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'Muito difícil' e 'muito dolorosa', diz Luizianne sobre decisão de sair do PT após 37 anos

Deputada federal foi a entrevista da Live PontoPoder desta quinta-feira (21).

Escrito por
Bruno Leite bruno.leite@svm.com.br

A deputada federal Luizianne Lins (Rede) falou nesta quinta-feira (21), durante participação na Live PontoPoder, sobre sua decisão de sair do Partido dos Trabalhadores (PT), após 37 anos de filiação, e classificou a medida como "muito difícil" e "muito dolorosa". 

"Foi muito difícil, muito dolorosa. Passei três anos numa situação de reflexão sobre tudo isso", disse a parlamentar, ao comentar sobre sua trajetória na legenda, durante entrevista concedida aos editores do PontoPoder, Jéssica Welma e Wagner Mendes. 

"Além dos cargos públicos, digamos assim, eu posso dizer que o partido para mim sempre foi uma vivência coletiva e uma vivência coletiva muito forte. Foi uma escola política", classificou a política.

Ainda durante a conversa, Luizianne Lins afirmou que sua decisão de deixar o PT foi uma das decisões mais difíceis que já tomou na vida pública. 

"Digo que foram três decisões que me marcaram profundamente, e três decisões muito difíceis. Então eu coloco essa como uma das três", classificou, citando que as outras duas foram sua candidatura à Prefeitura de Fortaleza em 2004 e sua tentativa de ir à Faixa de Gaza na missão humanitária da Flotilha Global Sumud.

De acordo com ela, deixou o PT para não mudar sua coerência e sua posição. "Não é porque mudei de posição. Ao contrário, exatamente para fazer jus ao que penso sobre o que é um partido, ao que penso sobre o que é uma luta de trabalhadores, do povo mais simples desse estado, de um povo que é muito guerreiro", frisou.

Sem se reconhecer no PT

Luizianne pontuou que houve uma falta de reconhecimento com o PT ao final da sua permanência, após mais de três décadas. Ela também criticou o volume de filiações vistas na legenda no Ceará e em Fortaleza entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, durante a Campanha Nacional de Filiações daquele período. Para ela, isso trouxe um prejuízo para a identidade da sigla.

Também nesta linha, a deputada federal revelou que antes da sua saída foi procurada pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, para conversas que evitassem sua desfiliação. "Dado o que aconteceu especificamente nos últimos três anos no partido aqui, acho que as pessoas nacionalmente ficaram muito mais à vontade", comentou.

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Segundo ela, lideranças petistas no Ceará, como o senador Camilo Santana e o governador Elmano de Freitas, não tentaram estabelecer diálogos para impedir sua migração partidária. "A movimentação que estava acontecendo não era de diálogo", completou a entrevistada.  

"Algumas pessoas que chegaram agora no partido, mesmo que filiadas há mais tempo mas que resolveram tomar conta da estrutura do partido agora, toda movimentação era para me destruir. Isso foi uma coisa, para mim, muito clara", disse.

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