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Deputados federais do CE fizeram mais de mil discursos em três anos; veja quem lidera o ranking

Um levantamento feito pelo PontoPoder mostra quem são os deputados federais que mais discursaram nos últimos anos.

Escrito por
Igor Cavalcante igor.cavalcante@svm.com.br
Parlamentares de terno levantam a mão para votar no plenário da Câmara, enquanto o presidente da sessão, sentado à mesa diretora com microfone e monitores, conduz os trabalhos.
Legenda: Deputados cearenses discursam, principalmente, durante a Ordem do Dia.
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados.

Desde que assumiram o atual mandato, os deputados federais do Ceará usaram o plenário da Câmara Federal para fazer discursos em 1.139 ocasiões. Um levantamento feito pelo PontoPoder a partir dos registros da Casa entre 1º de janeiro de 2023 e 11 de fevereiro de 2026, mostra uma tendência natural do líder do Governo, José Guimarães (PT), de ter a maior quantidade de discursos. Em seguida, aparece um dos mais fiéis bolsonaristas do Estado, o deputado federal André Fernandes (PL).

Os dados também revelam uma predominância de falas na fase de votação, forte concentração em poucos nomes e centralidade de temas legislativos e de governo.

José Guimarães aparece isolado na liderança, com 349 discursos no período. Em seguida, com menos da metade das falas, surge André Fernandes, com 150 registros. O terceiro orador cearense mais frequente é Mauro Filho (PDT), com 103. Os demais parlamentares ficam abaixo da marca de 100 intervenções, segundo os dados da Câmara.

Para o levantamento, o PontoPoder considerou, inicialmente, todas as intervenções feitas pelos parlamentares, incluindo nas Ordens do Dia, nas Breves Comunicações, nos Encerramentos, nas Homenagens e nas Comissões Gerais.

A Ordem do Dia é a fase da sessão destinada especificamente à discussão e votação das proposições constantes da pauta. Nas sessões ordinárias, ela se inicia às dezesseis horas. Antes de seu início, é verificada a presença dos Deputados em Plenário pelo sistema eletrônico.

Quem fala na hora decisiva?

Quando se observa apenas a fase da Ordem do Dia, a concentração é ainda mais evidente. Dos 322 discursos feitos por Guimarães nesse recorte, ele responde sozinho por mais de 43% das 745 intervenções registradas nessa etapa por toda a bancada cearense.

André Fernandes, com 80, e Mauro Benevides Filho, com 72, aparecem bem atrás. Essa fase das sessões é quando o plenário efetivamente delibera, o que indica que parte significativa da atuação discursiva dos cearenses está vinculada ao encaminhamento de votações e à defesa ou crítica de proposições. A distribuição por fases reforça esse diagnóstico.

Na prática, quase dois terços dos discursos foram feitos no momento deliberativo. As Breves Comunicações aparecem como o segundo principal espaço de manifestação. Para os parlamentares, esse momento é valioso porque funciona como uma vitrine política para acenos às suas bases.

Longe dos holofotes

Na outra ponta da tabela estão os políticos que ainda não discursaram desde que tomaram posse nesta legislatura. Ao todo, há quatro parlamentares nesse grupo, contudo, dois deles são suplentes em exercício, os deputados Gorete Pereira (MDB) e Vanderlan Alves (Republicanos), e tomaram posse recentemente, logo antes do recesso parlamentar ou pouco depois do retorno dos trabalhos na Casa.

Já Matheus Noronha (PL) e Robério Monteiro (PDT) exercem o mandato desde 2023, mas optaram por não fazer essas intervenções.

Ao PontoPoder, o pedetista disse que tem uma “atuação voltada principalmente para ações nos municípios do Ceará, com participação ativa nas discussões das comissões, especialmente nas áreas de desenvolvimento regional, saúde e educação”. 

“Priorizo as articulações e o diálogo com as gestões locais, pois tenho um perfil municipalista, focado na construção de soluções e na entrega de resultados concretos para as cidades”
Robério Monteiro (PDT)
Deputado federal

Queda gradual no volume anual

Os dados indicam ainda uma redução progressiva no número de discursos nos últimos anos.

  • 2023: 440 discursos;
  • 2024: 354 discursos;
  • 2025: 325 discursos;
  • 2026: 20 (até 11 de fevereiro) discursos.

O pico ocorreu em 2023, justamente o primeiro ano da legislatura e o início do terceiro mandato do presidente Lula (PT). À época, o petista organizava sua base aliada e submetia ao Legislativo propostas prioritárias da Câmara. Ao mesmo tempo, os Três Poderes atuavam unidos após a tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023.

Foco no processo legislativo

A análise das palavras mais frequentes mostra um caráter institucional dos discursos. Os termos mais recorrentes são “Projeto de lei ordinária” (451 ocorrências), seguido de “Orientação de bancada” (259), “Governo” (172), “Voto favorável” (158) e “Base de apoio político” (152).

Também aparecem com destaque referências ao Congresso Nacional, ao Senado Federal e ao Supremo Tribunal Federal (STF), além de menções ao Banco Central do Brasil e ao Instituto Nacional do Seguro Social.

Entre outros assuntos também citados, destacam-se “Reforma tributária” (49 registros), “Taxa de juros”, “Piso salarial” e “Enfermagem”, com referência ao Sistema Único de Saúde. Também surgem temas como “Segurança pública”, “Crime organizado”, “Homicídio” e “Notícia falsa (fake news)”.

José Guimarães, André Fernandes e Matheus Noronha foram procurados pela reportagem, mas não houve retorno.

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