'Tatuzões' de R$ 128 mi estão parados há 2 anos
Equipamentos haviam sido adquiridos sob a justificativa do Governo do Estado de se poupar tempo nas execuções
Já se passaram dois anos desde que o governo do Estado adquiriu, ao custo de R$ 128.224.258,52, quatro tuneladoras para a escavação dos túneis da Linha Leste do Metrô de Fortaleza. As obras estão paradas há meses e não há um prazo para reinício. Assim como quando foram armazenadas, as gigantescas peças permanecem sem uso, esperando o dia em que, enfim, entrarão em atividade.
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Conforme matéria publicada pelo Diário do Nordeste no dia 12 de novembro de 2013, no próximo mês de novembro será encerrado o período de carência do empréstimo bancário cuja parte dos recursos foram destinados para adquirir os equipamentos, que estão encostados no Centro da Capital. Após o período, segundo o que havia sido divulgado naquela época, o Estado passará a pagar juros pactuados em TJLP mais 1,9% ao ano à instituição credora, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Em julho de 2013, desembarcaram no Porto do Pecém 30 contêineres com equipamentos e peças das duas primeiras máquinas tuneladoras - também conhecidas como "tatuzões" - compradas pelo Governo do Estado para a perfuração subterrânea dos túneis do que um dia - espera-se - seja a Linha Leste do Metrô de Fortaleza.
Em agosto daquele ano, chegaram as outras duas máquinas. Em setembro de 2013, todas as quatro haviam sido devidamente armazenadas no Centro de Fortaleza, em local próximo à estação Chico da Silva.
A partir de dezembro deste ano, o governo do Estado começará a pagar juros do empréstimo de R$ 713,41 milhões, junto ao BNDES, adquirido para ações que envolviam a aquisição das tuneladoras. Do total do valor do empréstimo, 30% foi destinado a ações de mobilidade urbana, incluindo as obras do Metrô de Fortaleza.
Em 12 de novembro de 2013 o governo comemorava a aquisição do empréstimo, o primeiro de tamanha magnitude concluído naquele ano. O acordo previa dois anos de carência e dez anos para quitação da dívida.
Em geral, os aparelhos de escavação são de responsabilidade do consórcio construtor. Entretanto, alegando economia de tempo, o governo optou por adquirir os "tatuzões" ao custo de R$ 128 milhões. Parados, eles estão ocupando um espaço de mais de 18 mil metros quadrados, sendo necessários mais de um mês para o desembarque, transporte e armazenagem de todo o equipamento. Apenas a parte dianteira, o "shield", pesa algo em torno de 460 toneladas. Ao todo, o shield e o backup, que compõem a estrutura de uma tuneladora, têm 125 metros de extensão, com cerca de 737 toneladas.
Armazenamento
A Secretaria da Infraestrutura do Estado (Seinfra) limitou-se a dizer que tem tomado as providências devidas para garantir a integridade dos equipamentos adquiridos para escavação.
"Atualmente, as tuneladoras encontram-se desmontadas, visto que a montagem ocorre quando os emboques (entradas dos túneis) ficarem prontos. Nesse ínterim, elas permanecerão armazenadas em local apropriado, com os devidos cuidados, próximo ao canteiro da estação Chico da Silva, no Centro de Fortaleza. Todas as medidas para que o material esteja em perfeito estado de conservação estão sendo tomadas", disse a Pasta, em nota enviada por meio de sua assessoria de imprensa.
Obra sem previsão
Em maio deste ano, o Diário do Nordeste denunciou que o canteiro de obras da construção da Linha Leste do Metrô está parado. Os trabalhos no canteiro começaram em novembro do ano passado, mas não avançaram em 2015.
O empreendimento, apontado como o de maior investimento em mobilidade urbana do Estado, com aporte de R$ 2,3 bilhões, ainda não virou realidade. A Seinfra não informou qual a previsão para reinício das atividades da Linha Leste.
Por sua vez, o Governo do Estado explica que as obras tiveram ritmo reduzido por questões contratuais com o consórcio vencedor da licitação. O próprio Governo, insatisfeito com o ritmo dos serviços, deu início à discussão de reestruturação, que incluía chamar os demais participantes da licitação ou fazer um novo pregão.
Em outubro de 2013 o consórcio Cetenco-Acciona, formado pelas empresas Cetenco Engenharia e Acciona Infraestructuras, venceu a licitação. Uma reformulação societária entre as empresas teria ocasionado o imbróglio, no começo de 2015.
"Existiu a solicitação da empresa espanhola Acciona Infraestructuras S/A de permanecer, isoladamente, na execução contratual. No entanto, por questão de segurança jurídica e resguardo do interesse público, o pleito foi submetido à apreciação da Procuradoria Geral do Estado (PGE) para conclusão da análise. Tal encaminhamento visou evitar decisões divergentes entre as instâncias do executivo", explicou o governo.
Nova Leste
A Linha Leste do Metrô de Fortaleza terá 13 km de extensão, sendo 12 km subterrâneos e 1 km em superfície, interligando o Centro ao bairro Edson Queiroz. A linha será operada com trens elétricos.
O projeto prevê a construção de onze estações: Catedral, Colégio Militar, Luíza Távora, Nunes Valente, Leonardo Mota, Papicu, HGF, Cidade 2.000, Bárbara de Alencar, Centro de Eventos e Edson Queiroz. A estação Tirol, já existente, fará a integração entre a Linha Oeste e a Leste.
A estação Chico da Silva, também já implantada, fará a ligação com a Linha Sul. A previsão é de que a Linha Leste atenda 400 mil usuários por dia quando integrado com os demais modais de transporte.
Levi de Freitas
Repórter