Entraves na base e na oposição vão empurrar definições da janela partidária para abril
Deputados estão inquietos com indefinições que dependem de tratativas locais e até definições nacionais.
Já na segunda metade da janela partidária, a palavra que define o cenário político no Ceará é 'indefinição'. Longe de um desfecho encaminhado, o que se vê, tanto na base governista quanto na oposição, é um jogo aberto que deve se arrastar até os últimos momentos da janela, no início de abril. O prazo final é dia 3.
Nos bastidores, a avaliação é que as definições das chapas proporcionais estão travadas e vão seguir assim por mais alguns dias porque os principais partidos ainda tentam entender o cenário nacional e tratar dos encaminhamentos das chapas majoritárias que só serão definidas em julho.
Base governista ainda em ajuste fino
No caso da base do governador Elmano de Freitas (PT), o principal nó está na relação entre PT e PSB, hoje os dois pilares do governismo. As conversas, conduzidas diretamente por Elmano e pelo senador Cid Gomes, avançam, mas ainda esbarram em um ponto sensível: a montagem de chapas competitivas sem canibalização interna.
Há uma disputa entre os dois por hegemonia política e densidade eleitoral. O PT, fortalecido pela máquina estadual e pela presença no governo federal, busca ampliar bancadas.
Já o grupo liderado por Cid quer preservar espaços e garantir protagonismo para os próximos quatro anos.
Apesar do diálogo entre os líderes, há muitas especulações entre os parlamentares e a certeza de que tudo ficará para os últimos dias da janela.
União Progressista: fiel da balança
Outro ponto de incerteza, que afeta base e oposição, é a federação entre União Brasil e Progressistas, que ainda não está formalizada nacionalmente e nem muito menos definiu posicionamento no Ceará.
A decisão, se ficará na oposição ou migrará para a base, tem potencial de mover peças no tabuleiro. Muitos estão dependendo desta definição.
Enquanto não há certezas, o movimento é de cautela. Ninguém quer apostar no partido errado a poucos dias do fechamento da janela.
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PL e o fator Ciro Gomes
A oposição tem outro ponto de tensão: a posição do PL em relação a um eventual apoio ao nome de Ciro Gomes.
A decisão de alinhamento terá impactos imediatos para o campo opositor. O partido poderá, inclusive, receber parlamentares naturalmente mais ligado ao grupo de Ciro, o que muda a correlação de forças partidárias.
Se o PL optar por outro caminho, abre-se espaço para uma fragmentação ou formação de um novo campo de oposição.
Proporcional travada pela majoritária
Embora o foco da janela seja a formação de chapas proporcionais, o que se observa é que tudo está subordinado à lógica da disputa majoritária.
Deputados não querem apenas uma legenda. Querem saber qual a estrutura e a perspectiva de poder para a eleição. E isso, claro, passa pela definição majoritária.
Sem essas respostas, o cálculo político fica incompleto. E o jeito é esperar.