Professora registra primeiro dia de aula no EJA e vídeo com alunos emociona a internet

A professora publicou o vídeo em suas redes sociais com o intuito dá visibilidade ao alunos que tiveram a coragem de voltar a estudar.

Escrito por
Nathalia Paula Braga* producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 09:24)

"Eu não quero morrer sem saber o que as letras dizem para mim". Esta é uma frase de Dona Bárbara das Neves, de 83 anos, aluna do EJA (Educação de Jovens e Adultos) da Escola Municipal Dantas Júnior, no povoado de Caatinga de Cima, em Itapicuru-BA.

Como ela, outros 29 alunos começaram sua jornada de aprendizado no dia 9 de fevereiro, em busca da independência no cotidiano, do resgate da identidade e até mesmo da conexão social, por meio da alfabetização.

A professora Fernanda Soares, de 29 anos, conta que, para muitos dos seus alunos, nunca foi possível escolher estudar. "Logo cedo, os pais os levavam para a roça. Para aquela geração, o braço forte para o trabalho valia mais do que o lápis na mão", ressalta a professora.

Relatos como "Meu pai dizia que escola não enchia barriga" ou "Troquei o caderno pela enxada aos sete anos" são compartilhados na sala de aula, segundo a professora. Fernanda relata ainda que seu primeiro papel como professora é ser uma "incentivadora", e seu maior objetivo é dar protagonismo a esses alunos que, por tanto tempo, foram invisíveis.

"Preciso provar para Maria Santos, de 46 anos, ou para a matriarca Bárbara das Neves que a capacidade de aprender é um dom que não expira."
Fernanda Soares
Professora do EJA da Escola Municipal Dantas Júnior, no povoado de Caatinga de Cima.

Comentários positivos

A professora publicou o vídeo em suas redes sociais com o intuito dá visibilidade ao alunos que tiveram a coragem de voltar a estudar. A postagem já ultrapassa dois milhões de visualizações e gerou comentários motivadores.

“Aos 27 anos terminei o ensino fundamental no EJA. Hoje, com 33, sou técnica em logística e trabalho na área”, escreveu uma pessoa nos comentários do vídeo da professora. Outro relato diz: “Quando pequeno, eu ia com a minha mãe no EJA para ela não voltar sozinha à noite".

E há ainda quem se encante com a cena simples e potente dos alunos após o fim da aula: “Eles com a mochilinha deles, com o material, fazendo as coisinhas de estudante deles… ô, gente!”

*Estagiária sob supervisão da jornalista Aline Conde