Chefes do CV ordenam castigos a quem contrariar normas na Zona Norte do Rio
Alto escalão do grupo criminoso usa aplicativos de mensagens para determinar torturas.
Os chefes do Comando Vermelho (CV) usam aplicativos de mensagem para determinar castigos a moradores que contrariam as normas da organização nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Até a escolha dos traficantes que ficarão responsáveis pela segurança do traficante Doca são comunicadas no grupo.
Os moradores devem seguir a risca as normas de convivência estipuladas pela facção. Caso descumpridas, as torturas vão desde colocar mulheres em galões de gelo até arrastar vítimas pelas ruas da comunidade. Vídeos e fotos revelam as ações do grupo. As informações são do g1.
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Agressões, torturas e homicídios
As investigações que deram origem à Operação de Contenção no Rio, deflagrada na terça-feira (28) e considerada a mais letal da história da cidade, mostram que Juan Breno Ramos, o BMW, é o responsável por aplicar as punições definidas pelos chefes, que vão de agressões a homicídios.
Para impedir que confusões que possam atrair a polícia aconteçam dentro da comunidade, os chefes adotam uma nova forma de punição: Colocar mulheres que se envolvem em brigas em bailes funk, dentro de galões de gelo.
Em uma das imagens vazadas do grupo, é possível ver uma mulher não identificada, dentro de uma banheira improvisada de gelo. Junto a imagem, há uma legenda dizendo "Paizão não quer bater em morador aí a melhor forma será essa".
Em outro caso investigado pela polícia, um homem identificado como Aldenir Martins do Monte Junior é arrastado durante 7 minutos pelas ruas. Nessa tortura, a vítima está amordaçada e tem os pés e mãos amarrados. O homem ainda é obrigado a contar coisas sobre a quadrilha rival enquanto é torturado.
No vídeo, Juan Breno, o BMW, debocha da situação enquanto faz uma chamada de vídeo com outro integrante do grupo: Carlos Costa Neves, o Gadernal.
Aldemir Martins, vítima exposta no vídeo, está desaparecido. A Polícia do Rio de Janeiro acredita que ele esteja morto.
Escalas para segurança do chefe
A cúpula de liderança do CV utiliza o aplicativo de mensagens para definir quais integrantes da facção que vão chefiar a segurança dos pontos de venda de drogas e quais que estarão em um determinado dia com Doca.
Normalmente, o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, recebe pelo grupo a escala de quem irá cuidar de sua segurança no dia seguinte. Em algumas ocasiões, até 6 traficantes armados acompanham a rotina do homem de perto.
Doca era o principal alvo da megaoperação deflagrada no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28). O criminoso escapou do cerco e segue foragido.
Doca, BMW e Gadernal
Doca, ou o Urso, como também é conhecido, é o principal líder do CV dentro do Complexo da Penha atualmente. O homem de 55 anos é investigado por mais de cem homicídios, incluindo execuções de crianças. As informações são do O Globo.
Contra ele há mais de 20 mandados de prisão expedidos pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), segundo dados do site do Conselho Nacional de Justiça.
O Disque Denúncia divulgou um cartaz oferecendo recompensa de R$ 100 mil pela captura dele. O valor oferecido pelo traficante se iguala ao oferecido anos atrás pelo traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, que, mesmo preso há 20 anos, segue sendo o atual chefe geral do CV.
Juan Breno Ramos, o BMW, que excuta as torturas, é o homem de confiança de Doca. BMW é procurado pela polícia desde que três médicos foram executados em um quiosque na Barra da Tijuca, em outubro de 2023.
Em denúncia, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), apontou Carlos Costa Neves, o Gadernal, que aparece no vídeo da tortura junto a BMW, como um dos líderes da cúpula do CV.