Trocas, doações, reaproveitamento: como gastar menos com material escolar na volta às aulas

Mesmo antes da pandemia de Covid-19 e das perdas econômicas decorrentes dela, mães e pais já se movimentavam no início do ano para adquirir livros e materiais escolares a baixo custo

Foto: Marília Camelo

Em tempos “normais”, os inícios dos anos são marcados por movimentações intensas de mães e pais em feiras de venda, compra e troca de livros, mochilas e fardamentos. Este ano, devido à permanência da pandemia de Covid-19 e, consequentemente, das medidas de restrição social e do medo do contágio em aglomerações, as buscas em feiras de rua estão reduzidas, o que fortalece o escambo online de material escolar.

A alternativa mais barata à compra de materiais novos se torna necessária, principalmente, diante de um contexto em que muitas famílias tiveram perdas econômicas em virtude da pandemia. 

Economia

Mesmo antes da Covid-19, a estilista e vendedora Michelle Arruda, 46, optava por comprar de segunda mão os livros escolares das três filhas. Mas, após as vendas caírem e a renda da família diminuir, a compra de didáticos e paradidáticos usados passou a ser fundamental. “É uma grande economia. Costuma ser 1/4 do valor de um livro novo. Possibilita a compra do restante do material como canetas, lápis, cadernos… o resto necessário”, relata a mãe.

Michelle frequenta diversos grupos de troca, compra e venda nas redes sociais, e acredita que a procura online pelos livros usados deve crescer neste ano. “Acho que muitas pessoas que não adquiriam livros usados, o farão. Houve muita procura de pessoas que antes não se interessavam. Isso se deve ao grande impacto na economia causado pela pandemia e à conscientização de algumas pessoas sobre reaproveitamento [de material escolar]”, supõe.

Andreia Fonseca, 40, também quer economizar nas compras escolares e pretende adquirir usados os livros da filha mais velha. Ela participa de grupos no WhatsApp, Instagram e Facebook. Frequentava a tradicional feira da Praça dos Leões, no Centro de Fortaleza, mas, devido à pandemia, passou a preferir resolver as pendências no ambiente digital. “Você alcança mais pessoas, não sei, a tecnologia é demais! Lá [na Praça], às vezes, colocam os preços lá em cima. Então, às vezes, não compensa muito. Eu desanimei de ir”, compartilha.

Troca-troca

Nos grupos de mães e pais, é comum o envio de fotos e vídeos para mostrar as condições dos materiais escolares a serem barganhados. Tanto para vender quanto para comprar, Andreia diz que se preocupa em checar se os livros não estão amassados e com outros sinais de falta de cuidado. “Geralmente, pela experiência que tenho, os livros de meninas são menos rabiscados aleatoriamente. Dá pra utilizar melhor, apagar direitinho [as anotações anteriores]”, indica.

“Tenho uma amiga que não vendeu os livros do filho porque ele não teve cuidado e não servem pra troca ou venda. Isso estando em aulas remotas. Minhas filhas sempre cuidam bem do material escolar. Depende de cada um, esse tipo de zelo”, comenta Michelle.

Cortesias, doações e reaproveitamento 

A professora Jaqueline Torres dos Santos, 38, tem outra forma de gastar menos com as compras escolares. É que, devido à profissão, ela recebe cortesias de editoras nas compras de livros didáticos. Além disso, geralmente, consegue emprestados ou doados os paradidáticos. “Até fardamento usado já ganhei. Nunca contabilizei, mas gera uma economia excelente”.

O dinheiro economizado serve para ajudar a pagar as matrículas dos dois filhos e comprar as agendas escolares deles. Ela diz, também, que o material comprado em 2020 deve ser quase todo reaproveitado. “Mochilas, lancheiras, estojos, toalhinhas de mão, tabuada, dicionário, avental, tesouras, réguas e cadernos que quase não foram utilizados”, enumera a educadora.

Rede de apoio

Além de estimular trocas e doações, os grupos de redes sociais acabam por aproximar mães e pais de toda a Cidade. “A gente fica assim, se ajudando”, conta Andreia. Michelle, que, inclusive, conhece Andreia de um dos grupos, concorda: “[Em 2020], a internet se tornou, mais do que nunca, uma ponte entre as pessoas. Nos aproximou”, reconhece.

Veja como gastar menos com material escolar na volta às aulas:

Grupos de mães e pais

Para além dos grupos de turma e de escola, há uma diversidade de grupos nas redes sociais de mães e pais de Fortaleza dispostos a doar, trocar, vender e comprar livros e materiais escolares como fardamentos e mochilas.

Descontos e barganhas

Apenas professores costumam ter descontos na compra de livros didáticos, mas sempre é possível barganhar os preços nas lojas ou mesmo nas escolas.

Reaproveitamento

Devido à pandemia de Covid-19, muitos alunos tiveram de ficar em casa, tendo aulas remotas. Isso fez com que muito material que, geralmente, era levado para a escola, ficasse inutilizado, como mochilas, lancheiras e fardamentos.

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