Câncer de esôfago pode causar dor ao engolir; veja sintomas e fatores de risco

Um dos sinais da doença é a dor ao ingerir alimentos ou líquidos.

Escrito por
Beatriz Rabelo beatriz.rabelo@svm.com.br
Imagem de um médico apontando para uma imagem, a fim de ilustrar matéria sobre câncer no esfôfago.
Legenda: O tratamento da doença do refluxo gastresofágico ajuda a prevenir o câncer de esôfago.
Foto: Shutterstock/PanuShot.

Se você ou algum conhecido tem apresentado perda de peso, assim como dor ao engolir alimentos ou ingerir líquidos, é preciso ficar atento, pois esses são alguns sinais do câncer de esôfago.

Para confirmar o diagnóstico, é necessário procurar um médico e realizar exames específicos. O tratamento deve ser iniciado o quanto antes, já que o esôfago, órgão responsável por ligar a garganta ao estômago, tem papel fundamental no processo da alimentação.

Veja também

"A maior função do esôfago é levar o alimento que foi engolido na boca e na garganta, descer pelo tórax e chegar ao estômago, onde vai se dar início de uma forma mais completa o processo da digestão", explicou o cirurgião oncológico da Rede ICC, Heládio Feitosa*. 

Ao Diário do Nordeste, o especialista detalhou os principais fatores de risco, assim como os sintomas e os tratamentos. 

O que é câncer de esôfago?

O câncer de esôfago é considerado uma neoplasia maligna, ou seja, um tumor que se origina deste órgão.

Conforme Heládio, com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), esse é o sétimo tumor mais comum nos homens brasileiros. No mundo, ocupa a 11ª posição em número de casos, mas está em 7º lugar em número de mortes.

"É um câncer que, de fato, apesar de não ser tão comum como o câncer de próstata ou o câncer de mama, ele está entre os mais comuns, os dez que mais matam no mundo".
Heládio Feitosa
Cirurgião oncológico da Rede ICC

Fatores de risco para o câncer de esôfago

O câncer de esôfago possui fatores de risco bem documentados, com duas principais divisões.

Carcinoma espinocelular

Esse subtipo é vinculado ao: 

  • Hábito de fumar, principalmente cigarro;
  • Consumo frequente de bebidas alcoólicas, principalmente destiladas (como whisky, vodka, cachaça).

Adenocarcinoma

Esse segundo subtipo está mais relacionado à doença do refluxo gastroesofágico crônica, ou seja, considera fatores como:

  • Mais de 10 anos de doença do refluxo gastroesofágico;
  • Obesidade.

Quais os principais sintomas que merecem atenção?

O especialista destaca que o principal sintoma, que merece total atenção de um paciente, é o entalo. Na comunidade científica, é descrito como disfagia. 

Imagem de uma raiografia para ilustrar o câncer de esôfago.
Legenda: O esôfago é um órgão em formato de tubo, responsável por fazer a conexão entre a garganta e o estômago.
Foto: Shutterstock/Radiological imaging.

"Esse entalo começa inicialmente para alimentos mais sólidos, como carne, frango, peixe, mas, com o passar do tempo, vai evoluindo para comidas pastosas e, por último, para líquidos", detalhou Heládio. 

Os pacientes também podem apresentar: 

  • Grande perda de peso (de 30 a 40 quilos); 
  • Desnutrição; 
  • Dor no peito forte. 

Essa dor no peito é causada pela contração do esôfago ao tentar empurrar a comida para o estômago, fenômeno conhecido como odinofagia.

Refluxo pode virar câncer? Entenda a relação

Sim. O refluxo crônico, principalmente após 10 anos, pode resultar no câncer de esôfago. 

Isso porque o refluxo causa uma alteração na pele do esôfago, que é chamado mucosa. Conforme o especialista, essa alteração é chamada de "esôfago de Barrett".

"Esse esôfago de Barrett começa como uma tentativa de adaptação ao refluxo, mas em segundo momento, devido à inflamação contínua, começa a desenvolver displasias, que são mutações que, por fim, chegam a desenvolver o adenocarcinoma invasivo".
Heládio Feitosa
Médico

Por isso, pessoas que têm doença do refluxo gastroesofágico crônico não tratado devem procurar a atenção médica, uma vez que esse é um dos principais fatores de risco para esse subtipo de câncer.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico deve ser realizado em etapas. Por exemplo, o paciente que apresentar fatores de risco e começar a desenvolver o entalo, deve ser encaminhado para o médico e fazer a endoscopia digestiva alta. Posteriormente, é feita a biópsia e os outros exames de imagem. 

  • Endoscopia digestiva alta: exame em que se coloca uma câmera por dentro da boca do paciente e essa câmera vai descendo pela garganta, pelo esôfago e pelo estômago até localizar o tumor;
  • Biópsia: exame em que tira um pedaço do tumor para estudo. O pedaço é enviado ao patologista, que confirma se é câncer e qual é o tipo de câncer; 
  • Exames de imagem: são usados para apontar em qual estágio está a doença. 

Conforme Heládio, os exames vão indicar se a doença "limitada ao esôfago, se já está com linfonodos comprometidos, se já há algum grau de metástase, ou seja, espalhamento para outros órgãos como pulmão, fígado. Então, os exames de imagem são, de preferência, as tomografias", detalhou Heládio. 

Imagem de uma médica atendendo um paciente para ilustrar matéria sobre câncer de esôfago.
Legenda: A chance de cura do paciente está relacionada ao momento em que ocorre o diagnóstico da doença. Quanto mais cedo for, maiores são as chances.
Foto: Shutterstock/Inside Creative House.

É possível prevenir? Veja hábitos que reduzem o risco

Sim, é possível prevenir, principalmente mantendo hábitos de vida saudável. Dentre eles, estão:

  • Evitar o etilismo (consumo de álcool);
  • Evitar o tabagismo; 
  • Evitar o sobrepeso e a obesidade; 
  • Tratar a doença do refluxo gastresofágico;
  • Manter boas alimentações; 
  • Praticar exercício físico. 

Tratamentos e chances de cura

O tratamento e a chance de cura do paciente estão relacionados ao estágio em que se diagnostica o tumor. Conforme o especialista da Rede ICC, os tumores pequenos, com poucos sintomas e restritos ao esôfago, podem ser tratados por endoscopia ou cirurgia, com taxas de cura que podem chegar a cerca de 90%.

Já nos casos em que o tumor é maior e há comprometimento dos linfonodos ao redor do esôfago, o tratamento passa a ser multimodal. Nesses pacientes, quando se trata de carcinoma espinocelular, é indicada a realização de radioquimioterapia antes da cirurgia, seguida do procedimento cirúrgico e, posteriormente, imunoterapia.

Veja também

Nos casos de adenocarcinoma, a estratégia envolve quimioterapia com imunoterapia antes da cirurgia. Mesmo depois da operação, o paciente segue o tratamento com quimioterapia e imunoterapia.

"Esses são os tratamentos mais modernos hoje em dia, para os dois tipos de tumores, e que podem dar uma taxa de cura que chega a cerca de 50%. Já aqueles pacientes que infelizmente têm doença metastática, esses pacientes não são passíveis de cura e o tratamento indicado é um tratamento paliativo, com a intenção de prolongar o máximo possível a vida do paciente", afirmou.

Dificuldade para engolir é sinal de câncer?

A dificuldade de engolir não é necessariamente um sinal de câncer. Há outras condições relacionadas aos problemas de deglutição, como o Parkinson.

Às vezes, a causa também é neurológica ou pode estar relacionado à dismotilidade esofágica, em que o esôfago não consegue relaxar os músculos para mover os alimentos até o estômago. Em todos esses casos, Heládio recomenda buscar um médico o quanto antes. 

Quem deve fazer acompanhamento preventivo?

É recomendado o acompanhamento preventivo principalmente em pacientes que possuem a doença do refluxo gastroesofágico ou que, após endoscopia, foi evidenciado o esôfago de Barrett.

É possível detectar cedo?

Para detectar cedo, os pacientes devem ser acompanhados por endoscopia de forma rotineira. Essa prática ajuda a prevenir e a diagnosticar de forma mais precoce possível. 

Assim, caso surja algum tumor, o médico já pode indicar o tratamento visando a maior chance de cura. 

*Heládio Feitosa, cirurgião oncológico da Rede Instituto do Câncer do Ceará (ICC) e membro do American College of Surgeons e do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncologica.

Assuntos Relacionados