Mochileiros dão dicas para desbravar o mundo com pouco orçamento

O mochilão é alternativa de viagem para quem pretende conhecer muitos lugares, mas anda com o orçamento apertado. Viajantes dão dicas de como se aventurar neste percurso.

Desbravar o mundo pode não ser tão caro se o viajante tiver disposto a abandonar algumas regalias em troca de boas experiências. Esse é um dos principais motivos que fazem as pessoas optarem pelo mochilão. A modalidade é também uma oportunidade para conhecer os destinos para além do roteiro turístico e, de quebra, fazer novas amizades.

A fotógrafa Tay Moreira, 24 anos, sabe disso desde que decidiu percorrer a América do Sul com uma mochilas nas costas no fim de 2015. A vontade era de visitar o máximo de locais possível fora do circuito turístico.

Em dois meses, ela passou por países como Chile, Bolívia e Peru em uma viagem cujo roteiro ia se definindo à medida que as experiências aconteciam.

"O que eu tinha era a certeza de que a viagem começaria em Santiago (Chile) e terminaria em Lima (Peru), mas me deixei muito livre para decidir o percurso durante a viagem", conta.

Legenda: Tay Moreira decidiu percorrer países da América do Sul mesmo com pouca grana, tendo a Bolívia (foto) como um dos destinos

Com muitos planos e pouca grana, a fotógrafa tomou decisões que baratearam a viagem. As hospedagens foram em hostels, pousadas ou em casas de pessoas que se oferecem na Internet para receber viajantes, por meio do serviço CouchSourfing.

A falta de um roteiro prévio ocasionou alguns contratempos no processo, como a dificuldade de encontrar hospedagens em cidades da Bolívia, mas até esses problemas foram encarados como parte da viagem.

"Por mais que eu passe alguns perrengues, é sempre uma boa experiência. A gente tem tanto medo de tudo que acontece no mundo que acaba achando que tudo é perigoso. Nesse processo, eu descobri que existem muitas pessoas incríveis e dispostas a ajudar", conta.

Organização

Viajante voraz e sempre dedicada a economizar, a blogueira Mila de Oliveira, 34, tem costume de fazer mochilões pelo mundo e sempre opta por uma organização de, pelo menos, três meses. Esse cuidado, segundo ela, ajuda quem viaja com baixo orçamento.

"Eu sempre excluo coisas que não estão no meu orçamento. Uma vez, estava na Bolívia e tinha a oportunidade de ir ao Deserto do Atacama. Acabei desistindo porque essa mudança poderia estourar meu orçamento", explica, dizendo que depois planejou uma viagem específica para conhecer o destino.

Fiel à economia, Mila está sempre disposta a abrir mão de alguns confortos no mochilão. Ela, por exemplo, quando está em hostel, evita refeições em restaurantes e opta por fazer a própria comida.

Outra medida é realizar percursos em transporte que os próprios moradores locais utilizam. "Você tem a possibilidade de conhecer profundamente como é o lugar. Entendo melhor como é a vida cotidiana do local. Se você está dentro de um hotel ou em ônibus turístico, você fica em um 'aquário'. Eu gosto de mergulhar na água do lugar", compara.

Desbravar

Quando decidiu se aventurar pelo mundo com pouco dinheiro e sem falar inglês, o publicitário Renatim Gomes, 32, sabia que conforto não era exatamente o que encontraria. Em troca, ganhou vivências em pelo menos 18 países de três continentes (América do Sul, África e Ásia).

"Gosto muito de como essas viagens ajudam a abrir a cabeça. Você conhece várias culturas e aprende a respeitar as pessoas e as suas diferenças", diz.

A língua, apesar de ser uma dificuldade, nunca foi barreira intransponível para Renatim. Ele se arrisca nas mímicas e no sorriso, mas não deixa de se conectar com as pessoas por onde passa.

"O Google é meu parceiro", brinca Renatim.

Apesar de as viagens internacionais estar sempre na mira do publicitário, ele também já se aventurou pelo Brasil em mochilão. A primeira vez foi em 2016, quando decidiu sair de Fortaleza e chegar a Belo Horizonte, aventura que durou um mês.

"Eu tinha que chegar a Minas Gerais porque seria padrinho de um casamento. Coloquei a mochila nas costas e fui pegando mototáxi, caronas, ônibus, até chegar lá", comenta.

Legenda: O intercâmbio com outras culturas foi um dos motivos que levaram Renatim Gomes a viajar, como ocorreu quando mochilou no Mianmar

Para ele, o mochilão deixou de ser apenas uma modalidade de viagem e passou a ser, de fato, um estilo de vida. As dificuldades que vão surgindo no caminho deixam de ser encaradas como risco e passam a ser vistas como oportunidade de crescimento pessoal.

"Os perrengues fazem você crescer bastante. A sensação é de que vivo um ano em três meses de viagem", diz.

Confira dicas para fazer um bom mochilão:

1- Invista em uma boa mochila. Por mais que pareça cara, ela vai facilitar a sua viagem

2- Menos é mais. Cuidado para não levar tanta bagagem porque o peso da mochila pode atrapalhar sua experiência

3- Faça planejamento. Por mais que procure liberdade, tenha o mínimo de organização para não ficar sem hospedagem ou gastar mais grana que o esperado

4- Conheça o destino. Leia guias e pesquise em blogs e revistas informações sobre a cidade visitada. Converse com quem já foi ao local, isso pode ajudar

5- Se ligue nas distâncias. Se você pretende visitar mais de um lugar, pesquise as formas de transporte. Dificuldades de traslado podem fazer você perder tempo e dinheiro

6- Vire nativo. Prefira comer e se transportar com os moradores da cidade. É uma boa economia

7- Interaja. Mesmo em viagens sozinho, procure conversar com as pessoas da cidade. Além de fazer novas amizades, elas podem te dar boas dicas

8- Hospedagem barata. Opte por hostels, pousadas e casas que recebam turistas. Isso pode fazer você economizar

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