Potencial real de concessões é de 20% do projetado
São Paulo. O governo tenta neste ano destravar o leilão de pelo menos 21 concessões na área de transporte. Se for bem-sucedido, estará dada a largada para o investimento de quase R$ 70 bilhões na expansão de aeroportos, portos, rodovias e ferrovias. Mas, na avaliação de especialistas, o potencial de atração de investimentos é bem menor, de R$ 13 bilhões, cerca de 20% do total.
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As concessões seriam uma alternativa para superar, em parte, a paralisia que toma conta da área de infraestrutura. "Temos uma série de projetos com muita atratividade e estamos conversando com investidores de todas as áreas, fazendo ajustes, para que os leilões sejam bem-sucedidos", diz Maurício Muniz, Secretário do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no Ministério do Planejamento, que está na coordenação das concessões previstas.
Mas analistas consultados pela reportagem afirmam que conseguir deslanchar esse processo não será tarefa fácil, dado o atual cenário político e econômico. Ao longo de todo o ano de 2015, o ajuste fiscal levou a cortes em obras bancadas pelo poder público. Pesou contra também o fato de grandes construtoras terem sido arrastadas pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal.
Cenário magro
Para que as concessões vinguem, entretanto, o governo precisa contornar uma série de obstáculos. O maior deles é o temor dos investidores de fazer investimentos num momento em que já se sabe que a recessão brasileira será longa. "O cenário é magro", define Frederico Bopp Dieterich, advogado especializado em infraestrutura do Azevedo Sette Advogados. O escritório participou de mais de 100 projetos de infraestrutura nos últimos cinco anos, a maioria de grande porte, como rodovias federais e aeroportos internacionais.
Outro desafio do governo será recuperar a confiança dos investidores. "Hoje, você não sabe exatamente onde esse governo quer chegar", diz Dieterich.
Na avaliação de Cláudio Frischtak, presidente da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios, essa desconfiança generalizada dos investidores afeta um componente importantíssimo para a realização das concessões: a oferta de crédito.