, os próximos passos para expansão da Pague Menos já estão bem definidos, segundo Queirós, e o mercado brasileiro deve ser protagonista neste processo.

"O mercado externo ainda está fora dos nossos planos, o Brasil tem muito espaço. Nós estamos com aproximadamente 1.100 unidades, queremos ir até perto de 3 mil, ou 4 mil, sem pensar no exterior", pondera o fundador.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), a rede é a terceira maior do Brasil em número de lojas. A empresa foi criada no Ceará em 1981 e está presente em todos os estados e no Distrito Federal, com mais de 1.100 lojas, 820 unidades do Clinic Farma e mais de 20 mil colaboradores que atuam em 327 municípios.

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