Um quinto do PIB brasileiro é vulnerável à crise do coronavírus, calcula OCDE

A crise do coronavírus deve afetar atividades que representam 20% do PIB brasileiro, segundo análise atualizada publicada nesta sexta (27) pela Organização para o Crescimento e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Nos países desenvolvidos, a parcela afetada chega a 35%, segundo a organização.

O impacto será provocado pelas medidas de restrição necessárias para conter a pandemia, e os governos devem começar já a planejar medidas coordenadas para reagir, afirma o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría.

Pelos cálculos da organização, cada mês de confinamento deve trazer uma perda de dois pontos percentuais ao crescimento anual do PIB global.

"Muitas economias entrarão em recessão, e isso é inevitável, porque é preciso combater a pandemia. As medidas de restrição evitam consequências muito mais trágicas e um impacto econômico muito mais grave", afirma Gurría.

A maioria do impacto, segundo a OCDE, virá de perdas do comércio e do setor de habitação. O grau de redução econômica deve variar bastante entre os países, e os que dependem da atividade turística devem ser significamente afetados.

Para estimar as perdas econômicas, a OCDE identificou os setores mais afetados pelas medidas de confinamento e, para cada um deles, calculou cenários em que as atividades são reduzidas em de 50% a 100% .

O impacto deve ser mais forte no setor de serviços (principalmente viagens e turismo) e no comércio, onde, segunda a entidade, as vendas online devem aliviar apenas em parte a contração.

O decréscimo será menor na indústria, principalmente nos segmentos mais automatizados. A falta de peças, porém, provocou a paralisação de setores importantes como o automotivo e o de eletrônica.

No total, os setores afetados representam de 30% a 40% das economias, segundo a OCDE. Países com setores agrícolas expressivos e exportadores de minérios e petróleo serão menos atingidos pelas medidas de confinamento, mas podem sofrer com a redução na demanda global por commodities.

Goldman Sachs prevê contração recorde na América Latina. Também nesta sexta, o banco Goldman Sachs afirmou que economia latino-americana deve sofrer uma contração de 3,8% neste ano, a pior desde a Segunda Guerra Mundial.

A queda no PIB será provocada pelas restrições a viagens e pelas medidas de isolamento social adotadas para combater a pandemia de coronavírus.

Quero receber conteúdos exclusivos sobre negócios