Botucatu terá vacinação em massa contra Covid para avaliar eficácia da vacina de Oxford/AstraZeneca

Estudo combina vacinação, testagem em massa e sequenciamento genético

foto de vacina contra covid-19
Legenda: Vacinação em massa em Botucatu (SP) deve avaliar eficiência do imunizante da Unidade de Oxford/AstraZeneca
Foto: Agência Brasil

A cidade de Botucatu (SP) terá vacinação em massa contra Covid-19, em uma pesquisa para avaliar a efetividade da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford/AstraZeneca e a eficácia do imunizante contra variantes do vírus. Um estudo semelhante está sendo realizado em Serrana (SP) com a vacina CoronaVac, desde fevereiro. 

A pesquisa em Botucatu envolve o Ministério da Saúde, a Universidade Estadual Paulista (Unesp), o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu e a Fundação Gates. Segundo o Ministério da Saúde, a vacinação deve começar em breve. 

O estudo, aprovado nesta terça-feira (27) pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), combina testagem em massa, sequenciamento genético da Covid-19 e vacinação de toda a população adulta da cidade. 

Segundo a Prefeitura de Botucatu, as doses serão doadas pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde. A cidade tem 150 mil habitantes, com cerca de 106 mil maiores de 18 anos, aptos a receber a vacina. 

O objetivo é vacinar todos os adultos e sequenciar todos os casos positivos da região. Com isso, será possível entender a efetividade da vacina produzida contra as cepas que circulam na cidade. O estudo deve ter duração de cerca de oito meses - aplicação das duas doses e acompanhamento da população imunizada. O intervalo entre as duas doses da vacina é de até 12 semanas. 

"Todos os casos positivos, num período de oito meses de estudo, serão sequenciados para saber exatamente qual é a cepa e avaliar exatamente qual é a efetividade da vacina da AstraZeneca com relação a casos graves, internação, necessidade de ventilação mecânica e óbito. Então, são informações importantes não só localmente, mas para o Ministério da Saúde, Governo Federal e toda a comunidade científica internacional", avalia o secretário de Saúde de Botucatu, André Spadaro, em nota divulgada pela prefeitura. 

"Nós poderemos ter mais informações dessas variantes e da relação com a vacina. É uma pesquisa muito importante, eu diria não só para o Brasil, mas para o mundo inteiro", afirmou o prefeito Mário Pardini

A vacina de Oxford/AstraZeneca tem registro definitivo na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e é aplicada em todo o País. Um estudo preliminar indicou que o imunizante é eficaz contra a variante P.1. 

Vacinação em massa com a Coronavac

A cidade em Serrana, também em São Paulo, foi a primeira a iniciar e concluir a vacinação em massa contra Covid-19 no País. A campanha, parte de estudo para avaliar a efetividade da vacina Coronavac, imunizou cerca de 60% da população com as duas doses. 

Segundo o portal G1, 27.160 pessoas tomaram ambas as doses do imunizante até 11 de abril. Os lotes do imunizante foram exclusivos para o estudo e não interferiram na distribuição realizada a outras cidades do Brasil.

foto de vacinação
Legenda: Estudo em Serrana (SP) vacinou 60% da população com a Coronavac para testar eficiência do imunizante
Foto: Agência Brasil

O objetivo é avaliar a eficiência da Coronavac na redução de casos, na queda na transmissão do vírus, o impacto na redução dos índices hospitalares e a interação do imunizante com a variante P.1.

O Instituto Butantan deve divulgar os primeiros resultados oficiais do estudo em maio. Os voluntários vacinados serão monitorados ao longo de um ano com auxílio de uma inteligência artificial criada com o WhatsApp.

Segundo dados da Prefeitura, a cidade tem registrado queda na média de casos da Covid-19 desde 18 de março. No início de abril, os profissionais de saúde da região registraram queda de 55% no número de pacientes atendidos.

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