Diante da melhora dos indicadores da pandemia, UFC autoriza início das aulas presenciais

O próximo semestre letivo (2021.2), previsto para começar em 27 de setembro, marcará o início da transição do ensino remoto para o presencial na Universidade Federal do Ceará

Legenda: A autorização para o processo de transição passa a vigorar em setembro, mês que tem início o semestre letivo 2021.2
Foto: Camila Lima

A Universidade Federal do Ceará (UFC) confirmou que iniciará o processo de transição para o formato presencial no semestre letivo 2021.2, previsto para começar no fim de setembro deste ano. Já a retomada integral das atividades presenciais está prevista para 2022, "caso os índices da Covid-19 continuem em declínio e o ciclo de vacinação da comunidade universitária se complete".

A pró-reitora de Graduação da UFC, Ana Paula de Medeiros Ribeiro, disse que o período de transição a ser iniciado pauta-se no avanço positivo do cenário pandêmico do Estado. "Será o momento de experimentar melhor a presencialidade, de dar alguns passos, já que estamos em um cenário diferente em termos de imunização".

O retorno presencial para setembro já tinha sido projeto pela Universidade em junho deste ano. Agora, com a autorização, que fora anunciada na última quarta-feira (4), as unidades acadêmicas da UFC podem decidir qual modelo adotarão. Essa fase de transição é encarada pela Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) como de "preparação para um possível retorno integral em 2022". 

Esperamos que o ciclo da vacinação de professores, servidores técnico-administrativos e estudantes seja concluído nos próximos meses, e que possamos terminar este ano com boas expectativas.
Ana Paula de Medeiros Ribeiro
Pró-reitora de Graduação da UFC

As orientações quanto ao período de transição são válidas para os campi de Fortaleza e do Interior, sendo extensivas às atividades acadêmicas da pós-graduação e extensão. 

Modelo misto e adaptável 

Mesmo com a autorização para a transição do ensino exclusivamente remoto para o presencial, a UFC ressalta que as unidades acadêmicas têm autonomia para "considerarem as características de seus cursos e os tipos de disciplinas ofertadas para, assim, decidirem sobre o formato a ser adotado".

Contudo, mesmo que seja adotada a oferta presencial de uma disciplina ou de parte de sua carga horária, a Universidade Federal do Ceará determinou que deve-se oferecer, também, atendimento remoto aos estudantes pertencentes ao grupo de risco para a Covid-19 ou que eventualmente testem positivo para a doença.

"Entre as sugestões da Prograd, está a de que os professores de disciplinas teórico-práticas planejem a parte teórica para os primeiros meses do semestre, em formato remoto, e ministrem a parte prática presencialmente nas etapas finais do semestre, quando mais pessoas deverão ter recebido a segunda dose da vacina", destaca, em documento, a Pró-reitoria. 

O plano de retomada aponta diretriz para exigências estruturais na organização das salas de aula e dos laboratórios, assim como o uso de outros espaços da UFC, como auditórios, bibliotecas e áreas de convivência.

Retomada presencial 

A professora com pós-doutorado em educação e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), Zuleide Queiroz, reconhece a importância do ensino presencial, mas avalia que o retorno ainda é precipitado.

Para embasar seu posicionamento, a especialista cita relatório da Fiocruz "que aponta ainda a pandemia como de alto risco". Como agravo, Zuleide critica que não foram "feitas reformas estruturais em nenhuma universidade ou escolas básicas". 

Ela também se mostra preocupada com o volume de alunos que movimentarão com o retorno das aulas. "Ainda morre muita gente no Brasil e no Ceará. A pandemia não pode ganhar o carimbo de que está passando. Me preocupa a UFC sinalizar o retorno, sendo em torno de 40 mil alunos matriculados. Não há estrutura para essa alta demanda", avalia.

Queiroz alerta ainda para o avanço da nova variante Delta, cujo Ceará já tem 15 casos confirmados. "A primeira tentativa de retorno no fim da primeira onda já provou que a decisão não foi correta. Inclusive a Fiocruz aponta esse erro. Tivemos aumento de casos e mortes. Existem estudos que mostram que ainda não é hora para retomada presencial. A nova variante é muito mais contagiosa".

As nossas salas de aulas não estão preparadas para o retorno presencial. Sejam salas de universidades ou de escolas básicas. Não há um cenário sanitário adequado para a volta [presencial].  
Zuleide Queiroz
Especialista em educação

Processo ensino x aprendizado

Apesar de não avaliar adequado o retorno presencial, Zuleide Queiroz reconhece que os alunos acumulam déficit de aprendizado diante do longo período de aulas remotas ou híbridas. "Mas esse déficit pode ser recuperado ao longo de todo o processo de aprendizado. É um processo longo e que possibilita aprendizado diário, continuo".

O que nós precisamos é estabelecer esse processo de ensino x aprendizado dentro do contexto da pandemia, sem adoecer as pessoas que são sujeitos desse processo.
Zuleide Queiroz
Pós-doutora em educação
 

"O deficit que devemos nos preocupar é das políticas públicas de educação que estão cada vez mais fragilizadas", finaliza Queiroz.

Legenda: UFCA e demais universidades do Interior ainda não se posicionaram quanto ao modelo de ensino do próximo semestre letivo
Foto: Antonio Rodrigues

Interior do Estado

As demais universidades públicas do Interior do Estado ainda se posicionaram quanto ao modelo de ensino no semestre 2021.2. Conforme a assessoria de comunicação da Universidade Regional do Cariri (Urca), o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade (Cepe) vai se reunir ao fim do atual semestre letivo para definir o modelo.

Já a Universidade Federal do Cariri (UFCA) disse a decisão pode ocorrer ainda neste mês de agosto. "Até a próxima reunião do Conselho Universitário (Consuni/UFCA), o que deve ocorrer ainda neste mês de agosto de 2021, a instituição segue debatendo o tema, por meio de vários fóruns, para subsidiar a tomada de decisão do Conselho".

A assessoria da Universidade completou informando que é o Consuni/UFCA "quem vai tomar a decisão sobre quando a instituição iniciará a transição para as atividades presenciais".

A Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) reforçou que o semestre letivo 2020.2, que segue até o próximo dia 14 de setembro, será concluído integralmente de forma remota, tal qual fora iniciado.

Para o semestre letivo seguinte, a assessoria de comunicação disse que "ainda não foi debatido o modelo" a ser adotado e afirmou não haver previsão para uma futura decisão.

Já a Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), em Sobral, na região Norte do Estado, explicou que o tema  será discutido pelo Comitê de Enfrentamento à Pandemia no Âmbito da UVA e pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE/UVA) "que deliberará sobre a possibilidade e conveniência e estabelecerá as condições de retorno".

A avaliação sobre a possibilidade de retorno às atividades presenciais considerará as especificidades da UVA, enquanto Universidade de abrangência regional, que recebe estudantes de cerca de 53 municípios da região Norte e que apresentam realidades epidemiológicas distintas da de Sobral.
Reitoria da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA)

 

Quero receber conteúdos exclusivos do EducaLab