Para Ipece, avanço da economia em 2019 depende da Previdência

Segundo especialistas do Instituto, além da reforma em curso, a quadra chuvosa é outro fator para o crescimento do PIB do Ceará neste ano. Resultado de 2018 teve alta de 1,01%, influenciado pelo setor de serviços e agropecuária

Legenda: A produção de grãos, aves, ovos, leite e frutas foram os destaques da agropecuária no ano passado
Foto: FOTO: HONÓRIO BARBOSA

Os resultados da atividade econômica deste ano estão atrelados diretamente à condução da reforma da Previdência. Assim como em 2018, neste ano, os rumos da política vão interferir nos indicadores, principalmente, no Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), a previsão de crescimento do PIB de 2019 gira em 2%, estimativa que também depende de uma boa quadra chuvosa. A expectativa é acima de 1,01% da taxa do ano passado.

"A reforma da Previdência é o principal indutor para um crescimento maior, mas no caso do Ceará também tem a questão do setor agropecuário. Apesar da diminuição dessa dependência das chuvas, isso ainda é bem considerável. A gente espera que as chuvas se consolidem e favoreçam também o setor de serviços", analisa Nicolino Trompieri, coordenador de Contas Regionais do Ipece.

O comércio ainda deve seguir a trajetória de crescimento, assim como o setor de serviços. Já a indústria cearense vai levar mais tempo para recuperar as perdas dos últimos anos. "A gente deseja que essa reforma seja aprovada quanto antes.

Se ela conseguisse ser aprovada no fim do primeiro semestre, com certeza tende-se a ter uma melhoria dos resultados da indústria no segundo semestre. Mas quanto mais ela demorar, mais difícil vai ser uma retomada consolidada de crescimento da indústria", pondera.

Resultados de 2018

A agropecuária (6,37%) e os serviços (0,91%) foram os principais indutores do crescimento do PIB de 1,01% registrado no ano passado. Segundo o Ipece, apenas a indústria obteve índice negativo de 0,34%. O comércio, que está inserido no setor de serviços, cresceu 2,85%.

"Ele representa 15% do nosso PIB. No primeiro semestre de 2018, nosso varejo estava crescendo muito melhor, no terceiro e quarto trimestres cresceu menos. Apesar de a gente comemorar o crescimento das vendas e o rebatimento positivo sobre o PIB, no resumo poderia ter sido melhor se o nosso varejo tivesse acompanhando a dinâmica nacional", avalia Alexsandre Lira, economista do Ipece.

De acordo com ele, os segmentos de material de construção e combustíveis tiveram quedas nas vendas e impediram o comércio de crescer mais. "O varejo do Ceará está crescendo, mas desacelerado. As vendas do comércio e administração pública, de alguma forma, ajudaram a compensar a queda na indústria. De toda forma nós poderíamos ter tido um desempenho ainda melhor", reitera.

Já segundo Trompieri, o centro de conexões da Air France-KLM e Gol e o aumento no número de voos da Latam também influenciaram os resultados do setor de serviços, mesmo que ainda de forma tímida. "A gente observou o aumento no número de voos e consequentemente o aumento no número de passageiros e isso retratou em um efeito positivo na atividade de alojamento e alimentação. O turista também atua em outras atividades, como transporte, comércio e entretenimento".

Para Freitas Cordeiro, presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE), o ano passado não foi fácil. "Mas contamos com o esforço do Governo em trazer investimentos. Isso traz no final reflexos positivos. Eu posso citar o hub aéreo e portuário que impulsionaram o comércio. Mas também tivemos eleições e a greve dos caminhoneiros", cita.

Cordeiro reforça a aprovação da reforma da Previdência como fator decisivo para 2019. "Nós estamos na expectativa de aprovação dessa reforma. Ainda é incerto".

Já a agropecuária comemora a quadra invernosa satisfatória. "A gente destaca a produção de milho, feijão e mandioca. Foi a maior quantidade produzida desde 2012. Na pecuária, a gente destaca aves, ovos e leite", diz Cristina Lima, assessora técnica do Ipece.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), Flávio Saboya, afirma que as chuvas foram decisivas para o resultado.

"Como tivemos um incremento da quadra invernosa era natural que tivesse um aumento correspondente. Isso não foi decorrente de nenhum programa especial ou ação deliberada no sentido de incrementar as atividades agropecuárias, foi unicamente em decorrência do aumento das chuvas", acrescenta.