Número de pessoas ocupadas no comércio cearense é o melhor desde 2017; veja por setor

Setor, ao lado de atividades relacionadas à mecânica de automóveis, é o que mais emprega no Ceará

Escrito por Luciano Rodrigues , luciano.rodrigues@svm.com.br
Comércio em Fortaleza
Foto: Thiago Gadelha

No Ceará, os setores de comércio e o de reparação de veículos automotores e motocicletas foram os que tiveram o maior número de pessoas ocupadas em 2023: 778 mil. É o que indicam dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta sexta-feira (21).

De acordo com os números, em 2023, o segmento atingiu o segundo maior número dos últimos 11 anos pesquisados, atrás apenas de 2017, melhor ano para o setor, com 793 mil pessoas ocupadas. A pesquisa considera como "pessoas ocupadas" quem possui 14 anos ou mais e está em um emprego formal ou não. 

Com esses dados, o setor se consolida como o que mais emprega no Ceará. Ao todo, uma em cada cinco pessoas estão ocupadas no segmento de comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas no Estado.

Ao todo, o Ceará tinha, no ano passado, 3,675 milhões de habitantes com algum tipo de ocupação. O valor representa uma queda de 10 mil pessoas ocupadas em relação a 2022, indicando uma tendência de redução.

Em 2019, o Estado chegou aos 3,697 milhões de pessoas ocupadas, melhor resultado da série histórica iniciada em 2012. Com a pandemia de Covid-19, não houve divulgação da Pnad Contínua em 2020 e 2021. No ano retrasado, o indicador já sofreu redução, chegando aos 3,685 milhões de ocupados, situação que se refletiu em 2023, embora em ritmo menor.

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Enquanto o comércio e a reparação de veículos automotores e motocicletas se mantêm como os principais segmentos que empregam no Ceará, outros setores perderam, ao longo de 11 anos, boa parte da mão de obra com as quais iniciaram os anos 2010 com destaque no Estado.

O caso mais notório é do segmento da agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura. Desde 2012, o setor vem perdendo relevância no número de pessoas ocupadas, e em 11 anos, perdeu 190 mil trabalhadores: de 535 mil para 345 mil.

Já a construção manteve-se praticamente estável com relação a 2012. A queda consolidada ao longo dos anos foi até pequena: de 267 mil para 265 mil. Quando são analisados os números entre os 11 anos, o setor atingiu, no ano passado, o segundo pior resultado da série histórica, atrás apenas de 2018, sendo responsável por somente 7,2% de todas as pessoas ocupadas no Ceará.

Agricultura
Legenda: Setor da agricultura perde quase 200 mil trabalhadores no Ceará em 11 anos
Foto: Antonio Rodrigues/Diário do Nordeste

Ainda que tenha a menor participação na economia frente aos demais postos, o segmento de transportes, armazenagem e correio chegou ao melhor resultado dos 11 anos da Pnad Contínua. Ao todo, 152 mil trabalhadores exercem algum tipo de função no setor no Ceará.

Se em uma ponta a agricultura perdeu quase 200 mil pessoas ocupadas, do outro lado, a administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais ganhou, nos últimos 11 anos, 150 mil novos trabalhadores, se consolidando como o segundo setor que mais emprega no Estado.

Com relação a 2022, o segmento teve ligeira queda, mas acumula alta desde 2012 no acumulado geral. Naquele ano, era 544 mil pessoas ocupadas, número que chegou a 694 mil no ano passado.

Somados, comércio e administração pública são responsáveis por 40% das pessoas ocupadas no Ceará.

Veja os números de pessoas ocupadas na Pnad Contínua por segmento em 2023:

  1. Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas: 778 mil; 
  2. Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais: 694 mil;
  3. Indústria geral: 436 mil;
  4. Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura: 345 mil;
  5. Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas: 323 mil;
  6. Construção: 265 mil;
  7. Alojamento e alimentação: 248 mil;
  8. Serviços domésticos: 231 mil;
  9. Outros serviços: 204 mil;
  10. Transporte, armazenagem e correio: 152 mil.

TOTAL: 3,675 milhões.

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