Apartamentos compactos já são 60% do mercado na Capital

Preço de venda e baixo custo de manutenção estão entre os atrativos que as residências pequenas possuem

Legenda: Além de liderarem as vendas, os imóveis com área menor também apresentam o maior nível de estoque entre os verticais residenciais
Foto: FOTO: JOSÉ LEOMAR

Responsável por mais de 60% das vendas de imóveis em Fortaleza, o segmento de apartamentos compactos, com até 90 metros quadrados (m²), vem atraindo cada vez mais compradores. Além do preço, o baixo custo de manutenção, se comparado a apartamentos maiores, mesmo em empreendimentos equipados com piscina, área de lazer ou sala de jogos, tem sido um dos principais atrativos desse perfil de imóveis. E com a Lei da Fração do Lote, sancionada pela Prefeitura em dezembro do ano passado, que permite a construção de um maior número de unidades habitacionais em um mesmo terreno, o mercado de compactos deve crescer ainda mais nos próximos anos, oferecendo unidades ainda menores.

Segundo o sócio-diretor executivo da Lopes Immobilis, Ricardo Bezerra, com a nova lei, o próprio conceito de apartamentos compactos em Fortaleza deve começar a mudar. "Agora, as construtoras já estão começando a fazer projetos de apartamentos com 40 m² ou 50 m². E a expectativa é de que o mercado comece a investir nisso", diz. "Acredito que até o fim do ano, e ainda mais em 2019, o mercado vai ter uma oferta de apartamento muito forte, de unidades com 50 m²", afirma.

Perfil

Caracterizado pelos ambientes integrados, com até dois quartos e sem dependência de empregada, esse perfil de imóvel normalmente está localizado em regiões com grande oferta de serviços, como supermercados e shoppings. Como público alvo, principalmente em bairros nobres com grande adensamento, como Meireles, Aldeota, Fátima e Cocó, Ricardo Bezerra destaca pessoas solteiras, recém casados, casal sem filhos e idosos, além de investidores que compram esses imóveis para alugar. "O que a gente vê é que Fortaleza tem uma forte tendência para apartamentos menores", ele diz.

Em maio deste ano, os apartamentos com até 90m² de área foram responsáveis por aproximadamente 64,7% das unidades vendidas na Capital cearense, sendo a maior parte referente a imóveis com área de 50 m² a 69 m², responsáveis por 30,5% do total de vendas. Em seguida aparecem as unidades com área até 49 m² (21,6%), e os imóveis de 70 m2 a 89 m2 (12,6%).

Além de serem os campeões de vendas, os compactos também são os que apresentam o maior nível de estoque entre os verticais residenciais, com 60% do total em Fortaleza. Os dados são do Flash Imobiliário, estudo elaborado mensalmente pela Lopes Immobilis.

Investimentos

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), André Montenegro, mesmo sendo o mercado dominante na Capital, o mercado de compactos só não se desenvolveu mais, como ocorreu em estados como Rio de Janeiro e São Paulo, por conta da questão da fração do lote.

"Antes nós tínhamos essas limitações, agora podemos construir apartamentos com tamanhos menores. E o que a gente vê é que as pessoas querem os compactos em locais bons e com bons preços. Assim é possível morar nos melhores bairros por um preço acessível", diz.

Apesar do alto nível dos estoques em Fortaleza, André Montenegro diz que a expectativa é que o número diminua até o fim do ano, de modo que no último trimestre o setor comece a fazer novos lançamentos, principalmente nos bairros da Aldeota, Meireles e Cocó.

Com um metro quadrado médio em torno de R$ 6 mil, em Fortaleza, esses imóveis devem ser ofertados no mercado com preços que variam entre R$ 350 mil e R$ 450 mil.

Logo depois de aprovada a nova Lei da Fração do Lote, estimativas preliminares do Sinduscon-CE apontam que a medida deveria gerar cerca de R$ 800 milhões em novos negócios nos próximos anos, gerando cerca de dois mil empregos diretos.

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