Traficantes do RJ planejam crimes e vendem armas e drogas pelo WhatsApp

A prática criminosa é seguida por facções em outros estados, como no Ceará.

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Redação producaodiario@svm.com.br
A foto mostra policiais militares em cima e dentro de um carro da Polícia do Rio de Janeiro, fortemente armados, passando por uma comunidade, enquanto pessoas trafegam pela via.
Legenda: A Polícia do Rio chegou a mensagens de um traficante que era alvo de uma megaoperação policial, deflagrada em outubro deste ano.
Foto: Mauro Pimentel/ AFP.

Investigações policiais descobriram que grupos criminosos que atuam no Rio de Janeiro utilizam a rede social WhatsApp para planejar crimes e vender armas de fogo e drogas. A informação é do jornal Extra.

Em uma das investigações, a Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ) chegou ao celular de Carlos da Costa Neves, o 'Gardenal', um dos principais chefes da facção carioca Comando Vermelho.

'Gardenal' era um dos alvos da megaoperação policial nos complexos da Penha e Alemão, em outubro deste ano, mas não foi encontrado pela Polícia. Cearenses, que ordenavam crimes no Ceará direto do Rio, também foram alvos (e quatro foram mortos).

A extração dos dados do celular de 'Gardenal' mostrou que ele comandava 'bocas de fumo' no Rio, mesmo à distância, com o uso do WhatsApp. As 'bocas' ficavam localizadas no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, e nas favelas do Guaporé e Quitungo, na Zona Norte.

A prática de planejar crimes e vender ilícitos pelo WhatsApp é seguida por integrantes do Comando Vermelho no Ceará, como também por membros de outras facções. 

Um exemplo disso foi a descoberta, pela polícia cearense, que um grupo nomeado como 'Futebol dos amigos aos finais de semana' era, na verdade, utilizado pelo CV para planejar crimes. O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou sete membros do grupo, no último mês de outubro.

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Negócios com diversas facções

Outra investigação policial, destacada pela reportagem do jornal Extra, descobriu que um grupo criminoso do Espírito Santo vendia armas de fogo e drogas para três facções do Rio de Janeiro: Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro (TCP) e Amigos dos Amigos (ADA).

Em mensagem enviada a 128 integrantes do grupo Joga pra Rolo 2.0, no dia 30 de setembro deste ano, um criminoso destacou que vende produtos ilícitos independente da facção.

"Mano, sou adm e sou da Nova Holanda. Tem gente aqui que não leva facção. Aos que seguem, só comprar dentro do quadrado. Aos que não, forte abraço e seguir em paz. Segurança de todos, seja CV, TCP, ADA", disse o investigado, no grupo do WhatsApp.

Roubo de joias e relógios de luxo

Uma investigação da 14ª DP (Leblon), da Polícia Civil do Rio, descobriu que uma quadrilha especializada em roubar joias e relógios de luxo planejava os crimes também pelo Whatsapp.

R$ 64 mil
era o valor de um relógio Rolex e de um anel de ouro, roubados de um pedestre, pela quadrilha, no Leblon. Três acusados foram condenados à prisão pelo roubo, por decisão da Justiça do Rio.

Ao ser presa, uma acusada confessou à Polícia que o grupo planejava os assaltos pelo WhatsApp e, depois, apagava as mensagens "para não restar nenhuma pista".

A empresa Meta, detentora do WhatsApp, foi procurada pela reportagem do jornal Extra para comentar os crimes cometidos na rede social, mas não emitiu resposta.

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