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Para alçar voo, bandas investem em estrutura

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
Legenda: A3 Entretenimento, uma das empresas que domina o segmento, empresaria grupos como o Aviões do Forró, o Forró do Muído e o Solteirões do Forró
Foto: DIVULGAÇÃO
A zabumba, o triângulo e a sanfona, instrumentos essenciais do forró de ontem e de hoje, ainda podem compor uma banda. Mas provavelmente, se ela quiser alçar voos mais altos rumo ao estrelato, terá que se munir de uma estrutura milionária. Conforme o estudo "Arranjo Produtivo do Forró em Fortaleza", uma banda pequena, em início de carreira, tem de desembolsar, em média, R$ 20 mil para comprar equipamentos de som, luz e instrumentos musicais, como guitarra, contrabaixo e saxofone, considerados quase obrigatórios para o forró eletrônico. O levantamento estima que só para a aquisição desses itens, as cerca de 300 bandas de forró cearenses, profissionais ou não, tenham gasto um mínimo de R$ 6 milhões. Isso, claro, sem contar com outros instrumentos de trabalho essenciais, como o ônibus, principal meio de transporte para os grupos.

"O custo seria apenas para formar uma banda pequena. Este tipo de banda permanece atuando no seu próprio município. Uma banda grande tem necessidade de um capital igualmente grande. Por exemplo, além dos próprios equipamentos musicais, uma banda grande necessita de meio de transporte terrestre, normalmente ônibus. Somente ele tem um custo de, mais ou menos R$ 800 mil", aponta o economista e professor Jair do Amaral.

Contabilizando apenas as 45 bandas profissionais que atuavam em Fortaleza em 2008, o investimento em transporte terrestre superou R$ 13,5 milhões, segundo o estudo.

Estimativa de empregos

Somente em palco, à frente das bandas de forró cearenses, o levantamento coordenado pelo professor Jair do Amaral, calcula que estejam empregadas mais de 3.000 pessoas. Para chegar esse número, ele utiliza a modesta quantidade de dez componentes por grupo. Se forem incluídos ainda os outros profissionais que atuam direta e indiretamente com a banda e ainda todos os que participam da cadeia forrozeira, o número exato perde-se, já que não há uma estimativa oficial.

"O número de empregos gerados, direta e indiretamente, e associados a essa indústria está muito acima disso hoje. Principalmente porque a indústria do forró desenvolveu muitas ramificações, envolvendo mídia e outros segmentos da indústria do entretenimento", destaca o professor Jair do Amaral. E mesmo com as mudanças decorrentes da inserção do forró em todas as classes, a forma de atuar no negócio não parece que vá mudar. Conforme explica, somente agora surgiu uma associação de pessoas mais preocupadas em preservar o forró mais puro, pé de serra, mas nada com o intuito de modificar ou inovar os modelos de negócios.

Concentração

Mas como modificar um mercado em que uma banda pode faturar mais de R$ 200 mil em um fim de semana só? Difícil. Afinal, no Ceará, duas grandes empresas, praticamente, dominam uma boa fatia, detendo bandas, casas de shows, estúdios de gravação e rádios; e faturando bastante. São elas a A3 Entretenimento e a Som Zoom. A primeira empresaria grupos como o Aviões do Forró, o Forró do Muído e o Solteirões do Forró. A segunda, do empresário Emanuel Gurgel e a mais antiga no segmento, é responsável por bandas como Mastruz com Leite e Cavalo de Pau.

"Os fundadores da A3 trabalharam com Emanuel Gurgel, o criador dessa indústria. Como ex-funcionários da SomZoom, os três levaram para a A3 toda a aprendizagem acumulada em mais de seis anos de trabalho com Gurgel. Oportuno lembrar que uma das características do modelo implantado por este último foi a diversificação, verticalização e integração das atividades correlatas às bandas da empresa, a fim de criar economias de escala e de escopo e tornar a organização mais independente em relação aos serviços prestados por terceiros, mas também para elevar a margem e o volume dos lucros", relata o trabalho "Arranjo Produtivo do Forró em Fortaleza".

Quem atua

O dado mais atualizado, levantado pelo professor Jair do Amaral em 2008, mostra que o Ceará possui aproximadamente 300 bandas de forró, profissionais ou não. Entretanto, esse número já foi bem maior. Há 8 anos, a indústria atingiu seu ápice, pelo menos em termos de grupos formados. Eram 600. No ano seguinte, em 2004, esse número caiu mais de 66%. "Há uma dinâmica muito forte de entrada e saída dentro dessa indústria. Há que lembrar que, não sendo uma banda grande, pode-se montar uma com relativa facilidade. Ou seja, é uma indústria sem muita barreira de entrada aos interessados. A seleção é feita no processo de produção. Neste caso, quem seleciona é o público, embora o peso da mídia no progresso de uma banda seja importante. Mas neste caso, há necessidade de capital", elucida o professor.

Para ele, essa variação na quantidade de bandas decorre ainda do fim de um período muito positivo, já que no início dos anos 2000, havia muitos grupos entrando no mercado, dado que o forró passava por um momento favorável proporcionada pela moda. Atualmente, o segmento, para o professor, tem dividido a preferência do seu público com outros gêneros musicais. (DB)

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