Bolsa Família tem ótimo desenho, mas não acaba com assistencialismo, diz Cristovam Buarque

O economista esteve no encontro do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), no Hotel Gran Marquise, em Fortaleza

Escrito por Bruna Damasceno , bruna.damasceno@svm.com.br
Cristovam falando
Legenda: Cristovam criou o Bolsa Escola, programa que foi base pra o Bolsa Família
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Idealizador do Bolsa Escola, programa base para o Bolsa Família, o economista e professor universitário Cristovam Buarque avaliou que o atual modelo dessa transferência de renda deveria incluir mecanismos para acabar com o assistencialismo. Ele esteve no Ceará, na quinta-feira (20), para o encontro do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), no Hotel Gran Marquise, em Fortaleza. 

Na opinião de Cristovam, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) melhorou o texto, mas ainda é insuficiente para interromper a trajetória da pobreza. 

“Queria que o Lula analisasse como vamos fazer para daqui a 20 anos ninguém precisar do Bolsa Família. O desenho está ótimo, mas o propósito não está bom. É preciso vincular à educação”, disse.
Cristovam Buarque
Economista, professor universitário, ex-ministro de Lula, ex-senador e ex-governador do Distrito Federal

Ele diz não ser favorável ao “arranjo de transferência de renda apenas para acabar com a penúria”. “Quem está com fome ganhará o dinheirinho para comprar comida no mercado, mas isso não constrói o futuro. Construir o futuro é pagar para o pobre fazer algo de que precisa”, destacou. 

Cristovam lembra ter feito programa semelhante para atrair os analfabetos para a escola, com o chamado Bolsa-Alfa, durante a gestão como governador do Distrito Federal (1995 a 1998). O recurso de R$ 100 era repassado após o aluno escrever a primeira carta, em sala de aula.

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Condições para estimular a educação

Para o economista, o exemplo mostra como poderiam ser criadas condicionantes para obrigar famílias irem ao colégio dos filhos, por exemplo.

Cristovam acrescenta que o Pé de Meia, encabeçado hoje pelo ministro da Educação Camilo Santana (PT), já havia sido proposto por ele quando esteve à frente do cargo (2003 e 2004), mas não foi aceito. 

 

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