Volta de secretários à Alece faz PT e PSB entrarem em ‘rodízio’ de deputados para manter suplentes
Pelo menos duas licenças serão necessárias para o líder do Governo Elmano de Freitas na Assembleia permanecer em exercício.
Atualmente licenciados dos mandatos para cargos de secretários, pelo menos cinco deputados estaduais vão retornar à Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) no início de abril, diante dos prazos da Justiça Eleitoral. A movimentação altera diretamente a configuração da Casa, forçando a necessidade de “rodízios” nos partidos para a manutenção de suplentes em exercício.
Até 4 de abril, os candidatos devem se afastar de cargos na administração pública para estarem aptos a disputar as eleições, como é o caso dos secretários do Executivo que são parlamentares licenciados. É a chamada desincompatibilização eleitoral.
Na atual legislatura, seis deputados estaduais estão licenciados para atuar como secretários:
- Fernando Santana (PT) – Secretário de Recursos Hídricos;
- Moisés Braz (PT) – Secretário do Desenvolvimento Agrário;
- Lia Gomes (PSB) – Secretária das Mulheres;
- Oriel Filho (PT) – Secretário da Pesca e Aquicultura;
- Osmar Baquit (PSB) – Coordenador especial de Apoio à Governança das Regionais de Fortaleza (CEGOR);
- Zezinho Albuquerque (PP) – Secretário das Cidades.
Desse grupo, apenas Oriel Filho não retornará à Alece. Ao PontoPoder, o secretário confirmou que seguirá como titular da Pasta e não buscará um novo mandato como deputado estadual. O objetivo é abrir espaço para a eleição ao cargo de Laís Nunes (PT), ex-prefeita de Icó e aliada dele.
DANÇA DAS CADEIRAS NA SUPLÊNCIA
Consequentemente, o retorno dos outros cinco ocasiona a saída dos seus respectivos suplentes: Guilherme Sampaio (PT); Nizo Costa (PT); Guilherme Bismarck (PSB); Tin Gomes (PSB); e Almir Bié (PP). Por sua vez, o suplente Antônio Granja (PSB) deve permanecer no cargo, com o não retorno de Oriel Filho.
Diante disso, as legendas já articulam uma nova rodada de licenças de interesse particular, no chamado “rodízio partidário”. Nessa modalidade, titulares saem por até 120 dias e os suplentes são convocados, ficando o salário e outros benefícios do cargo apenas para quem estiver em exercício.
Essa será a estratégia adotada pelo PT e pelo PSB, como confirmaram os líderes das agremiações ao PontoPoder, os deputados estaduais Messias Dias (PT) e Marcos Sobreira (PSB), respectivamente.
De certo modo, a medida passa pelo intuito de dar visibilidade aos que ficaram na suplência, principalmente em ano eleitoral. Internamente, esse tipo de “rodízio” é encarado como uma forma de valorizar os políticos que ajudaram as siglas a alcançar o quociente eleitoral e, consequentemente, conquistar cadeiras na Alece.
NECESSIDADE DE RODÍZIO
O caso mais expressivo entre as trocas envolve o deputado Guilherme Sampaio (PT). Atual líder do Governo Elmano de Freitas na Alece, o parlamentar é o segundo suplente da Federação entre PT, PCdoB e PV, mas está em exercício diante da ida de Fernando Santana para o secretariado estadual.
Antes de Fernando Santana assumir a Pasta no Executivo, foi necessário um rodízio de licenças entre os titulares para deixar Sampaio em exercício. Portanto, a medida será necessária mais uma vez.
No caso do PT, serão necessárias pelo menos duas licenças para manter o líder de Elmano em atuação na Alece, já que Moisés Braz e Fernando Santana retornarão aos mandatos no Legislativo estadual.
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Ao PontoPoder, Messias Dias (PT) sinalizou a necessidade do rodízio, mas os nomes que sairão de licença ainda serão definidos nos próximos dias. “Nós vamos ter reunião essa semana já para fechar isso, mas a compreensão que temos é que o Guilherme (Sampaio) se manterá como liderança”, salientou.
“Temos que ver quem vai sair, quem vai ficar. Provavelmente nós vamos ter que fazer rodízio entre nós. E para mim é muito tranquilo. Não tenho problema de tirar (licença). Deputado De Assis também não tem problema de tirar, que aí nós não entramos no rodízio ainda. Ou outros deputados também que ainda possam eventualmente fazer rodízio. Então isso para nós está muito resolvido”
O parlamentar também admitiu a possibilidade do partido ter uma terceira licença para deixar Walter Cavalcante em exercício. O político é o atual Assessor de Assuntos Institucionais do Governo do Ceará e o quarto suplente da Federação entre PT, PCdoB e PV. “Estamos vendo porque o Walter Cavalcante vai ser candidato e é da nossa Federação, quer assumir pelo período”, pontuou.
SUPLENTES EM EVIDÊNCIA
Por outro lado, o PSB já definiu os nomes do “rodízio” logo no retorno dos secretários: Sérgio Aguiar (PSB) e Osmar Baquit (PSB) devem sair de licença por 120 dias, abrindo espaço para os suplentes Guilherme Bismarck e Tin Gomes permanecerem na Assembleia.
“Final do mês volta o secretário Osmar e volta a secretária Lia. O secretário Osmar, pelo compromisso que já foi pactuado, deve tirar licença e, possivelmente, o deputado Sérgio Aguiar tira licença e permanece a bancada igual, porque o deputado Oriel, que foi eleito na época pelo PDT, continua secretário. Então continua todo mundo igual. Passa quatro meses, vai ver outro (rodízio), vai ter outra composição de renovações para que a bancada permaneça integral”
A estratégia tem sido usada pelo partido desde o início da atual legislatura, seja por meio das licenças de interesse particular ou da ida de titulares para cargos no Executivo. O intuito é deixar suplentes em evidência e reforçar a bancada do PSB.
“O PSB, se você olhar, na minha concepção, foi o partido que mais contemplou os suplentes. Todos os nossos suplentes com uma votação mais expressiva estão na Assembleia”, pontuou Marcos Sobreira. “A nossa bancada hoje, os três suplentes, a meta é que eles fiquem até o final do mandato”, projetou.