Obra da Linha Leste aguarda retomada há quase dois anos
Seinfra estimava que em outubro o Estado já teria conseguido ver resolvidas pendências referentes ao Metrofor
Após quase dois anos, as obras da Linha Leste do Metrô de Fortaleza (Metrofor) continuam paralisadas - desde janeiro de 2015 - e o Estado ainda aguarda a resolução de pendências relativas à construção do equipamento. A expectativa do secretário de Infraestrutura do Estado, André Facó, conforme matéria do Diário do Nordeste, era que em outubro último, burocracias que travam a retomada das obras fossem solucionadas, permitindo o reinício em janeiro de 2017. Entretanto, isso não ocorreu.
A obra foi paralisada quando o consórcio formado pela espanhola Acciona e a paulista Cetenco foi desfeito, por decisão unilateral da empresa brasileira. Como a legislação nacional não permite que empresas estrangeiras toquem obras públicas isoladamente, em novembro de 2015, a Seinfra assinou um aditivo que alterou a composição do consórcio originário, passando a liderança do consórcio para a Construtora Marquise.
No momento, a Seinfra está realizando o replanejamento para a retomada da obra, com novo cronograma e prazos. Também está sendo discutido com o Ministério das Cidades, o fluxo financeiro do equipamento. O novo consórcio passou ainda por aprovação do Tribunal de Contas da União (TCU).
Repercussão
A paralisação deste equipamento, que teve grande investimento do governo estadual e federal, voltou a chamar a atenção da mídia nacional, ontem, em matéria do jornal O Globo, que ressaltava que apenas 1% da Linha Leste do Metrô de Fortaleza está pronta após três anos. Entretanto, a reportagem não cita a fonte que estimou esse percentual, e a Seinfra, diz não possuir esse estudo quantitativo.
A paralisação das tuneladoras - ou "tatuzões" - para a escavação dos túneis da Linha Leste, foi destacado pela mídia nacional, pelos equipamentos estarem inutilizados no local. Dados da Seinfra mostram que a aquisição dos equipamentos custou U$S 66,75 milhões, sendo pagos pelo Estado 95% do valor (U$S 63,42 milhões), que, acompanhando a variação cambial a cada medição, implica num montante de R$ 138,05 milhões.
A manutenção inicial dos quatro "tatuzões" está prevista no contrato, portanto está inclusa no preço do equipamento. Segundo informações da Seinfra, com o retorno das obras, todos os equipamentos passarão por manutenções mais complexas.
A Seinfra ressaltou, em nota, que a melhor opção, neste momento, é fazer uma manutenção mais complexa quando for definido um cronograma de retomada das obras. "A solução mais benéfica para a economia do Estado é aguardar uma resolução sobre o reinício da obra para que uma manutenção mais ampla seja feita nos equipamentos. Os shields são equipamentos robustos, projetados para atuar em escavação de rochas em condições adversas", concluiu.
Investimento
As obras da Linha Leste preveem um investimento de R$ 2,25 bilhões. O Metrofor recebe recursos do Programa "Mobilidade Grandes Cidades" do Governo Federal, do Orçamento Geral da União, de R$ 1 bilhão; e financiamento do BNDES, também no valor de R$ 1 bilhão. A contrapartida do governo do Ceará nessa fase é de R$ 259,22 milhões.