Vitiligo: entenda o que é e quais os sintomas da doença de Michael Jackson

Doença provoca perda de pigmentação da pele e ainda gera impactos na autoestima dos pacientes.

Escrito por
Beatriz Rabelo beatriz.rabelo@svm.com.br
Imagens de Michael Jackson para ilustrar evergreen sobre vitiligo.
Legenda: Em 1993, Michael chegou a abordar sobre o vitiligo durante entrevista com Oprah.
Foto: Reprodução/Redes sociais.

O vitiligo é uma condição conhecida pelas manchas brancas espalhadas pelo corpo. A doença dermatológica crônica é caracterizada pela perda de pigmentação da pele, que ocorre quando as células responsáveis pela produção de melanina deixam de funcionar adequadamente ou são destruídas. Uma das figuras que ganhou visibilidade mundial pela doença foi o cantor Michael Jackson

Em 1993, ele chegou a comentar sobre o vitiligo em uma entrevista com Oprah. Na época, revelou que a pele começou a mudar algum tempo após o lançamento de "Thriller", em 1982, quando ele tinha aproximadamente 24 anos. Assim, na década de 1990, ele já enfrentava a condição há cerca de dez anos. 

A doença pode ter impactos significativos na autoestima e na qualidade de vida dos pacientes, principalmente pelas mudanças progressivas na aparência da pele.

Em entrevista ao Diário do Nordeste, a médica dermatologista da Rede ICC, Tabata Natasha, detalhou sintomas, causas e formas de tratamento.

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Michael Jackson tinha vitiligo? 

A autópsia de Michael Jackson confirmou luta contra o vitiligo. O documento, disponível online no site Autopsy Files, pertence ao Condado de Los Angeles, onde o cantor faleceu. No laudo da autópsia, foi indicada a presença de "manchas de pigmentação clara e escura" em sua pele, e o vitiligo foi listado como um diagnóstico em seu histórico médico.

Além disso, conforme publicação da UMass Chan Medical School, centro de pesquisa nos Estados Unidos, um tubo de creme Benoquin 20% foi encontrado entre os medicamentos do artista, revelando que Michael utilizava um tratamento aprovado pelo FDA (Agência Federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA), para vitiligo.

Imagem de Michael Jackson, para ilustrar uma matéria sobre vitiligo.
Legenda: O vitiligo foi listado como um diagnóstico no histórico médico de Michael Jackson.
Foto: AFP/Vicent Amalvy.

O que é vitiligo?

O vitiligo é uma condição em que os pacientes registram a perda da cor natural da pele e a formação de manchas brancas. Conforme Tabata Natasha, isso ocorre porque as células responsáveis pela pigmentação, chamadas de melanócitos, deixam de funcionar ou são destruídas.

"Hoje, a gente entende o vitiligo como uma doença que tem base autoimune. É onde o próprio corpo acaba atacando as próprias células".
Tabata Natasha
Médica dermatologista da Rede ICC

Veja quais são os sintomas

Os principais sintomas da doença são as manchas brancas na pele, que podem surgir em qualquer parte do corpo e afetar até os pelos e os cabelos. Essas áreas ficam com coloração mais claras, com manchas que costumam ter borda bem definida. 

No entanto, o vitiligo não causa dor nem coceira, sendo uma condição mais estética que sintomática.

Imagem de uma mulher com vitiligo para ilustrar matéria sobre o tema.
Legenda: As manchas brancas costumam aparecer principalmente nas áreas ao redor dos olhos e da boca.
Foto: Shutterstock/oneinchpunch.

As manchas brancas podem reduzir?

É possível reduzir as manchas com o tratamento adequado, conforme a médica da Rede ICC. "Muitas manchas de vitiligo podem repigmentar, principalmente quando o diagnóstico é precoce", disse.

No entanto, essa resposta é muito variada e depende da resposta de cada paciente ao tratamento. Há, inclusive, diferentes opções terapêuticas que estimulam o retorno da cor da pele.

Quais as áreas mais comuns atingidas pelo vitiligo?

As regiões que costumam ser mais afetadas, segundo Natasha, são: 

  • Mãos;
  • Rosto;
  • Cotovelo;
  • Joelho;
  • Áreas ao redor de olhos, boca;
  • Região de atrito, como axila e virilha.

Imagem de uma mão com manchas de vitiligo.
Legenda: Com a condição, os pacientes registram a perda da cor natural da pele.
Foto: Shutterstock/Doralin Samuel Tunas.

O que causa essa doença dermatológica?

A causa do vitiligo é multifatorial. Apesar de a predisposição genética ser um dos fatores, o aparecimento das lesões também pode se desencadeado por:

  • Estresse emocional;
  • Traumas na pele;
  • Alguns tipos de infecções.

Ao Diário do Nordeste, a médica detalhou que o ponto principal é um desequilíbrio do sistema imunológico, em que o próprio corpo passa a atacar os melanócitos.

Vitiligo tem cura?

Ainda não existe uma cura definitiva para o vitiligo. Porém, existem tratamentos para controle e repigmentação das manchas.

"Hoje, nós conseguimos estabilizar a doença e, em muitos casos, recuperar a pigmentação da pele. O acompanhamento médico é essencial para a escolha do melhor tratamento para cada paciente", reforçou a especialista.

Pode piorar? 

A evolução do vitiligo costuma ser considerada como incerta pelos especialistas. Isso porque, da mesma forma que as manchas podem repigmentar, elas também podem piorar. Cada paciente apresenta fases de estabilidade e de progressão da doença.

Imagem de uma mulher nera com manchas de vitiligo pelo corpo, para matéria sobre a doença.
Legenda: Especialista aponta que, com tratamento adequado, muitas manchas de vitiligo podem repigmentar.
Foto: Shutterstock/GaudiLab.

Quando procurar um dermatologista?

Deve-se buscar um médico dermatologista assim que surgirem manchas claras na pele. Natasha reforça que o diagnóstico precoce é essencial para conseguirem mais chances de controlar a doença.

Além disso, o médico também pode descartar outras condições semelhantes.

Existe um impacto emocional?

O vitiligo é uma doença com grande impacto emocional, uma vez que causa mudanças evidentes na pele. Assim, apesar de não ser uma doença contagiosa e de não trazer riscos à saúde de forma geral, ela pode afetar a autoestima e a qualidade de vida.

Por isso, Natasha destaca o cuidado completo no tratamento, considerando não apenas a pele do paciente, mas também o bem-estar emocional.

*Tabata Natasha é médica dermatologista da Rede Instituto do Câncer do Ceará (ICC).

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