Iniciativa busca combater os efeitos da pandemia na vida de fotógrafos cearenses

Para contribuir com a campanha basta comprar alguma das imagens cedidas para venda, que se encontram no site oficial da iniciativa "Fotografias Pelo Ceará".

Contra (Mar)gem é uma das fotografias que está no site para venda na campanha Fotografias Pelo Ceará
Legenda: Contra (Mar)gem é uma das fotografias que está no site para venda na campanha Fotografias Pelo Ceará
Foto: Jerônimo Neto

A paralisação das atividades por conta do período de isolamento social, causado pela pandemia do novo coronavírus, afetou diretamente muitos profissionais, principalmente da área cultural. Ainda com muitas incertezas sobre a volta ao trabalho desse setor, a campanha “Fotografias Pelo Ceará” tem o intuito de dar suporte a fotógrafos e aos demais trabalhadores da cultura em situação de vulnerabilidade. 

A campanha, que teve inicio em 5 de junho, foi criada por produtores e fotógrafos do Ceará e teve como guia, para a ideia da campanha, a frase “Sejamos luz com foco no bem” e o incentivo em outras campanhas parecidas, espalhadas por estados como São Paulo, Minas Gerais, Pará e Rio Grande do Sul. O objetivo da campanha cearense é dar apoio a fotógrafos, e outros trabalhadores culturais, que estão sem assistência financeira e se encontram a situação de vulnerabilidade.

“Eu já vinha com essa ideia desde que surgiu a pandemia, conversei com alguns colegas [de profissão] e de primeira não rolou. E aí começaram a surgir versões dessa campanha por todo o país, e aí no decorrer disso, eu e meus colegas voltamos a nos comunicar e então a campanha surgiu”, relembra Glícia Gadelha, produtora de fotografia e idealizadora do “Fotografias Pelo Ceará”. 

Campanha     

A iniciativa funciona por meio da venda de fotografias, doadas por fotógrafos parceiros e também os que serão beneficiados com a campanha, que estão expostas no site do projeto, com o valor fixo de R$ 150. O valor arrecadado será distribuído entre fotógrafos que estão passando por necessidades financeiras e trabalhadores da área cultural, que estão igualmente vulneráveis.      

“Essa ação surgiu, primeiro, voluntariando e chamando os fotógrafos de Ceará, e então foi caminhando para outros rumos, onde agora, fotógrafos do Brasil inteiro acabaram doando as suas fotos também para o site”, comenta Jerônimo Neto, fotógrafo, e envolvido na campanha.

Nos créditos de algumas fotografias cedidas, nomes de pesa da fotografia cearense e nacional, como Nair Benedicto, José Diniz, Ed Viggiani, Beto Skeff, Elza Lima, Chico Gomes, Silas de Paula, Gentil Barreira estão presentes. 

O projeto contou com o apoio da iniciativa “Unidos Venceremos”, que trabalha organizando ações solidárias em prol de trabalhadores da área cultural, desde o início da pandemia, para fazer o mapeamento desses profissionais que necessitam de ajuda. Hoje a campanha conta com cerca de 138 fotógrafos expondo seus trabalhos para venda.

“Há uns quatro anos atrás, eu criei um fórum de fotografia da periferia, e entrei em contato através do fórum com alguns amigos para saber se alguém estava precisando de ajuda, então comecei a colocar na lista de doação. O fato é que hoje, eu tenho uma lista de mais de 50 nomes de fotógrafos de periferia, sendo beneficiados tanto pela cesta básica, junto ao Unidos Venceremos, como também será beneficiado pela campanha Fotografias Pelo Ceará”, conta a idealizadora da campanha em solo cearense. 

Crise no setor

Para o fotógrafo Jerônimo Neto, que está participando da campanha, esse momento de crise pegou esse profissionais de forma desprevenida. “Nós fomos muito afetados, porque o nosso trabalho que era um trabalho físico, tinha que está ali [em um espaço de evento] para realizar o trabalho. Então por causa do isolamento social, não tinha como trabalhar, então muitos trabalhos foram afetados”, relata o fotógrafo.

“Eu vi muitos colegas na situação de não saber como iria pagar o aluguel, por está sem dinheiro, porque teve vários trabalhos cancelados por causa da pandemia”, pontua Neto. 

Apesar da campanha, as expectativas para o ano ainda são poucas na visão do fotógrafo, pois a cultura não é vista como uma prioridade, em várias esferas da sociedade, então provavelmente será o último setor a retomar a atividades. “Eu vejo, que em um cenário que possa melhorar para a categoria, somente para o ano que vem, talvez até para o segundo semestre do ano, porque as pessoas ainda vão está se reerguendo”, aponta. 

A produtora de fotografia, Glícia Gadelha, também acredita que qualquer oportunidade de retomada aos profissionais da cultura, fique apenas para 2021. “A maior dificuldade está na questão financeira, mas com a Lei Aldir Blanc, eu imagino que esse cenário mude e que esse recurso injete esse fomento para a produção cultura de 2021”, comenta. “Mas agora, para 2020, o cenário continua sem perspectiva de financiamento, de realização de trabalhos”, conclui.    

Serviço  

A campanha teve inicio em 5 de junho e se estende até 19 de agosto. Pode-se conhecer melhor o projeto através do site, onde também fica disponível as fotografias para venda.   

 

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