Eólicas estão todas ligadas ao sistema no Ceará
A falta de linhas de transmissão não é mais um problema para que os parques eólicos atualmente instalados no Ceará possam operar. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), todos os empreendimentos em fase de produção já estão conectados ao Sistema Interligado Nacional (SIN). A informação também foi confirmada pela Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).
A ausência de linhas de transmissão chegou a ser um agravante para o setor no Estado. Em agosto do ano passado, segundo matéria publicada pelo Diário do Nordeste, na edição do dia 22 daquele mês, cerca de 82% (500.000 kW) de toda a capacidade de geração eólica do Ceará estava parada devido ao problema, conforme havia informado o presidente da Câmara Setorial de Energia Eólica do Estado, Adão Linhares. À época, de acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), 20 empreendimentos estavam em fase de operação.
Segundo o órgão regulador, atualmente, apenas os estados do Rio Grande do Norte e Bahia possuem parques eólicos parados no País por conta da falta de linhas de transmissão. O primeiro tem 32 empreendimentos com a geração suspensa e o segundo, 16, conforme o levantamento da Agência. Quadro que, afirma Linhares, "revela a total falta de planejamento do governo federal".
Matriz energética cearense
Hoje, conforme a Aneel, existem 29 parques eólicos instalados no Ceará, com capacidade para gerar 691.044 kilowatts (kW). Destes, 23 produzem em escala comercial. Os seis restantes correspondem a micro e pequena geração de energia. Segundo cálculos aproximados da Abeeólica, a atual produção eólica cearense daria para suportar o consumo residencial de um estado como Roraima, que tem cerca de 488 mil habitantes.
Ainda segundo os dados da Aneel, existem em construção em solo cearense mais 26 parques eólicos, os quais terão capacidade para produzir outros 678.704 kW, que adicionados aos 691.044 kW existentes, elevarão a capacidade de geração eólica do Ceará para 1.369.748 kW, representando acréscimo superior a 98%.
Térmicas prevalecem
A principal fonte de geração de energia elétrica no Ceará continua sendo, no entanto, a térmica, com 24 usinas em operação - entre produção para consumo próprio e comercialização. Com 1.944.455 kW instalados, responde por pouco mais de 73% da capacidade total do Estado, com as usinas eólicas participando com aproximadamente 26%.
Com menos de 0,25% de participação na matriz energética do Ceará, operam ainda pequenas centrais hidrelétricas, centrais geradoras hidrelétricas e usinas solares, em sua maioria gerando para consumo privado.
Reservatórios em baixa
O nível dos reservatórios de água das hidrelétricas do Subsistema Sudeste/Centro-Oeste chegou a 38,87%, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O subsistema concentra 70% da capacidade de armazenamento dos reservatórios do País. Em fevereiro do ano passado, o nível estava em 45,48% e, em igual mês de 2012, chegou a 80,13%. Já no Nordeste, o nível dos reservatórios é o segundo pior - está em 42,81%. No Sul, atinge 52,72% e, no Norte, o indicador chega a 65,91%. A geração hidrelétrica é a principal fonte de energia elétrica brasileira.
Consumo
Na última terça-feira, 5, foi quebrado mais um recorde de consumo instantâneo de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional, com 65.708 megawatts médios (Mwm). O Subsistema Sudeste/Centro-Oeste, com demanda máxima de 51.187 Mwm às 15h41, registrou o segundo recorde na semana. Segundo o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, a falta de energia que afetou consumidores no Sul, Sudeste e Centro-Oeste naquela terça-feira não foi provocada pelo excesso de demanda, apesar do calor intenso nas últimas semanas e do baixo volume de chuva.
País atinge novo recorde de demanda energética
Rio A demanda por energia no País atingiu novo pico na última quarta-feira, um dia após o apagão que atingiu 13 estados. Em todo o Brasil, a demanda máxima atingiu 85.708 MW, às 15h41, 1,6% acima dos 84.331 MW registrado na segunda-feira, 3. No Sudeste/Centro Oeste, houve também novo pico, de 51.187 MW, também às 15h40, comparativamente a 50.854 MW também registrado na segunda. O Sul, que havia batido recorde de consumo três minutos antes do apagão, na terça-feira, com 17.412 MW, atingiu novo patamar máximo no dia seguinte também, de 17.771 MW As informações são do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que atribuiu os picos às elevadas temperaturas.
Os recordes de consumo no Sul do Brasil registrados na primeira semana de fevereiro vieram antes do que o ONS previa. Segundo ata de reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico realizada em dezembro, representantes do operador informaram esperar picos de carga na região para a segunda quinzena do mês.
Apagão
O apagão da tarde de anteontem atingiu entre cinco milhões e seis milhões de pessoas, segundo o ONS. No mesmo dia, o Operador disse que foram detectados dois curto-circuitos - quase simultâneos - no sistema de transmissão entre Miracema (TO) e a usina de Serra da Mesa (GO), em duas das três linhas de transmissão que atravessam a região.
Com a queda das duas linhas, a terceira ficou sobrecarregada e caiu também, o que, segundo o ONS, era esperado, considerando o mecanismo de proteção do sistema. "É melhor deixar uma residência sem energia por algumas horas do que cortar o fornecimento para o metrô, por exemplo", disse na ocasião.
A prioridade de corte, em casos de falha do sistema interligado, é determinada conforme o Erac (Esquema Regional de Alívio de Carga), segundo o qual os agentes (operador e concessionárias) determinam previamente em quais regiões se dá o corte em caso de interrupção no fornecimento. Foram cortados 5000 MW de carga que deixaram de virem da região Norte para a Sudeste - o que corresponde a 7% da carga total das áreas afetadas. O ONS descarta falha na manutenção de equipamentos e diz que não há notificação de queimadas na região, outra causa recorrente de interrupções deste tipo.
Recorde não é causa
O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, negou que o fato de o País estar registrando picos recordes de consumo de energia tenha provocado o apagão da última terça-feira, 4. "Não há relação com isso. Não há nenhuma linha de transmissão operando fora do limite", afirmou Chipp, lembrando que as termelétricas estão em operação neste momento, o que reduz o estresse sobre a transmissão.
Além da sobrecarga, Chipp também descartou que a causa do apagão foi uma falha humana. Contudo, o operador admitiu que uma das hipóteses em avaliação é a de ter havido uma descarga atmosférica (raio) que tenha provocado os dois curtos-circuitos. "É uma das hipóteses. Temos que verificar com os institutos especializados se haviam descargas no momento. Eles têm como identificar isso", comentou. A avaliação preliminar das transmissoras envolvidas é de que a causa provável da falha na rede foi a queda de um raio.
Sobre as condições de abastecimento de energia, Chipp afirmou que o ONS está focando no curto prazo para administrar o sistema durante esse período de escassez. "As chuvas virão. Nunca teve um ano em que as chuvas não vieram. Só espero que venham nos lugares adequados para ficarmos mais tranquilos", afirmou o Operador, em referência sobre a necessidade de as chuvas ocorrerem nas principais bacias hidrográficas do País.
Dilma: "sistema é a prova de raio"
Brasília O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Thomas Traumann, que acumula também a função de porta-voz da Presidência da República, disse, ontem, que a presidente Dilma Rousseff reafirma que o "sistema elétrico brasileiro é à prova de raios". "O Brasil é um dos países com maior quantidade de raios no mundo. O sistema elétrico brasileiro foi montado para ser à prova de descargas elétricas, com uma gigantesca rede de para-raios", disse.
"Se os raios foram realmente responsáveis pela queda de fornecimento de energia, cabe ao ONS apurar se os operadores estão mantendo adequadamente sua rede de para-raios", expôs o ministro, em breve declaração à imprensa.
Hipóteses
Empresas envolvidas na investigação das causas do apagão, que deixou 13 Estados e seis milhões de pessoas no escuro na última terça-feira, trabalham com a hipótese de a falha ter sido causada por uma descarga atmosférica (raios).
O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, descarta tanto a provável sobrecarga do sistema como falha humana como possíveis causas para o referido "blackout".
Falha em linhas pode ter causado apagão
Rio de Janeiro Só em 15 dias o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) saberá os motivos do apagão que prejudicou o fornecimento de energia em 13 Estados. Ontem, representantes do governo, de empresas distribuidoras e dos órgãos reguladores se reuniram na sede do ONS no Rio de Janeiro, para as primeiras investigações.
O diretor-geral do operador, Hermes Chipp afirmou que não houve qualquer sobrecarga no sistema, mas confirmou que há "interligações desfavoráveis no Sul e Sudeste", referindo-se às linhas de transmissão das distribuidoras. "A transferência opera próximo ao limite da interligação", disse, ao afirmar que quando há problema, o Erac (Esquema Regional de Alívio de Carga) é desligado. Ele não deu detalhes, mas ressaltou que "qualquer sistema do mundo está sujeito a este tipo de ocorrência".
Capacidade Reduzida
Devido à falta de chuva, os reservatórios de água brasileiros operam com capacidade reduzida, o que coloca em risco a produção de energia do País.
ANCHIETA DANTAS JR.
